27 de setembro de 2020

DA SÉRIE, O RÁDIO NO GUAPÉ

(Entrevista inventada a partir de um texto para facilitar a leitura.) O RÁDIO DE MARCELO LAGOA _Fala,Marcelo,de sua não tão antiga lembrança de Rádio... _Como toda criança de antigamente, em cuja famí

DA SÉRIE, O RÁDIO NO GUAPÉ...

(Entrevista inventada a partir de um texto para facilitar a leitura.)

O RÁDIO DE MARCELO LAGOA

_Fala,Marcelo,de sua não tão antiga lembrança de Rádio... _Como toda criança de antigamente, em cuja família o rádio desempenhava um papel importante (digo antigamente, quando possuir uma TV era relativamente difícil; e porque hoje, com a difusão das informações pela Internet e outros meios de comunicação, banalizou-se a transmissão remota de notícias, entretenimentos, etc).

_O que passava pela sua cabeça? _ Então, como toda criança daqueles tempos, eu também me encantava com a “mágica” de poder ouvir a voz de uma pessoa que não está presente, voz que eu pensava que vinha pelo fio da eletricidade, quando na verdade, vinha pelas ondas invisíveis do rádio, pelo ar.

_O Rádio era em sua casa? _Não! A primeira lembrança foi do rádio de meu avô, que geralmente ficava sobre o guarda-roupas: era enorme, de madeira, pesava quase 8 quilos e possuía inúmeras válvulas, que quando acesas me fascinavam; e eu gostava de espiar dentro dele para vê-las funcionando. Parecia-me uma pequena cidade com seus edifícios e suas luzes acesas!

_Então deixou o Rádio quando veio de mudança? _Quando mudei-me para o Guapé, acabou-se o rádio de meu avô e só fui ouvir outra vez quando vovô, em visita à nossa casa, me trouxe um pequeno rádio de pilhas.

_Amou o presente? _Fiquei contente e decepcionado ao mesmo tempo: Contente porque voltei a ouvir as vozes que eu já conhecia, porém sem ver o locutor. E decepcionado porque meu rádio já era transistorizado e não possuía válvulas que acendessem.

_Você era curioso,né? _Descobri então que a “mágica” era ainda mais poderosa do que eu imaginava… Como meu rádio era portátil e à pilha (e não de mesa – como o do meu avô), descobri que não era pelo fio da tomada que chegavam as vozes e as músicas! Era pelo ar que elas chegavam!

_Sei que ouvia o Zé Béti... _Acordar ouvindo a voz risonha do Zé Bétio, foi o meu deleite; e o de muita gente, com certeza!

_Tem ainda seu radinho? _Rádio nas mãos de criança não durava muito tempo e apesar de precioso, o meu pouco durou. Creio que na primeira vez que me vi sem pilhas para abastecê-lo, o abandonei.

_Ficou sem Rádio... _Minha tia também possuiu um rádio de mesa, porém bem menor do que o de meu avô. E como éramos apenas nós da mesma família morando em Guapé, as tardes da minha infância se resumiam em receber a visita de meus tios, ou de visitá-los também.

_Lembra de alguma prosa na família? _Lembro-me muito bem das tardes que minha tia e minha mãe passaram horas e horas conversando. E um dos assuntos eram as histórias e casos contados no programa do Gil Gomes!

_Gil Gomes assombrava criança... _Até hoje me lembro de uns casos de arrepiar, como aquele da senhora, descendente nissei, que perdendo sua filha de forma violenta, não aceitava a morte da criança e durante meses ela guardou o corpo numa geladeira, até que alguém desconfiou e fizeram a denúncia!

_Agora você esqueceu do Rádio? _Mesmo quando se tornou mais fácil assistir TV, sempre achei emocionante a narração de jogos pelo rádio! Ouvinte raiz nunca trocou uma partida de futebol, ouvida no rádio, por uma transmitida pela TV!

_Fala do que lembra do Cláudio do Zé Damas com Rádio... _Na Cidade Nova, na falta de um rádio disponível para brincadeiras, o saudoso Claudinho, filho do Zé Damas, improvisava sua fantasia de locutor trepado no muro com um emaranhado de fios amarrados nas árvores do quintal… Vi-o brincando assim muitas vezes.

_Você já citou certa vez o João da Sá Ana com o Radinho.. _Sim,o rádio também me traz à lembrança a imagem do João da Sá Ana, um rapaz que era irmão da Gata da Boleia. A Rua Boa Esperança foi meu caminho da Escola nos anos de 1976, 1977 e 1978 quando eu morava na Rua Três de Fevereiro e cursava o Primário no Grupo Escolar Dna. Agostinha Flor de Maria.

_Conta mais,Marcelo... _Não me lembro de nenhum dia que eu passasse por ali e não visse o João, de cócoras na sombra de seu casebre, com um radinho de estimação colado no ouvido. Criamos um laço de amizade desde a vez que ele me viu choramingando, sendo puxado pela mão de minha mãe que teimava em me levar à Escola! Depois daquele dia, toda vez que eu passava por lá o João imitava minha voz fina de criança dizendo: “_Mamãe não quero ir à Escola, mamãe!”

_Tem lembrança da mãe do João? _Eu tinha medo da Sá Ana e da Gata da Boleia. Pra piorar tinha medo também do Sr. Mariano Lara, que brincava cercando a meninada no passeio “pra capar”. Mas o João gostava de me falar sobre os jogos que ele escutava no rádio.

_Proseavam muito? _Sim. E às vezes, sem me dar conta, ficávamos: ele de lá, de cócoras no quintal de terra, na sombra da sua casinha; e eu de cá, em pé e com a mochila nas costas, na rua, por mais de 15 minutos conversando!

_Fala da experiência de Rádio de seu amigo... _Então,mais tarde, um amigo meu ligou um Motorádio de carro numa fonte 110V e duas caixinhas de som. Fez para ele um móvel e instalou na casa. E me ensinou a fazer isto. E o som era muito melhor do que os rádios domésticos! Fazer esta adaptação se tornou algo comum naquele tempo e tinha até um nome: Se não estou enganado, um rádio assim adaptado se chamava “cabrito”. Mas se eu estiver errado me corrijam, por favor.

_Nunca mais comprou Rádio? _Comprei.Depois, adquiri um rádio miniatura digital, que fazia busca automática das Estações e só captava as ondas de FM. Não possuía alto-falantes e só se podia ouvir com fones de ouvido. O Rádio, de tão pequeno cabia no bolso de camisa!

_De Rádio gigante para tão pequenos... _O rádio foi diminuindo de tamanho e foi perdendo seu espaço, tanto nas casas quanto nos corações das pessoas.

_Que você pensa hoje sobre o assunto? _E assim o tempo passou; O “Rádio” deu o cetro de seu reinado para a “TV”, que aos poucos tem passado o reino dos ouvintes para os domínios da senhora “Internet”… Tudo ficou mais fácil, dinâmico… Ninguém mais acompanha as radionovelas onde cada ator ou atriz tinha a cara que o ouvinte imaginava.

_Fala mais... _Gil Gomes, Zé Bétio, Morais Sarmento e outros tantos que se sagraram no rádio com sua voz potente, os narradores de futebol… Muitos já se foram sem deixar substituto à altura. E tudo foi se modificando e com isso perdeu a graça.

E aquela magia de ouvir as ondas do rádio não existe mais… Magia virou nostalgia. Então pra vocês, deixo aqui a letra de uma música, pra homenagear o Rádio e o Cantor (que também virou nostalgia neste ano de 2020):

SINTONIA – Moraes Moreira

Escute essa canção Que é prá tocar no rádio No rádio do seu coração Você me sintoniza E a gente então se liga Nessa estação...

Aumenta o seu volume Que o ciúme Não tem remédio Não tem remédio Não tem remédio não...

E agora assim aqui prá nós Pelo meu nome não me chama Você é quem conhece mais A voz do homem Que te ama...

Deixa eu penetrar Na tua onda Deixa eu me deitar Na tua praia Que é nesse vai e vem Nesse vai e vem Que a gente se dá bem Que a gente se atrapalha...

Escute essa canção Que é prá tocar no rádio No rádio do seu coração Você me sintoniza E a gente então se liga Nessa estação...

Agradeço: A foto de Marcelo mostrando o avô. A foto do Cláudio enviada pelo Dinho do João Damas.

PessoasMariaMarcelo LagoaAgostinha FlorRosaRosaJoão
LugaresGuapéCidade NovaLagoBoa Esperança
TemasFamília e CasamentoEsporteCrianças e EscolaNatureza e Lago
— Soninha
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