7 de agosto de 2013

MATUTANDO

APENAS O NECESSÁRIO: A SIMPLICIDADE! Elisa Teixeira Carvalho Guimarães Tarde de sábado, dia sem graça, sem novidades, presente apenas o necessário: a alegria da vida! Família reunida, crianças jogan

MATUTANDO

"MATUTANDO" APENAS O NECESSÁRIO: A SIMPLICIDADE! Elisa Teixeira Carvalho Guimarães Tarde de sábado, dia sem graça, sem novidades, presente apenas o necessário: a alegria da vida! Família reunida, crianças jogando futebol dentro de casa, sujando as paredes, camas atrapalhadas, maridão preparando um prato gostoso pro jantar, aconchego – coisas que aquecem o corpo e alma... Nessa mesma tarde vi, pela TV, a Sandy cantando: “E eu já tenho quase 30, acabou a brincadeira e aumentou em mim a pressa de ser tudo o que eu queria e ter mais tempo pra me exercer. Tenho sonhos adolescentes, sou jovem pra ser velha e velha pra ser jovem” e essa mesma cantora mirim, que fez tanto sucesso na minha época adolescente, traduziu a minha sensação nesse momento. Sensação esta de ver o tempo passando e de analisar o que é realmente necessário pra viver bem, pra ter paz de espírito. Lembro de quando a gente era criança, minha mãe nos dava banho e não podíamos mais nos sujar, os chinelos – Havaianas, sim – eram extremamente limpos, lavados com sapólio, ou então, as solas, amarelas, pretas ou azuis, eram viradas pra cima para dar menos trabalho. Daniela, a Daniela do Tonho Colola, muito tempo depois me confessou que tinha inveja dos nossos chinelos limpos e, que, um dia, resolveu lavar os seus com Bombril para que ficassem iguais aos nossos. Conseguiu apenas arrancar toda a tinta branca. Nessa mesma época íamos pra a escola de ‘Quixute’ amarrado nas pernas, este durava mais que o ‘Bamba’ , moda na “Bambi, calçados”. Bolacha recheada era artigo de luxo – só Aymoré, e de vez em quando. O pacote era sempre repartido ao meio para meu irmão e eu. Misto quente então, só a Berê que trabalhava na casa da Aline da Valda sabia fazer tão bem, e levava quentinho como lanche na Escola D. Agostinha. Salivávamos de vontade, e pedíamos o papel alumínio pra colocá-lo nos dentes e fingir que era aparelho. Na verdade queríamos era sentir, o gostinho do misto quente. A Maísa do Batista levava ‘mentira’, feita na hora, de merenda. Era outro delírio! A casa da Juliana da Lara era a melhor de brincar – naquela época a gente brincava de Hotel, pulava o muro, divisa com o Mário Tibúrcio, pra roubar picolé de groselha... e, na casa da Tayla da Waldete, a gente fazia chupe- chupe pra vender. Quanta coisa boba que nos dá saudades hoje. E que saudades boa!!! Por onde estão vocês, meninas? A vida de hoje é bem diferente. Muita modernidade, tanta coisa melhorou, nossos filhos tem tudo: coleção de havaianas, tênis da moda, bolacha recheada e misto quente à vontade. E muito picolé. De groselha? Acho que eles nem conhecem! Vivemos de forma melhor, sem dúvida, mas estamos sempre na ânsia de querer mais e mais. Esquecemos e desaprendemos estas singularidades e o quanto elas acrescentaram em nós. Observamos, cotidianamente, que nossas crianças ficam adultas rápido demais. Não jogam bola na rua, não repartem o lanche na escola, querem sempre mais, não se deliciam com coisas pequenas. Para por fim na nossa loucura e evitar a nostalgia devemos pensar apenas que cada tempo tem seus prazeres. Sei, com uma certeza absoluta, que foi em Guapé que uma infância muito boa floresceu, que amizades se firmaram, outras diluíram, que pequenos prazeres nos preencheram, e que fomos realmente crianças. Hoje, “a pressa de ser tudo o que eu queria”, como cantou a Sandy, consiste apenas nisso, em viver um dia de cada vez, sem pressa, valorizando o aconchego da família reunida e dando importância ao que aquece o corpo e a alma.

PessoasTibúrcio
LugaresGuapé
TemasFamília e CasamentoCrianças e Escola
— Soninha
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