6 de outubro de 2020

Para Quem Ama Saber De Nossa História

A HISTÓRIA DO ''GRANDE HOTEL'' DE GUAPÉ PARECE que estamos falando do Copacabana Palace, mas para os guapeenses teve a mesma importância,um luxo numa cidade extremamente pobre na época, pobre de dinhe

Para Quem Ama Saber De Nossa História

A HISTÓRIA DO ''GRANDE HOTEL'' DE GUAPÉ

PARECE que estamos falando do Copacabana Palace, mas para os guapeenses teve a mesma importância,um luxo numa cidade extremamente pobre na época, pobre de dinheiro, pobre de esperança.

O PEDREIRO QUE VIROU DOUTOR FAMOSO

SIM, um jovem ajudante de pedreiro, muito especial, de inteligência rara e mais tarde,um nome ilustre...

Dr. Sebastião Ferreira,o Moço Batalhador, Estudioso, o famoso engenheiro da Petrobrás, grande nome de Guapé.

_FALA, Dr.Sebastião Ferreira... _Acabo de ver o vídeo da destruição final de nosso grande hotel Guapé. Coisa triste, chocante. Haja coração. O grande hotel era um marco ímpar em nossa história. História de sofrimentos e de mudanças com a chegada das águas.

_O QUE significou a construção do Grande Hotel... _Um alívio na agonia e desespero de muitos guapeenses já desperançosos em busca de lugar para se mudar. Maioria pensava que Guapé não tinha mais jeito. Lavouras sendo inundadas. Economia no fundo do poço.

_FOI possibilidade quando não se tinha trabalho... _Sim. Falta de trabalho remunerado por falta de dinheiro. Comércio paralisado. Furnas se mudando de Guapé. Empreiteiras também. Trabalhadores mandados embora sem indenização de seus direitos e até sem receber dias trabalhados.

_FALA mais desses operários... _Eles se ofereciam para ajudar no desmanche das casas pelo sustento da própria família, tentando salvar o que restava das águas. A pobreza reinava sem perspectiva.

_CHEGOU, então, o Senhor Mário Tibúrcio e família... _Sim, voltaram de BH acreditando num futuro, trazendo ânimo, dinheiro e novas esperanças, mostrando que nem tudo estava perdido e foram comprando prédios em inundação para desmanche.

_MUITOS empregos de repente... _Sim, contratando trabalhadores para desmanche, transporte e reconstrução de um grande hotel lá no alto na chamada cidade Nova. Eu fui um dos primeiros contratado para o desmanche e transporte e depois para a construção onde aprendi ofício de pedreiro, eletricista e encanador.

_O SÔ MÁRIO e os filhos pegaram no pesado... _Sim, os três filhos se juntaram também para o desmanche a ser aproveitado, como nós pegaram na enxada, marreta e colher de pedreiro. Nós os pedreiros contratados, nos sábados recebíamos, pagava um por um, era o que dava alento e com o dinheiro recebido a gente pagava a conta da semana na venda, fazia novas compras e voltava a sorrir.

_FALE SOBRE o material comprado das casas que seriam inundadas... _Então, o sonho foi sendo edificado com os tijolos, telhados e demais materiais de construção recuperados das melhores construções da praça antiga, numa transformação material, social, econômica e de visão de futuro.

_E AGORA... _Infelizmente, na internet, a morte deste Grande Hotel que deu vida a nossa Guapé. Eu penso, mereceria ser tombado como símbolo histórico de nosso ressurgimento e não por uma pá carregadeira e numa nova inundação nos olhos dos guapeenses conhecedores deste marco que se afunda na poeira das máquinas que o tomba. Adeus Grande Hotel Guapé ! ....... UM AJUDANTE ILUSTRE NA CONSTRUÇÃO DO HOTEL

Dr. Sebastião Ferreira,o Moço Batalhador, Estudioso, o famoso engenheiro da Petrobrás, grande nome de Guapé.

_FALA, Dr.Sebastião... _Acabo de ver o vídeo da destruição final de nosso grande hotel Guapé. Coisa triste, chocante. Haja coração. O grande hotel era um marco ímpar em nossa história. História de sofrimentos e de mudanças com a chegada das águas.

_O QUE significou a construção do Grande Hotel... _Um alívio na agonia e desespero de muitos guapeenses já desperançosos em busca de lugar para se mudar. Maioria pensava que Guapé não tinha mais jeito. Lavouras sendo inundadas. Economia no fundo do poço.

_FOI possibilidade quando não se tinha trabalho... _Sim. Falta de trabalho remunerado por falta de dinheiro. Comércio paralisado. Furnas se mudando de Guapé. Empreiteiras também. Trabalhadores mandados embora sem indenização de seus direitos e até sem receber dias trabalhados.

_FALA mais desses operários... _Eles se ofereciam para ajudar no desmanche das casas pelo sustento da própria família, tentando salvar o que restava das águas. A pobreza reinava sem perspectiva.

_CHEGOU, então, o Senhor Mário Tibúrcio e família... _Sim, voltaram de BH acreditando num futuro, trazendo ânimo, dinheiro e novas esperanças, mostrando que nem tudo estava perdido e foram comprando prédios em inundação para desmanche.

_MUITOS empregos de repente... _Sim, contratando trabalhadores para desmanche, transporte e reconstrução de um grande hotel lá no alto na chamada cidade Nova. Eu fui um dos primeiros contratado para o desmanche e transporte e depois para a construção onde aprendi ofício de pedreiro, eletricista e encanador.

_O SÔ MÁRIO e os filhos pegaram no pesado... _Sim, os três filhos se juntaram também para o desmanche a ser aproveitado, como nós pegaram na enxada, marreta e colher de pedreiro. Nós os pedreiros contratados, nos sábados recebíamos, pagava um por um, era o que dava alento e com o dinheiro recebido a gente pagava a conta da semana na venda, fazia novas compras e voltava a sorrir.

_FALE SOBRE o material comprado das casas que seriam inundadas... _Então, o sonho foi sendo edificado com os tijolos, telhados e demais materiais de construção recuperados das melhores construções da praça antiga, numa transformação material, social, econômica e de visão de futuro.

_E AGORA... _Infelizmente, na internet, a morte deste Grande Hotel que deu vida a nossa Guapé. Eu penso, mereceria ser tombado como símbolo histórico de nosso ressurgimento e não por uma pá carregadeira e numa nova inundação nos olhos dos guapeenses conhecedores deste marco que se afunda na poeira das máquinas que o tomba. Adeus Grande Hotel Guapé ! .......

COMO FOI PROJETADO O ‘’GRANDE HOTEL’’

De acordo com informações do filho Walquires...

O PROJETO só existia na cabeça do seu pai que não fez planta, apenas riscou no chão o que imaginou ali no lote da praça e foi erguendo as paredes.

EMPRESTOU a construção para Zé do Porto, construtor de Divinópolis que foi dispensado quinze dias depois pela má qualidade do serviço. A partir daí, o mestre de obras foi Maninho, bom pedreiro de Boa Esperança.

O MATERIAL comprado para reaproveitamento foi retirado... Do Grupo Escolar Agostinha Flor de Maria, Da casa de Dona Cota, ao lado do Hotel São José,onde era a sede do Banco Mercantil, Do casarão da Dona Batista.

INTERESSANTE SABER...

A PORTA grande da entrada do Grande Hotel para minha surpresa era a porta que ficava na entrada do Grupo Escolar antigo. Enorme e bonita. Por ela passou tantos alunos e por tantos anos!

OS VITRÔS do Grupo Escolar foram colocados nos banheiros dos apartamentos, o que eu também não sabia.

NO DESMANCHE da casa de D.Batista encontrou-se debaixo do assoalho as barricas de cimento que vieram da Inglaterra.

TODAS as calhas do casarão eram de chapas de cobre. Um lavatório da casa tinha como esgoto um cano de chumbo com 6 metros e 2 polegadas de diâmetro. O cano de chumbo foi vendido para um pescador que o transformou em chumbada de tarrafa. . A SERRARIA DO SÔ MÁRIO

ELE montou uma serraria e os carpinteiros Magalhães e Antônio fizeram as demais portas, portais, janelas. As máquinas depois da construção foram vendidas para o Instituto São Francisco, entidade que havia sido criada pelo Juiz Dr.José Vasconcelos.

O HOJE famoso engenheiro guapeense,bem jovem,Dr. Sebastião Ferreira, trabalhou de servente de pedreiro. No horário do almoço enquanto os demais operários tiravam uma soneca ele estudava. Sô Mário Tibúrcio deixava-o sair uma hora antes para dar tempo dele ir em casa trocar a roupa para ir pro ginásio. FOI o filho, famoso advogado Walquires Tibúrcio quem fez todo o encanamento hidráulico com canos de ferro.Lembra que os vasos sanitários tinha válvulas marca Hidra, assentados em cano de uma e meia polegada. Também fez toda a instalação elétrica. Tudo isso confirmado por Sebastião Ferreira, o jovem aprendiz.

OS MÓVEIS para o Grande Hotel vieram do Hotel Itamarati, do hotel que era deles em Belo Horizonte. No salão bonito,harmoniosamente os melhores móveis foram dis tribuídos.

NO ANO de 1964 foi a badalada inauguração num grandioso baile com a orquestra de Ed Mandarino. Funcionou no salão durante uns tempos a ‘’Boite Sinhá Moça’’.

MOROU muito tempo como mensalista no hotel, o jovem Robson José Rust que era gerente do Banco Mercantil que teve duas namoradas em Guapé, Zanir e Ana Maria.Foi, depois de Robson, também mensalista,o Sr. Sávio gerente do mesmo banco.

O FORRO do refeitório, todo feito em tábua, foi trabalhado por um marceneiro vindo de São Paulo, tinha um desenho muito bonito, com iluminação embutida, a cores.

DURANTE o tempo da construção, D.Maria e os filhos Franklin e Ênio ficaram tocando o Hotel Itamarati em Belo Horizonte.

TIÃO MARTINS,irmão do Tietié, em seu caminhão, além dos móveis,trouxe também uma lancha com possante motor Johnson. Foi a sensação na época, Sô Mário esquiava nas águas da represa e o povo juntava para ver a novidade.

O GRANDE músico, Blasco, na foto, foi quando se apresentou tocando no Grande Hotel. Blasco era famoso, muito famoso, o dono de uma das orquestras que tocava no famoso ''Dancing Montanhez'', de Belo Horizonte.

DOS filhos, foi Walquires o que trabalhou desde o desmanche na Cidade Velha, até o fim da construção e andava sempre com uma máquina fotográfica batendo retrato das casas, água, pessoas, carros de bois, trabalhadores, igreja e tudo.

FRANKLIN Tibúrcio só trabalhou no desmanche e com os trabalhadores, subia aos telhados e paredes, tirando e preparando materiais para reaproveitamento levado para o alto, na praça também em construção.

ÊNIO Tibúrcio também na fase do desmanche, era muita gente trabalhando rápido, uma confusão, Ênio parava a caminhonete verde que era carregada e subia pela Rua 3 de Fevereiro desviando e cruzando com os carros de bois, carroças e cavaleiros em mudanças. A simpática e atenciosa jovem Nélia Vinhas, irmã do Nery, diariamente ia lá no grupo, levando um bule de café gostoso.

QUANTO a grande e linda porta do Grupo Escolar, o Sebastião Ferreira tem especial lembrança dos intensos pedidos de Sô Mário, para se ter cuidado na retirada evitando estragos, assim era também com os vitrais.

Obrigada, Walquires, pela oportunidade com as informações.

Fazer essa postagem é resgatar para sempre parte de uma história e é sentir que o ''Bão De Prosa'' teve mais um dever cumprido. GRACIAS! -----

MARIINHA E RODOLFO

COMO falar do ‘’Grande Hotel’’ sem a eterna lembrança deles, os segundos donos, tanto carinho com os hóspedes, tanta prosa boa, continuaram a história engrandecendo Guapé.Foi lá que criaram os filhos rodeados de amigos sempre bem recebidos. Foi no Grande Hotel que eles viram os filhos tornarem-se adultos.Alessandra , Júnior, Eliane e netos.

REGISTRO um hóspede espanhol que escolheu viver ali por muito tempo, o espanhol Sr.Francisco que só foi embora no final da vida e fundou a Maçonaria.O Solú e o filho Luizinho que também escolheram voltar para Guapé e morar no hotel. E quantos outros que por aqui viveram e que por aqui passaram como hóspedes!

Registro o irmão João Nico sempre presente e carinhosamente tratado pela irmã e família. A presença da graciosa Valda,irmã de Rodolfo. O casal Mariinha e Rodolfo escreveram por longos anos importantes capítulos dessa história. Registro a Cecília, a irmã que negociou a compra, uma feliz idéia e desde então,sua irmã e cunhado, foram os donos da história.

Comentário de Alessandra,filha de Rodolfo e Mariinha:

''Muita gratidão por momentos vividos no Grande Hotel. Muito a agradecer a todos que passaram por lá e deixaram uma marca na história de vida dos meus pais Rodolfo e Mariinha. Não sinto tristeza , nenhuma melancolia e sim a constatação que com a morte dos meus pais um ciclo se encerra com muita admiração e reconhecimento pelo trabalho e amor que sempre dedicaram ao Grande Hotel. E a certeza que uma nova história será vivida com muito sucesso e bençãos. Gratidão!!!'' Abraço aos filhos e netos do casal tão especial para todos.

Somos todos responsáveis pela nossa História. VALEU as informações. GRACIAS! . soninha/outubro/2020

PessoasMariaSoninhaSô Mário TibúrcioTibúrcioTiãoAgostinha FlorRosaItamarWalquires TibúrcioRosaJoão
LugaresGuapéCidade VelhaCidade NovaGrande HotelSão FranciscoRua 3 de FevereiroFurnasBoa EsperançaBelo Horizonte
TemasFamília e CasamentoReligião e ProcissõesCidade Velha (saudade)Comércio e TrabalhoCrianças e EscolaNatureza e Lago
— Soninha
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