24 de setembro de 2018

SEGUNDO LUGAR NO CONCURSO DE REDAÇÃO DO ''BÃO DE PROSA

A RUA DA MINHA CASA Rabisquei o envelope da carta porque as mãos tremiam. Após deixar Guapé, notei coragem para escrever aos meus familiares. O endereço, com caligrafia emocionada, tangia o nome Rua P

SEGUNDO LUGAR NO CONCURSO DE REDAÇÃO DO ''BÃO DE PROSA

SEGUNDO LUGAR NO CONCURSO DE REDAÇÃO DO ''BÃO DE PROSA''

A RUA DA MINHA CASA

Rabisquei o envelope da carta porque as mãos tremiam. Após deixar Guapé, notei coragem para escrever aos meus familiares. O endereço, com caligrafia emocionada, tangia o nome Rua Padre Domiciano. A primeira de muitas cartas que escreveria aos familiares nos anos de estudo no seminário. Hoje, não escrevo cartas e confesso que sinto saudades do tempo em que as cartas eram recheadas de emoções.

A Rua Padre Domiciano começa lá nas margens da represa azul que dividiu a cidade em Guapé velho e cidade nova. Naquele tempo, quem descia por ela vislumbrava a praça e a Igreja Matriz. Há quem diga que são nas águas que a vida começa...

Morar nesta rua foi o começo de uma nova etapa. Mudei aos 10 anos de idade, da roça para a cidade, para estudar, fixando morada na casa de minhas tias, no numero 309. Ali as crianças brincavam com liberdade de invejar e, vez em quando, corriam assustadas com medo da “Nega da Joaninha” que morava numa casinha de tijolos à vista. A rotina dos moradores era bem cronometrada, todos se cumprimentavam e sabiam, no bom sentido da vida, uns dos outros. As vizinhas ficavam em longas prosas sem as perturbações atuais do individualismo e violência. Ninguém sofria ou se alegrava sozinho, compartilhava-se tudo da vida sem a intenção de fofocas. Além destas nuances panorâmicas da rotineira vida dos moradores, ficou gravado a Elis Regina Florêncio subindo, empurrando uma bicicletinha, indo lecionar nos primeiros anos de magistério.

Quando volto a Guapé, sempre incluo no roteiro a Rua Padre Domiciano que não mudou muito. Ficaria feliz se não houvessem os muros e grades e sim canteiros de margaridas, cercadas de grama bem verdinha na frente das casas. As calçadas bem feitas e com boa iluminação. Nesta utopia, seria a mais linda de nossa cidade. No dia que me despedi de Guapé, ao subir a rua com pesada mala, chegando à pracinha voltei meu olhar e contemplei-a até na curva que ela faz bem na casa da Joana e não vi o lago. Mas, meus olhos lacrimejaram... Águas que foram ao encontro das águas ao fundo. As lágrimas são águas e elas são sempre o começo de uma vida.

---------------------------------------------- ENTRE OS DEZ FINALISTAS estavam, Cidadão Guapeense, Ana Maria Ramos,Rosana Arreguy, Gislene, Leonice,Augusto Florêncio,José Hilton, Letícia Brasil e mais os ''três campeões''.Obrigada pela participação.

PessoasMariaReginaRosaRosa
LugaresGuapéCidade NovaIgreja MatrizMatrizLago
TemasReligião e ProcissõesCidade Velha (saudade)Natureza e Lago
— Soninha
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