AS HISTÓRIAS QUE A HISTÓRIA NÃO CONTOU UM PARTO NA ROÇA Era uma tarde quente de domingo. Ao chegar, Ele bate o olho e dá com uma imagem insólita, quase mórbida: ela estava lá, imóvel, com as partes vazando pelos fundos! Saiu apavorado pedir ajuda ao vizinho Valteir, que ao se deparar com tudo aquilo, muito assustado falou: -Isto aí é só pra quem sabe! Chama o doutor. Desesperado, Ele toca a buscar crédito pra ligar pro doutor. Achar como? Doutor só tem um e domingo é dia de churrasco no rancho, quem vai querer vir até aqui, à essa hora? Cinco horas depois chega o doutor e fala: -Tem que operar! Mas onde, aqui não tem nada? Arruma tudo, não podemos perder tempo, senão vão embora de uma vez, mãe e filho! Horário de verão, cinco da tarde, o sol arde como fogo no fogão. -Vai aqui mesmo, fala o doutor. Chama o seu vizinho, vai pegar água, muita água, que eu vou preparar o meu kit de cirurgia. Vamos rápido, tem que ser rápido! Ela, naquela posição, já meio sedada, os olhos parados. O doutor começa. Ele já aparenta mais tranquilo ao começar a depilar. Faz um quadrado na lateral. Ele fica observando a perícia do especialista. O doutor já fala mais devagar, grave, mas sem aquele ar de desespero. De vez em quando ele pede água, até que o bisturi vai abrindo, uma primeira camada, uma segunda. Só na terceira deslumbra-se um emaranhado de ramificações, nervuras e vasos sangüineos. -Ajuda a segurar aqui, exclama o doutor com firmeza e Ele, completamente absorto pela grandiosidade do espetáculo que se desenrola sob seus olhos, nem ouve bem o apelo do doutor. -Segura, vamos! O contato daquelas partes quentes, latejantes e aquele surpreendente golfar de líquidos que ecoa em volta. A mão direita do doutor desaparece no meio daquele emaranhado de coisas, quando o doutor quase grita: -Tá vivo! Tá vivo! Se dirigindo ao vizinho Valteir: -prepara uma corda, anda. Vamos prendê-lo pelos pés! Alí naquele galho. Entre placenta, gosmas e sangue vai surgindo aquele ser enorme, enlameado e inquieto, quase esperneando. Que coisa mais estranha, pensou Ele: Isto não é um ser, é uma coisa! -Vamos cuidar dele, depois a gente volta pra ela, diz com firmeza o doutor, com a adrenalina a mil. Aquilo vai sendo carregado, meio que engasgando, se debatendo até que após expulsar uma bola pela boca, parece que enfim encontrou o ar. O doutor sorri, vitorioso: -deixa ele aí pendurado! -Vamos botar isto tudo pra dentro, exclama ele. Rápido. Me ajuda. O suor descendo pela testa, agora sem tremura, Ele estende as mãos abertas e levanta aquele pacote disforme e, aos poucos vai fazendo com que tudo se acomode no espaço, de onde veio. Não sem antes se perguntar: -será que vai caber? É muita coisa pra botar lá dentro! -Vamos costurar. Temos que fazer três costuras. Abre meu kit aí. Rápido, já estamos duas horas com isto aberto. Grita o doutor. -Ficou até bonito, pensou ele. O doutor realmente sabe muito abrir e mais ainda como recolocar as coisas em seus devidos lugares. Neste instante, de relance ele observa lá no galho, aquele “ser” já bem calmo e mal acredita em tudo que está acontecendo. A caminha, de palha, parecia confortável e, de olhos fechados, a respiração da bezerrinha parecia tão tranquila! Foi-lhe dado o nome de “Victória Rica” – sua mãe, curiosamente se chama “Ferrenha”, forte como uma torre de ferro, como a Torre Eiffel, por exemplo! Local de nascimento: Fazenda Olho-d´Agua. Ah...o doutor, o melhor de toda a região, atende pelo nome de Oivalf. Meio estranho mas o que importa? By Wenceslau, uai!!!
13 de dezembro de 2013
AS HISTÓRIAS QUE A HISTÓRIA NÃO CONTOU
UM PARTO NA ROÇA Era uma tarde quente de domingo. Ao chegar, Ele bate o olho e dá com uma imagem insólita, quase mórbida: ela estava lá, imóvel, com as partes vazando pelos fundos! Saiu apavorado pedi

— Soninha



