26 de abril de 2017

DOIS dos IRMÃOS MARTINS

MEU DEUS DO CÉU! O Lazinho Martins tem uma mente carregada de causos, dificilmente em Guapé alguém viveu tantas histórias como ele e o irmão Tietié. É um proseando e o outro confirmando ou emendando

DOIS dos IRMÃOS MARTINS!

MEU DEUS DO CÉU! O Lazinho Martins tem uma mente carregada de causos, dificilmente em Guapé alguém viveu tantas histórias como ele e o irmão Tietié. É um proseando e o outro confirmando ou emendando os causos com mais detalhes.

TAMBÉM não podia ser diferente, afinal são pioneiros no transporte em Guapé. O que viajaram, carregaram de mudanças, viram cenas e ouviram pessoas em momentos alegres e tristes, nem dá pra imaginar.Atravessaram oito décadas de histórias transitando em caminhões, ônibus.

OS DOIS irmãos estavam lá na casa do Tietié rindo do que viveram em criança, indo e vindo do Varjão, aqui pras bandas do Barreirinho,Jacutinga.O Lazinho disse terem sido muito pobres, a mãe muito católica e que, claro,queria fazer bonito com os ''Fiotes''e tentar encaminhá-los na fé.

NOSSA SENHORA! Que vergonha eles passavam! Choravam, apanhavam, mas eram obrigados a vestirem camisolinhas, colocarem asas e seguirem as procissões ou missas solenes, enfim, se havia um evento religioso, lá estavam os irmãozinhos, dois anjinhos de olhos verdes, com cabelo grande e cacheado.

PEDACINHO da prosa do Lazinho e Tietié,(o Zé) exatamente como ouvi:

_Eu mais o Zé só vinha na cidade pra passar vergonha.Tem base, nóis dois de camisolinha comprida, branca, e carregando asa?

_Pra mim e o Lazo não tinha coisa pió do que escutar falar em igreja.Nossa vontade era nunca sair da roça.

_A molecada apontava, ria, era muita humilhação pra mim mais o Zé.Minha mãe ia puxando nós dois pongó pela rua afora.Eu não podia nem ver as tal de camisolinha guardada.

_Na hora de sair para as festas de igreja,nossa vontade era enfiá num buraco.

_Minha mãe ainda enrolava meus cachinhos com o dedo.Meu cabelo batia pra baixo do ombro.Eu,o Lazinho Martins de cachinho...Pode?

_E descaRço.Pió ainda, né,Lazo?

_Pois é, nem sapato a gente tinha, camisola e pé no chão.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . OUVIR Lazinho com seu jeitão contando e rindo é muito divertido.Os dois irmãos são muito companheiros e como o Tietié não pode sair, quem vai é ele. Eu e a Leila fomos tomar um café com eles, a Rosana e Sayonara.Valeu!

AH! O LAZINHO contou também das surras que levava e de uma passagem que nunca esqueceu.O pai, Chico martins, uma noite estava muito brabão brigando com a mãe dele, o Lazo disse que chegou na hora H:

_Cheguei pra separar, mas trupiquei na cadeira que tava a lamparina e escureceu tudo.No escuro meu pai me levantou pelos cabelos em cacho pensando ser minha mãe.Pelo menos pra isso meu cabelo em cacho serviu.Arrumei um berreiro, ele largou, ficou calado,nóis acendeu a lamparina e ele arrependido pediu perdão pra mim e minha mãe.

É,causos é que não faltam,até os tristes na boca do Lazinho vira comédia.

ABRAÇO PARA O LAZINHO MARTINS E O TIETIÉ, ESSAS FIGURAÇAS . soninha/abril

PessoasSoninhaRosaLeilaRosaChico
LugaresGuapé
TemasFamília e CasamentoReligião e ProcissõesBailes e FestasComércio e TrabalhoCausos e Histórias
— Soninha
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