HÁ 70 ANOS, APENAS...
Foi no ano de 1950, aqui dôta banda, bem pertinho da cidade, era só atravessar o Rio Grande, de riba da Ponte Melo Viana, e assim, em 15 minutos chegava no Araúna onde os noivos foram criados.
Meus pais, Itamar e Sabina, lindo casal, e carregando as alianças, a professora Ana Maria Jorge. O noivo como era namorador não teve coragem de enfrentar Salvador, o irmão mais velho, e minha vó Mariana, a mãe, futura sogra, medo de ganhar um não, então, quem fez o serviço foi a mãe dele, minha vó Guiomar, o que mamãe contava era que ela sacudia de tanto rir e disse,''Vim fazer um serviço que nunca fiz, vim pedir a mão da Sabina pro meu filho Itamar'', daí o pedido em desvio foi muito aceito e marcaram a data.
A pobreza da noiva era tanta que a grinalda e o buquê ela mesma fez em flores de papel. Era muito talentosa. Soube de uma passagem do dia através de um convidado, o Sr. João Marciano, guapeense que foi morar em Pratápolis depois das Águas de Furnas e foi um dos retirantes que recebeu lá o apelido de Pardal Da Bunda Moiada.
João Marciano me disse: _Ê, ocê não sabe cô fui no casamento de seu pai? _Ah! Então me conta. _Sabe que aconteceu na ida do Guapé pro arraial na turma que foi de jardineira assistir o casório? Foi com um dos passageiros que tava indo pro Araúna. _Que passageiro? _Eu. Meu estamo deu de embruiá com o cheiro da gasolina. _E daí? _Daí que tive de chamar o Juca na jinelinha. _Que Juca? _Modo de falar quando o estamo embruia e tem de por pra fora. _Normal. _Normal? Cê que pensa, minhas duas dentadura foi junto. _Nuuuu! E aí? _Uai! Arrumei um berreiro, o chofer deu uma freada, desci num carreirão ca boca muchinha, procurei, procurei... _Achou? _Querdita que achei elas rindo no meio da poeira, no chão? _Ainda bem. _Foi um achado dos mió, elas ria de lá e eu de cá,foi só risada, o risco cô corri de perder 32 dentes perfeitinho era grande. Só dois careados. Dentadura era artigo de luxo naquele tempo. _E aí? _Hora que desembarquemo lavei elas, ajeitei elas na boca e fui para a igreja, elas continuaram rindo a festa inteirinha. Foi só alegria.
Viche! Faz já tanto tempo que eu ouvi esse causo, João Marciano enviuvou, voltou a ser mocinho e teve uma época que frequentou muito Guapé,e apesar de bem mais velho foi acolhido pela juventude, muito educado, simpático, alegre, fazia a turma feliz.
Então, hoje a data me levou ao retrato, hoje é Dia de São João, e Viva os Noivos em lembranças bonitas!
CANTANDO... Olha pro céu, meu amor Vê como ele está lindo Olha pra aquele balão multicor Como no céu vai sumindo
Foi numa noite igual a esta Que tu me deste o coração O céu estava assim em festa Porque era noite de São João
Havia balões no ar Xote, baião no salão E no terreiro o teu olhar Que incendiou meu coração




