18 de maio de 2015

MAIS UM TEXTO BONITO DE

Wenceslau Avila MINHA EXPERIÊNCIA COM AS COISAS DO CÉU! O ano é 1962 – antes, bem antes, tendo vivido exclusivamente sob o clarão das lamparinas de querosene, um céu estrelado era sempre uma atração,

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MAIS UM TEXTO BONITO DE

Wenceslau Avila

MINHA EXPERIÊNCIA COM AS COISAS DO CÉU!

O ano é 1962 – antes, bem antes, tendo vivido exclusivamente sob o clarão das lamparinas de querosene, um céu estrelado era sempre uma atração, de visibilidade intensa. Olhava aquele céu imenso, profundo e sempre inatingível. Naquele ano, pela primeira vez, soube que objetos e até mesmo seres humanos (Gagarin) poderiam ocupar aqueles espaços, longínquos, leves como o ar, que os rodeiam. Pela primeira vez vi, com meus olhos, um objeto, que não era uma estrela cadente, que se movimentava nos céus. Era um satélite. Do alto de meus 11 anos, dos quais 10 sob a luz da lamparina, não conseguia entender como aquilo poderia ser verdade. Tudo foi acontecendo muito rápido. Apenas 7 anos depois, já vivendo no 1º. Mundo, foi em um 20 de julho, que do quarto da Clinique Saint-Luc, após uma cirurgia dos dedos, acompanhava, pelo televisor do quarto de convalescente, a orbita do primeiro ser humano em torno da lua. Isto foi em Cholet, no interior da França. Recentemente, em 2013, retornei ao local da clínica, que ainda existe e me hospedei ao lado, em um Ibis, com vista para o pátio que virou estacionamento. Bastou apagar as luzes para ver na parede a TV em preto e branco exibindo as imagens de um objeto que supostamente dava voltas à lua. Não demorou para resgatar a imagem da enfermeira, gentil e carinhosa que me reconfortava nos momentos de dores, às vezes intensas, debaixo de um monte de gazes apertadas. Nunca perdi a admiração, sobretudo o encantamento pelo céu estrelado da minha infância. Já aconteceu de esquecê-lo um pouco – mas quando nos reencontramos é como se fôssemos velhos amigos. Uma das últimas vezes foi na Pedra do Baú, em São Bento do Sapucaí. Confesso que havia quase me esquecido quão luminosa podia ser uma Via Láctea. Desde então e por uma questão de conveniência, consigo criar na minha mente , de olhos fechados um firmamento ornado de estrelas e com a profundidade do real – esta profundidade que me comove – chego a pensar que todos aqueles astros estão ali perfilados apenas para me encantar! Desde então estrelas e sobretudo a lua são por mim reverenciadas – já passei noites de lua cheia, em superfície de lagos, ou sob barracas apenas para ter o privilégio de poder contemplar os seus reflexos por detrás de nuvens ou com seus raios perfurando os céus, em todas as direções..

LugaresLago
TemasNatureza e Lago
— Soninha
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