31 de janeiro de 2019

VIEIRINHA, O SENHOR LAVRADOR

Sr.José Cassemiro de Lima e D. Maria José de Jesus! Criaram os filhos com amor e belos exemplos de respeito e honestidade. Com 86 anos, guarda ainda nas mãos calejadas da enxada e na pele a cor do que

VIEIRINHA, O SENHOR LAVRADOR!

Sr.José Cassemiro de Lima e D. Maria José de Jesus! Criaram os filhos com amor e belos exemplos de respeito e honestidade. Com 86 anos, guarda ainda nas mãos calejadas da enxada e na pele a cor do que lhe trouxe o sol, as marcas da história que escreveu com sua Maria, tudo misturado com poesia, cansaço, esperança.

O Sô Vieirinha com as pernas já cansadas, hoje em sua cadeira de rodas, olha nossa paisagem e viaja no passado, sempre muito amado e bem cuidado.Registro essa família com carinho e dedico-lhes essa poesia que encontrei.

''Para falar do lavrador, melhor falar do sertão. Falar do feixe de lenha, da enxada , do gavião... do caburé da porteira, da terra solta no chão. Falar do carro de boi, de colheita e plantação... pela estrada da fazenda, chapadas e boqueirão. Falar de quem dá bom dia! Bem cedo ao passar atento... de quem com toda certeza conhece bem esse tempo, casado com a natureza, mãe do sol, mãe do vento... e da chuva que cai na roça, trazendo o nosso alimento. Quem vive numa palhoça com toda satisfação... com sua vida que segue, tendo Deus no coração. É o lavrador abençoado... Jesus proteja as suas mãos. (Jodonato)

Vieirinha trabalhou duro na terra e criou seus sete filhos, via o sol nascer, pegava sua enxada e cavucava, cortava, fofava a terra e era dela que saía sua esperança diária que era alimentar seus pequenos Gaspar,Matozalem,Ildeu,Mateus,Divina, Zezé,Divino e eles,mesmo crianças ajudavam o pai na lida.Inteligentes,amados em Guapé.Divininho é locutor,tem uma bela voz e eu soube que também é poeta.

O filho Gaspar Vieira de Lima, bateu asas muito jovem e deixou poesias incríveis, guardadas pelos irmãos como relíquias e se ele tivesse tido mais tempo no mundo, certamente seria reconhecido nacionalmente pelo grandioso talento e sensibilidade com as letras.Ele possui poesias que pinga dor.

GASPAR foi um poeta que trabalhou trabalhou na prefeitura, estudava e tocava o coração de seus professores e amigos com bonitos versos.A pobreza vivida e sentida nos arredores era descrita.Seus sonhos desenhava com letras,mas de um jeito que parecia sem esperança, escrevia desde criança e muito do que deixou, dizia ter a luz de lamparina iluminando a folha. Ele viveu sua juventude até 1995, foi embora jovem, muito jovem,um infarto fulminante calou sua voz.

A UM PAI DESEMPREGADO

AS MINHAS MÃOS

Não têm tendência à violência Elas querem trabalhar Para enriquecer os ricos Simplesmente em troca Do meu pão de cada dia

Mas agora Fui despedido Sem trabalho Não há pão!... E as olheiras nos olhos dos meus Filhos

SÃO IMENSAS OCEÂNICAS ! MAIORES QUE...DEUS!!!

Bato de porta em porta _Não quero esmolas Quero trabalho! E um não bem redondo Me açoita, me estrangula a alma!!!

Desesperado Porque minha fome dói, Mas a fome dos meus filhos Inocentes, Me faz doer tal qual Cristo Doeu-se na cruz...

E... me esqueço a condição De ser humano. Ergo as mãos Estas mãos Sedentas de trabalho para Expulsar a fome Da minha casa, Ergo-as para saquear os mercados Da cidade.

Agora senhores de mesa farta A vergonha e o remorso me matam Atrás destas grades frias

O BEIJA-FLOR

Quantas bocas de flores beijaste, meu passarinho? E quantas frases de amor proferiste-lhes baixinho?

Sei que não vais me contar. Não me zango.Não tem problema, mas garanto que se me contasses, ficaria muito mais lindo o ''nosso poema.''

NO MEU CAJUEIRO

No meu cajueiro Eu brincava com os amigos, Viajávamos juntos, Confiantes e alegres, Sem perigo!... Conhecíamos terras estranhas Cruzávamos rios e montanhas. Sem nem sair do lugar...

Meu cajueiro era o avião Que ia superlotado. Tinha o piloto,a aeromoça E os passageiros,ao lado. Olhávamos o céu,as flores, Os passarinhos,as crianças... Meu cajueiro levava amores, Das crianças,dos insetos... Sem nem sair do lugar...

Como a minha infância passou Também passou a vida do cajueiro. Não se sabe como foi,ele secou; As flores divinas que cheiravam Caíram e misturavam-se com a terra Para nunca mais cheirar; Os galhos,onde agarrávamos para brincar, Secaram pra nunca mais!... E morreu sem nem sair do lugar.

(Gaspar era um menino quando escreveu ''Meu Cajueiro'' e em Guapé viveu todas as suas emoções, SEM NEM SAIR DO LUGAR. (3/9/1975)

Um salve, um abraço para a família do Vieirinha!

PessoasMaria
LugaresGuapéFazenda
TemasFamília e CasamentoComércio e TrabalhoCrianças e EscolaNatureza e Lago
— Soninha
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