De ASSIS GILSEA
UMA RETIRADA EM FEITIO DE ORAÇÃO
Vou lhes contar uma história... Em 1963 a população de Guapé, bem cá no finalzinho do sul das Minas Gerais, em pânico e desassossegadas pelas águas do dilúvio chamado "Furnas", senhoras, sempre com as mãos postas e rostos voltados para o céu assim rezavam: "Padre Nosso que estais nos céus (Livre nós todos da água aqui na Terra, Senhor) Santificado seja o Vosso Nome, Venha a nós o vosso reino: (Ah, meu Deus afasta essa água de nós) Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. (Mas a gente não acredita meu Deus, que tudo isso seja da vossa vontade). O pão Nosso de cada dia nos dai hoje. Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. (Meu Deus, eu não sei perdoar as dívidas de Furnas, minha terra valia muito mais do que ela me pagou) E não nos deixei cair em tentação, Mas livrai-nos do mal (O pior mal é ficar sem um teto para morar). Amém. " De nada adiantou, as águas vieram com tamanha força, não dando o tempo para aproveitar nem as telhas das casas dos desacreditados. Em 2014, há 50 anos do "Dilúvio de Furnas”, outro público, novas dúvidas, outro drama vivido com tamanha intensidade, agora, por medo de que esta mesma água se esvai para sempre. É o tempo, ou é o medo, só sei que mais uma vez as Águas de Furnas nos deixa neuróticos. Voltemos então, nossos rostos para o céu e rezemos um outro "Padre Nosso... — em Lago De Furnas









