Uma homenagem ao Robson irmão da Soninha, a redatora deste Jornal, que nos últimos meses, além da extrema preocupação com os problemas da Covid que acometeu a Ângela e o Jonas, tem recebido também este duro golpe, com o falecimento de Carlinhos (Dezembro/2020) e agora (21/02/2021) de Robson - o popular e querido "Bibi do Fórum"... Que Deus na sua infinita misericórdia venha consolar a FAMÍLIA e traga-lhes o alento. Que os amigos e parentes, os leitores deste Jornal, possam meditar na finitude da Vida e tudo que ela traz e leva também. E que possamos nessa hora dar-lhes um ABRAÇO - (alguns, talvez não pessoalmente - por causa da distância ou da Pandemia), mas que estejamos todos nós num só pensamento de apoio à essa família guapeense. A você que está lendo isto, sua mensagem de apoio será muito bem vinda. Da nossa parte, façamos o que nos é possível para amenizar essa dor. Deus vos abençoe. . DE CÁ E DE LÁ – ÉRAMOS SETE =========================== . Não é necessário tanto esforço pra olhar para trás e perceber uma FAMÍLIA completa… Então você roda o ponteiro do tempo até os anos 80/90 e esta imagem começa a se formar nos quadros da nossa lembrança: 1) Uma alegre e ligeira Professora do Ensino Primário, administrando aulas para o meu pequeno irmão. Suas aulas são diferentes, tem bastante dinâmica, ela gosta de comunicação, artes plásticas e cênicas. E representa muito bem nosso teatro. Seu nome é Sônia, mas chamamos de Soninha. 2) Uma Princesa de tão bela que é, uma arte da vida, dando-nos aulas de Educação Artística no “Ginásio Escolar Dr. Lauro Correa do Amaral” (era assim que se chamava nossa Escola). Seu nome é Ângela, mas chamamos de Gaia. 3) Uma menina-moça caseira, cujo negócio era só querer se casar, com seu eterno alto e magrelo namorado: Seu nome é Rosélia. E não a conheci por apelidos, por isso sempre a chamei de Rosélia. 4) Um moço boa-pinta, cabelos compridos e esvoaçantes, óculos ray-bam marcando sua face, que sempre o via circulando pela Cidade de moto. Rapaz de bom caráter, estudante, conhecido da sociedade. Esperança da família, e que tempos depois viria ocupar um cargo importante na Cidade. Seu nome é Robson, mas conheci-o por Bibi. 5) Um outro rapaz que só via de tempos em tempos, chegava na Cidade com seu carro de placa engraçada (sim, porque mais curioso que o nome “Guapé”, é ver estampado na placa do carro o nome de “Canta-Galo”). Com veia artística, sei que encantava os ouvidos por aquelas bandas onde morava ao som do violão. E seu nome é Antônio Carlos, mas chamamos de Carlinhos (ou Cacá). 6) Uma adorável senhora, digo “Professora de nascença”, pois desde que me conheço por gente, vi-a trabalhar nesse ofício. Me deu aulas também no Ginásio, matéria ligada ao cultivo de hortaliças. Seu nome: Dona Sabina. 7) E, claro, havia o Escrivão da Cidade: Seu Itamar, gente boníssima, alegre e um bom tocador de sanfona! . Família de origem humilde, da banda de lá da represa, do tempo que não existia “banda de lá”, pois não havia represa. Família que se formou no Araúna e se “enraizou” no Guapé, acrescentando seus altos valores à sociedade guapeense. Mas por falar em “raízes”, o tempo segue como a vida das árvores: Ainda que por vezes pareça parado, ele está em constantes mudanças e imperceptível movimento! E sem que nos damos conta, eis que no pequeno arbusto que ontem regamos, amanhã estenderemos a rede pra descansar na sua sombra… E nos movimentos da Vida, as coisas são assim: pessoas chegam, pessoas vão. Movimentos lentos… Movimentos bruscos! Mas o fato é que aquele quadro nas minhas lembranças também entrou em movimento e sua imagem se modifica! E de lá pra cá, o casal “Seu Itamar” e “Dona Sabina” ganhou genros, ganhou noras… Com essa aquisição, seus ramos se ampliaram, nasceram os netos, surgiu a promessa de futuros acréscimos, futuros bisnetos… e a “árvore” cresceu! E o quadro continuou em evolução e revolução, numa constante modificação. E as famílias, como as árvores, também ganham e perdem ramagens… E hoje, infelizmente mais um galho desta frondosa árvore desce ao chão! Sabemos que através dele se formaram brotos, gerou sementes, deu frutos e acrescentou à árvore sua contribuição familiar. Mas chegou também o seu dia de ir embora… Porém, se observarmos qualquer árvore, nós veremos que ela iniciou a vida como um fino galho, de poucas folhas, que às vezes (quase sempre) até precisou de amparo externo pra se sustentar em pé e não se extinguir! Com o tempo ela se reforçou, suas raízes se firmaram e ela adquiriu matéria, cujos anéis de celulose se acrescentaram à sua volta, formando o caule… e pronta para sustentar seu peso, ela seguiu para cima, sempre em busca da Luz Solar. Mas se seccionássemos seu tronco, veríamos que nele há matéria ativa, por onde corre a seiva e mantém viva a atividade celular. Porém, junto dela, há também matéria inativa – células que um dia contribuíram para a construção e desenvolvimento da árvore – células por onde agora já não circula mais seiva, mas que se mantém ali, fazendo parte da árvore, como forma de sustento e de unidade, para que a árvore possa continuar em pé! É o caso das camadas secas da casca, que quando verdes cumpriram sua função de envolver e proteger o caule; mas agora secas, têm outro papel na composição da árvore. Ou o caso dos anéis de madeira seca, encontrados muitas vezes em torno do cerne! E suas partes e matérias, que ocasionalmente descem ao solo, se transformam; e tornam a voltar à árvore-mãe, absorvida pelas raízes... Assim é a nossa vida: As famílias – como as árvores – se auto sustentam nos brotos e renovos, mas não apenas aí! Também há unidade e construção em volta dos exemplos, dos pedidos, das lembranças e de toda consequência gerada por quem já se tornou ausente! . E hoje, há um sentimento de desalento na Cidade… Tristezas outra vez! Bibi deixa uma lacuna. E assim, aquele quadro da família do “Seu Itamar e Dona Sabina” se modifica outra vez! Nosso amigo Robson – o Bibi, tem seguido adiante, num caminho precedido por seus Pais e pelo irmão Carlinhos… Nesse ramo que desce ao chão, mais uma vez a árvore é ferida e desfolhada! Um enfarto! E de modo inesperado ele se foi! Partiu num repente, pela brisa que precede ao Sol, no orvalho da manhã… Se foi como um estalo, um galho rompido! E já não está mais ali! Embora o Bibi esteja agora ausente, ao longo do Tempo essa FAMÍLIA adquiriu brotos e renovos… e apesar da dor, ela PRECISA seguir adiante e para o alto, sempre em busca da Luz Solar… É difícil para a família assimilar tantas coisas assim, excepcionalmente agora, quando ainda nem se refez da ausência de Carlinhos, que partiu no último Dezembro! Mas pedimos encarecidamente aos amigos e parentes suas orações, seu apoio e seus pensamentos positivos, para sustentar essa árvore que, apesar das tempestades da Vida, continua em pé! . Aos parentes e amigos, deixo aqui meu abraço nessa hora difícil. À FAMÍLIA de Seu Itamar e Dona Sabina (que cresceu e está bem maior do que aquela imagem que eu tinha dos anos 80/90), deixo um abraço especial e um desejo sincero que não esmoreçam, mas que tenham a consciência que as lembranças dos entes queridos permanecem na construção e na unidade de vocês, pois apesar das ausências, não está tudo acabado! Porque a vida é assim: Vivemos entre cá e lá, uma hora estamos presentes, outra hora estaremos ausentes, mas jamais vamos embora pra sempre. E assim, tudo aquilo que começou com um pequeno ramo lá no passado deve seguir adiante, e não pode parar. É a lei da Vida. E TUDO QUE EU DESEJO AGORA A VOCÊS, É MUITA FORÇA NESTE VENDAVAL. . Marcelo Lagoa de Almeida
21 de fevereiro de 2021
Uma homenagem ao Robson irmão da Soninha, a redatora deste Jornal, que...
Que Deus na sua infinita misericórdia venha consolar a FAMÍLIA e traga-lhes o alento. Que os amigos e parentes, os leitores deste Jornal, possam meditar na finitude da Vida e tudo que ela traz e leva

— Soninha



