Texto:Wenceslau Ávila
O CARRAPATO
Percebo, com muita tristeza, que até os carrapatos de hoje não são mais como os de antigamente. Esse hematófago, que se fosse humano se chamaria vampiro e se morasse em Brasília ( e politico) seria um sangue suga, no passado era quase amigável. Explico. O bichinho adora se hospedar um ambientes (biomas) do tipo cerrado, ou seja nem tão deserto e nem tanto mata fechada e este lugar, no corpo humano situa-se idealmente logo abaixo do umbigo. Insidiosamente ele se esconde entre os pelos, que alguns chamam de pentelhos e por ser quase da cor deles, ficam totalmente camuflados, a menos que estejamos falando de alguém vindo dos países nórdicos (louros) ou então que só disponha de penugens – aí, como caçar codorna em campo aberto – não erra uma. Senão a busca tem que ser intensa, severa, de preferencia com a ponta das unhas escorregando entre os pelos e aqui vem a explicação: onde ele pica a coceira se implanta – este é o perigo pois ao invés de continuar procurando o “bichinho” nos distraímos e ficamos somente “a coçar”. Com certeza todos já ouviram falar da peça de teatro “Trair e coçar, é só começar”, a mais longeva do teatro brasileiro – você acha que se fosse ruim, ficaria tanto tempo em cartaz? Por isso... Voltando ao hematófago de nosso texto, quero alertar que nos tempos atuais, graças sobretudo a insanidade de se levar ao pé da letra certa regras ambientais, o seu hospedeiro predileto, as capivaras, perambulam livremente pelos parques urbanos, entre crianças e velhinhos, como verdadeiras rainhas de Sabá. Em tempo: no parque Lago do Café em Campinas, em anos recentes quatro pessoas perderam a vida, vitimas da febre maculosa, ao serem picadas por esses carrapatos, cujos hospedeiros eram exatamente as dezenas de capivaras gigantes lá existentes. Até que um ambientalista, com bom senso (o contrário do chiita), sugeriu de castrá-las e após quatro anos de quarentena, hoje é novamente frequentável. Assim, tanto as musicas quanto os carrapatos, não são mais como antigamente – acabou-se o romantismo!






