8 de janeiro de 2018

O VASTO CAMINHAR

E os armários vão se esvaziando. É um abre e fecha de gaveta incessante. Aos poucos a mente vai se lembrando de mais uma coisinha que falhou na lista. Quanto maior o peso da mala maior também a satisf

O VASTO CAMINHAR

O VASTO CAMINHAR

E os armários vão se esvaziando. É um abre e fecha de gaveta incessante. Aos poucos a mente vai se lembrando de mais uma coisinha que falhou na lista. Quanto maior o peso da mala maior também a satisfação do partir. Uma, duas horas de viagem e de repente a alegria é indescritível ao avistar a placa “Divisa de Estados”. A partir de agora tudo se torna mais belo, o verde é intenso, o gado é livre no pasto, o aroma do mato é ludibriante, o desenho da paisagem é estonteante. A parada, ainda que se queira chegar rápido, é imprescindível. O café é da fazenda, o pão de queijo é de polvilho azedo, o pastel é de fubá, o queijo é fresco, o lanche de linguiça é caseira e até o amendoim do pé de moleque tem a sua singularidade. Que delícia de sotaque, uma canção para os ouvidos, especialmente os cansados dos zumbidos dos carros. A força de trabalho é alegre, trabalham brincando, o riso é contagiante, o trabalho aqui não pesa e só é perceptível a energia do bem. Lá no alto daquela montanha é possível avistar árvores perfeitamente enfileiradas, parecem desenhadas para nutrir o imaginário de sonhos. Quem fez aquilo? Alguém moraria lá? Como seria morar lá tão no alto, pra uns tão longe e pra outros tão perto da riqueza da vida. E o anoitecer, não aflige, ainda que o caminho não findou. As estrelas enfeitam brilhantemente o céu. O céu que é azul, um azul que não rouba a cena, que permissivamente se vê as constelações lá no céu, aquelas que tanto se estuda dentro de uma sala de aula, fechada. A última derradeira descida, ainda que no final dela há o temível córrego do caixão, é a certeza que se chegou naquele pequeno paraíso. Não importa que os de cá sequer saibam de sua existência. Sempre se volta, pois aqui a alma é leve, o sorriso é sincero, o coração vibra, a mente se aquieta. A sua significância é humilde. Mas a sua grandeza marca o viver. E talvez se volta sempre pois é nessa magia Guapeense que se almeja levar a vida

(Vanessa,gostei de saber que era você a escritora e feliz também por ser filha da querida Cleida do Zé Lau.Abraço.Soninha)

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