30 de agosto de 2020

E A FAMÍLIA LEITE LARA

SUMIU NA CURVA DA ESTRADA... E FOI levantando poeira o caminhão de mudança dirigido por Tietié Martins. As famílias de Guapé começavam em retirada nos primeiros anos da década de 60. Os irmãos Martins

E A FAMÍLIA LEITE LARA...

SUMIU NA CURVA DA ESTRADA...

E FOI levantando poeira o caminhão de mudança dirigido por Tietié Martins. As famílias de Guapé começavam em retirada nos primeiros anos da década de 60. Os irmãos Martins perderam a conta de quantas famílias levaram daqui, antes, durante e depois das águas.Todas a procura de um canto, de um futuro melhor. Para a família da mudança,tudo virou lembrança, Mundo Novo, Dourados, Pedra Branca.

FOI EMBORA A MUDANÇA DE ANTÔNIO LARA

Foi embora a família que morava ali pelas bandas da Jacutinga, a família que se formou depois do encontro do moço de Guapé com a moça de Capitólio. O namorado de certo ia e vinha montado em seu cavalo,já que nem jardineira existia ainda na cidade.Um moço bem vestido sobre um cavalo bonito, era de matar um coração.Era como dirigir hoje um carrão da moda.

QUANDO SE DEU O ENLACE?

Então, o casal juntou os panos no dia 30 de setembro de 1940, Antônio Rodrigues Lara e Hermínia da Costa Leite. A festa foi lá em Capitólio. O noivo era filho de Manuel Bernardes Lara e Maria Vitória de Jesus. A noiva, filha de Antônio José da Silva e Maria Romualda da Costa.

E A MOLECADA COMEÇOU A NASCER

E foi um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, Deeeeez. MariaAparecida, AntônioCarlos, José, Helena, Lúcia, Rubens, Rui, Jayme, Cecília, Célia. Começou assim, em 1948, uma bonita história de família, em uma casa alegre e com os costumes comuns iam levando a vida, os mais velhos ajudando a pajear os mais novos.

NASCERAM DE PARTEIRA?

Imagino que sim, em Guapé, a parteira que atendia era a Sá Dionísia,ficava a esperar e atendia a todos da cidade e redondezas,mas, lá pelas bandas da família do Sô Antônio tinha a parteira Maria Muda, Vó Sinhana-Ana Bernardes de Jesus, também puxaram muita criancinha. O trabalho de parteira não era fácil, nascia muito baby antigamente, e elas, as parteiras, dançavam um dobrado nas mudanças de lua.

AS MÃES ANTIGAS

Viche! Sem tecnologia, sem as vantagens de hoje, é certo, muito custoso. Arroz socado no pilão, roupa lavada na bica ou no corguinho, roupa passada a ferro de brasa, quitanda no forno barreado, carnes fritas em tachos, fogão de lenha aceso e enormes panelas de comida para os filhotes e também visitas de parentes, vizinhos e homens negociando.As casas recebiam muito bem.

E A MENINADA NA ESCOLA?

Então, os mais velhos começavam na escola da antiga Jacutinga e daí terminavam na cidade, na Escola D.Agostinha Flor de Maria. Ginásio não havia, o colégio mais próximo era em Carmo do Rio Claro e então,foi pra lá o Antônio Carlos e o José, em 1958. Guapé vivia um dilema,nas prosas da roça e cidade,o assunto era só inundação, uns acreditando, outros não, enfim, para os guapeenses, o futuro esperado era muito incerto, nublado, e juntava-se a isso,a vontade dos pais em estudar os outros filhos,daí, a única saída, a mudança.

FOI QUANDO O CAMINHÃO MARTINS ENTROU NA HISTÓRIA

Pioneiros no transporte de Guapé, o Tietié encostou o caminhão na Fazenda Angola, os vizinhos e filhos ajudaram a carregar os trem,o motorista atolou o pé, acelerou, e assim foi embora a primeira família de Guapé para Ribeirão Preto, pouco antes da chegada das águas, em 1962.

A MENINADA FOI NA MUDANÇA?

Acho que foi, era o comum, os pais na boléia com o mais novo e os outros na carroceria,isso na época era permitido, as crianças viajavam felizes não entendiam de despedida, nem de futuro. Como a família saiu sem pressa pode ter feito diferente. Quando chegaram as águas, muitas famílias só levaram as roupas e muitos caminhões saíram lotados de pessoas sem rumo certo,sem levar os ''trem''.

E COMO ESTÁ HOJE A FAMÍLIA DO SÔ ANTÔNIO?

Muito bem, assim me informou a Célia e o José, os filhos estudaram como era gosto dos pais, caíram bênçãos do céu, cada um distinguindo-se profissionalmente, os casamentos renderam muitos netos e bisnetos. A maioria hoje não mora em Ribeirão. D.Hermínia virou anjo com apenas 58 anos de idade, o Sô Antônio com 97 anos.

HORA DA CHAMADA...

Sô Antônio- Faltou. Foi pro céu. D.Hermínia- Faltou. Foi pro céu. Maria Aparecida- Presente! Antônio Carlos- Presente! José- Presente! Helena- Presente! Lúcia- Presente! Rubens- Presente! Rui- Faltou. Foi pro céu. Jayme- Presente! Cecília- Presente! Célia- Presente!

PALAVRAS DE JOSÉ:

''Parece que estamos longe de nossa terra natal, mas nosso amor por ela continua vivo e intenso. Por onde quer que passemos, no Brasil ou no mundo, é com orgulho no peito que anunciamos, ao nos identificarmos, que nossa cidade de origem é Guapé. (JSL)'' .

É José,vai a poeira da estrada,vai a poeira do tempo,e com ela, muitas lembranças de uma época que não volta mais e fica guardada em todos os cantos de nossa alma.Vai boizinhos de sabugo, bonequinhas de milho verde,um contorno de serra, um riacho,um pasto,uma casa, rostos da vida, uma lua cheia,um pedacinho de céu azul com sol ou com estrelas. É assim a vida.

DEIXO aqui, carinhosamente registrado no ‘’BÃO DE PROSA’’, um pouco da Família Leite Lara que também deixou escrito parte na História de Guapé.

Meu abraço a cada filho do Sô Antônio e a cada um das famílias que construíram.É sempre um prazer escrever sobre Nossa História,contar um pouquinho de quem foi embora,para mim é como alimentar raízes. Meu abraço ao Rubens,em especial, e meu obrigada ao Zé e Célia pela colaboração.

E SEGUE O BAILE...

PessoasMariaAgostinha FlorRosaRosa
LugaresGuapéCapitólioAparecidaFazendaRibeirão Preto
TemasFamília e CasamentoReligião e ProcissõesBailes e FestasComércio e TrabalhoCrianças e EscolaNatureza e LagoComida e Receitas
— Soninha
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