24 de setembro de 2018

PRIMEIRO LUGAR NO CONCURSO DE REDAÇÃO

DO ''BÃO DE PROSA'' A RUA DA MINHA CASA Aquela rua não é mais a mesma rua e aquelas casas não são mais as mesmas casas. Quando eu passo por lá sinto vontade de chorar. Se essa rua fosse minha, não man

PRIMEIRO LUGAR NO CONCURSO DE REDAÇÃO

PRIMEIRO LUGAR NO CONCURSO DE REDAÇÃO DO ''BÃO DE PROSA''

A RUA DA MINHA CASA

Aquela rua não é mais a mesma rua e aquelas casas não são mais as mesmas casas. Quando eu passo por lá sinto vontade de chorar. Se essa rua fosse minha, não mandava ladrilhar, deixaria como era, chão batido, barro, poeira pelo ar. Construiria um muro bem alto, um arranha-céu para ninguém sair de lá. Quantas pessoas queridas foram embora dessa vida! Quantas por esse mundo afora! E até a rua mudou-se de endereço. Quantas travessuras ali vividas... Brincadeiras...Balança Caixeta...Maria Sai Da Lata...Cantigas de roda, parlendas, quadrinhas, só para ganhar um beijo,um abraço do menino mais bonito e da menina mais querida.

Lá na minha rua eu era a dona do Circo, a chamada era assim, ‘’Circo Americano, quem não tem dinheiro passa por baixo do pano.’’ Lá na minha rua, depois da festa do congo da cidade, tinha a nossa festa, a molecada batia lata, bacia, panela velha, cantava. Era o nosso congo que enlouquecia os vizinhos. Era o Pio e o Oswaldo dando broncas e a gente escalando a montanha, só que era de sacaria e do alto a gente virava piruetas e mergulhava no monte de palha de arroz.

Moravam lá uma figuras lendárias, Sá Ana Gardina, bem corcunda, com sua canequinha e nas costas o seu cobertor pedindo café. O João, seu filho, saía ano entrava ano, era corintiano e sempre com seu radinho no ouvido. A Nininha carregava esgarranchado na cintura, o seu filho Zé Antônio e ficava pocessa quando era chamada de Gata da Boléia. No casarão da esquina D.Carmem, a turca, era dona do quarteirão e se irritava quando a molecada pulava a cerca de bambu e roubava suas frutas, a gente gargalhava quando ela esbrevejava, ‘’eu sabia que tu era putis, mas non sabia que tu era putis sem bergonha.’’

Acordar nas manhãs quentinhas, ouvindo o Zé Béttio, as músicas, a sonoplastia, misturado com o barulho da máquina limpando arroz e café, mais o martelinho do Zé Cavalhada fazendo tachinhos, o barulho cadenciado das patas do cavalo garboso do Mário Matuço dos dentes de ouro, esses sons eram exclusivos da minha rua. Éramos seis irmãos,Antônio, meu pai lavrador, Gláucia,minha mãe lavadeira.Sinto o gostinho do mingau, do angu doce, do tareco, do fubá afogado.Quando arrumava um dinheiro, pegava pão quentinho na charrete do Luiz Padeiro. Nessa minha rua hilária,dizia meu avô Zé Chico que na calada da noite um carro de boi cantava e ninguém via.Na esquina do Cidinho tinha a Loba da Quaresma. E tenho na memória, causos e bizarras histórias.

É, minha rua,hoje não mais te reconheço,mas tenho por você grande apreço.Ficará para sempre em minha lembrança, minha Rua Boa Esperança. Numero 400. ----------------------------------------------------- NOTA:ENTRE OS DEZ FINALISTAS estavam, Cidadão Guapeense, Ana Maria Ramos,Rosana Arreguy, Gislene, Leonice,Augusto Florêncio,José Hilton, Letícia Brasil e mais os ''três campeões''.Obrigada pela participação.

PessoasMariaRosaRosaChicoJoão
LugaresBoa Esperança
TemasFamília e CasamentoComércio e TrabalhoCrianças e EscolaCausos e HistóriasComida e Receitas
— Soninha
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