27 de setembro de 2020

DA SÉRIE DE RELATOS- RÁDIO NO GUAPÉ

Texto de Wenceslau Ávila “A estória que a história não registrou” – Hoje “O 1º. Rádio” O bolonhês, que não era o macarrão, mas o inventor do rádio, Marconi, tinha morrido a menos de 20 anos, foi quand

DA SÉRIE DE RELATOS- RÁDIO NO GUAPÉ

Texto de Wenceslau Ávila

“A estória que a história não registrou” – Hoje “O 1º. Rádio”

O bolonhês, que não era o macarrão, mas o inventor do rádio, Marconi, tinha morrido a menos de 20 anos, foi quando vi e ouvi o primeiro rádio transmissor.

Isto aconteceu no início de 1957, na fazenda do meu avô, Antonio Evaristo, hoje a algumas dezenas de metros debaixo das (turvas) águas da represa de Furnas, nos arredores do distrito do Pontal, em Guapé.

Naqueles tempos a nossa Disney, não era na Califórnia e nem na Flórida, era nas casas dos avós. Assim, como todos os anos, nas férias de janeiro ou fevereiro, minha mãe juntava a sua prole, quase sempre sem meu pai, colocava nos cavalos e todos para a “casa do vovô”.

Sempre era uma festa pois lá haviam “fruteiras” de todos tamanhos e “doçuras”, muitos “capados” em chiqueiros cercados por altos muros de pedras, além de muitos “camaradas” que, logo cedo, apareciam para ajudar a tirar o leite – apenas um deles morava na casa do meu avô, era o Joãozinho Zaias – amigo de todos nós, crianças.

Na casa grande, rodeada de outras menores, para todos os fins da fazenda, existiam algumas coisas que marcaram nossas vidas de crianças curiosas. Logo acima do portal da entrada para a varanda existia um quadro do diabo matando o pecador – impossível ir dormir sozinho, no quarto de dentro, tendo olhado para aquele quadro na varanda. A penteadeira da minha vó, com seus espelhos, mármore e pés torneados de madeira, estava mais para “boudoir” que para penteadeira. Era também na varanda que ficava o rádio sobre uma prateleira alta e grossa, na parede – debaixo do rádio uma enorme bateria, tão grande quanto o próprio rádio.

Era só no final de tarde, quando meus numerosos tios voltavam da “labuta” nas roças que se ligava o rádio para ouvir a dupla caipira mais famosa do Brasil Tonico & Tinoco, na rádio Nacional, com o programa na “Beira da Tuia” cantando “Chico Mineiro” – nesta hora, na fazenda sempre barulhenta, a gente segurava até a respiração, para poder ouvir os acordes e as vozes que desciam até alma de todo nós, com o drama triste do Chico Mineiro e suas boiadas.

Foi em um momento daqueles, logo no primeiro dia, enquanto todos em volta do rádio, alguém saiu lá do quarto da minha vó e falou:

“É melhor tirar esta música porque a Aparecida está chorando lá no quarto de dentro”! De fato, pouco mais de um mês antes, meu irmãozinho, Warley tinha nos deixado com apenas 1 anos 6 meses de idade, vítima do que foi chamado na época de “Anemia profunda”.

Assim o rádio entrou para as nossas vidas, em seus mais tenros anos, como uma experiência de alegria e de tristeza ou se preferir de uma alegria triste.

ILUSTRANDO: O programa que o Wenceslau citou, BEIRA DA TUIA, encontrei vídeos e postei no comentário abaixo.

PessoasChicoJoão
LugaresGuapéFurnasAparecidaFazenda
TemasFamília e CasamentoReligião e ProcissõesCidade Velha (saudade)Comércio e TrabalhoNatureza e Lago
— Soninha
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