Texto de:Marcelo Lagoa
LÁ NO CÉU...
Foi numa sexta feira à tarde que ele chegou. Sem poder voar, caiu de um lugar tão alto que eu não pude alcançar. Pedi que não lhe dessem um nome, para ninguém se afeiçoar. Inútil, porém, pois sua presença mudou toda nossa rotina! O Félix, gato esfomeado de um vizinho, sempre quis jantar o pobrezinho! E eu, acostumado a me levantar às 6:30h toda manhã, me vi acordando uma hora mais cedo todos os dias, só pra levá-lo ao quintal, onde sua mãe vinha tratar com muito carinho. Deixei meu livro de lado, só pra me sentar com ele à sombra das árvores na hora do almoço, em vigia por causa do Félix. À tarde ao chegar do serviço, corria contra o tempo, para que ele se recreasse no quintal enquanto era dia, vigiando sempre por causa do onipresente e maldito gato! Mas apesar do esforço de seus pais, ele não aprendeu a voar... Fiz-lhe uma casa na árvore – nenhuma obra de engenharia civil, admito – mas ele adorava e se sentia feliz, e quando o colocava lá, cantava bem alto chamando seus pais, para ali com ele morar. Perguntaram-me que sentimento foi este, de deixar a conclusão de um livro para me dedicar a um filhote de pardal! O sentimento qual é, eu não sei. Mas para ele, só lhe faltou um nome, pra fazer parte da família. E nele eu só via um par de olhinhos, a princípio, assustados, mas no fim, confiantes, na proteção humana que todos os dias recebia! Eu não via um pardal! Prestes a terminar o segundo livro, ainda lembro do primeiro (Manuara), de uma frase que escrevi, duvidando se os passarinhos realmente morrem em paz... Então numa quarta feira à tardezinha, notei que o pardal andava jururu, e não estava muito legal... E até agora me pego a pensar se faltou algo de bom que eu pudesse fazer. Algo de bom, não de mal! Prefiro acreditar que ele só veio pra me trazer a resposta, do livro: E me dizer que “Sim! Que os passarinhos também morrem de mansinho”... E foi na quinta feira cedo, exatamente às 17:55hs aquecido ainda no calor das minhas mãos, que seu pequenino coração parou de bater. E literalmente o pardalzinho voou em paz, para o céu dos passarinhos... Tenho saudades. A imagem pode conter: planta e atividades ao ar livre






