O RÁDIO DO JOÃO BARBOSA
E A FAMÍLIA entrou na onda. Na onda do Rádio. E faz tempo demais da conta. Proseando com a Vitorinha Barbosa pelo celular, e ela na onda, mas do calor abafado lá da cidade, diretamente de Ribeirão Preto, a cidade forno, o calor que desidrata eles de tanta suadeira, deu o ar de sua graça.
O HILDEU seu filho, aquele que catou a Lurdinha do Geraldo Mané e levou pra ele, digitou meu número, e ela destramelou a contar causos e eu entrometendo, que quase entupiu de palavras meu celularzinho antigo. Gostei muito. É simpática, alegre, agradável.
VOU postar um tiquinho da prosa...
_Vitorinha, Vitorinha, conta prêu sua lembrança mais antiga do Rádio no Guapé... _Tinha um Rádio ligado e minha mãe Olímpia falou um trem que nunca esqueci. _Que foi que D. Olímpia falou? _Ó, escuta, a guerra acabou. _Mas ninguém tá falando... _Tá tocando o Hino Nacional, tô arrepiadinha. _Que mais recorda, Vitorinha? _Foi uma bateção do sino da igreja que não parava. Tinha muita gente andando na rua. _Então a senhora foi testemunha desse momento histórico?! _Fui. O povo ficou alegre, era o fim da Segunda Guerra Mundial.
CONTINUEI...
_Seu pai comprou Rádio? _Comprou, bem, só que demorou demais, viche! Muito tempo depois. _Muitos irmãos? _ Chico Barbosa, Dute Barbosa, Manoelino Barbosa, José Barbosa, Quinzinho Barbosa, Pida, Eny, Vitória, Conceição, Maria José {fiinha} e Terezinha Barbosa. _Muita alegria com o Rádio? _Deus do céu, foi um intimança na família, e rodeava todo mundo nele. _Como era o Rádio do seu pai e de quem comprou? _Quem vendeu não lembro, mas o Rádio era preto, até vejo. _O que foi mais marcante? _A novela ‘’O Direito De Nascer’’, não dá pra esquecer. Só quem escutou sabe o que a gente sentia. _Vitorinha, do que mais tem lembrança? _Uns tempos depois, o Rádio começou a fazer gracinha, e a voz sumia, aí nóis ia lá e dava um tapinha e ele garrava e falava de novo, aí teve vez que a gente tinha era de dar murro mesmo. Nem tinha consertador de rádio direito.
CONTA MAIS...
_Aí eu casei, fui morar na roça, sabe meu marido? Foi criado com o Sr.Cassiano, fazendeiro que era avô do Newton Prado, numa fazenda pro lado dos Penas, perto do Rio Sapucaí. Ele tomava conta da luz lá. _Ligava e desligava? _Como que ocê sabe? _Sei de nada, não, mas imaginei, ou ele tomava conta da luz da lamparina? _Que luz de lamparina, larga mão, era luz elétrica, aí, depois que escutavam Rádio até meia noite é que ele ia lá longe desligar, lá no lugar da usina. Assim ele me contou. _Depois de casada com josé Joaquim, a senhora teve Rádio? _No começo, não, até meu pai deixou o Rádio comigo uns tempos, até que juntemo os cobre e compremo.
LEDORES...
Aproveito para registrar que mais tarde, a fazenda do Sr.Cassiano, onde Zé Juca, marido de Vitória morou até se casar, foi inundada rapidamente pela localização e existe esse depoimento do Dr.Sebastião Ferreira que inclusive fala do Rádio e Gerador:
‘’ Ajudei a desmanchar e retirar algumas coisas do casarão: Camas, bancos de couro e de madeira, panelas, balaios, teto de taquara, fiação elétrica, o rádio antigo e os retratos das paredes, algumas portas e janelas. Não houve tempo de retirar quase nada. Nós não lembramos de retirar as moendas do engenho lá do porão. Deve estar conservado lá. O gerador também ficou debaixo dágua.’’
E ASSIM foi escrito mais um registro sobre a emoção de ter um Rádio. AGRADEÇO D.VITÓRIA PELO DEPOIMENTO E... Foi um prazer falar com sua pessoa.
(Postei abaixo no comentário,2 minutos de vídeo da novela ''O Direito De Nascer''.)









