19 de dezembro de 2017

Texto: Marcelo Lagoa

DESVENTURAS EM SÉRIE: TIO JOSÉ NO GUAPÉ! … E a saga continua! Aproveitando o clima de fim-de-ano, quando as estradas superlotam de veículos: uns viajando pela primeira vez, outros completando sua déci

Texto: Marcelo Lagoa

Texto: Marcelo Lagoa

DESVENTURAS EM SÉRIE: TIO JOSÉ NO GUAPÉ! … E a saga continua! Aproveitando o clima de fim-de-ano, quando as estradas superlotam de veículos: uns viajando pela primeira vez, outros completando sua décima ou vigésima viagem (às vezes até mais), contarei aqui mais um pouco sobre fatos acontecidos com parentes ou familiares que se aventuraram a nos visitar em Guapé: Bom, o medo da viagem pelo interior mineiro se fez presente desde antes da gente se mudar para o Guapé. E vou explicar agora o que “se assucedeu”: Era o ano de 1972 ou 1973 quando pela primeira vez meus pais resolveram visitar Guapé. Foi uma alegria sem tamanho, todos ainda jovens, a família reunida (apenas Vó Elvira que não gostava de viajar de jeito nenhum: Vomitava durante toda a viagem. Aliás, vomitava e chorava! Por cima e por baixo, e dava um trabalhão danado nessas viagens. Infelizmente naqueles tempos não existia DRAMIN ®) Tio João já estava morando em Guapé, então fizeram uma caravana para visitá-lo. Naqueles tempos a Rodovia Fernão Dias ainda não era duplicada e a estrada asfaltada parece-me que chegava até no máximo Boa Esperança. Foram de ônibus. Tudo foi muito bem na viagem de ida. E o problema foi na volta! Num trecho da estrada entre Pouso Alegre e Varginha o ônibus que os levava de volta vacilou, escorregou e desceu ribanceira abaixo, estacionando quase debaixo de uma ponte que havia por lá! Muitos se machucaram, tia Malvina (esposa do Tio Zé) foi a que se machucou mais. Parece-me que quebrou o nariz. Minha mãe quase caiu pela porta do ônibus naquela descida louca pelos barrancos e se meu pai não a puxasse outra vez para dentro do ônibus, teria perdido as pernas quando a porta do ônibus passou rente a uma árvore. Foi um Deus-nos-acuda, e realmente Deus acudiu! O ônibus pranchou-se lá em baixo à margem do rio. O motorista que já havia sofrido outro acidente poucos dias antes, não se conformava de jeito nenhum. E queria se matar pulando no rio! Tio Zé, sendo o mais velho dos irmãos naquele ônibus, coordenava o socorro: __Acode aí, Malvina! Não deixe o homem pular! __Não posso, Zé! Tô segurando o nariz! Fico a imaginar a cena de desespero desse motorista, coitado! O Motorista: __Olha que eu me atiro no rio! Os Almeida: __Não, o senhor não pode fazer isso! O Motorista: __Posso! Vou pular! É um, é dois, é três… Os Almeida: __Nããão! O senhor tá proibido de pular! O Motorista: __Mas eu quero pular! Um pulinho só! Os Almeida: __Você quer pular, mas não pode! O Motorista: __Agora vou! Adeus, vida cruel! Os Almeida: __Quer pular? Deixa que pule! O Motorista: __Agora não pulo mais! E depois o Chassi deste ônibus ficou exposto, de rodas para cima, durante muuuitos anos ao lado daquele rio, debaixo da ponte! Eu cheguei a vê-lo algumas vezes, quando passei por lá. Bom, então fica explicado: foi este o motivo pelo qual alguns de nossos parentes vieram poucas vezes depois, nos visitar, quando meus pais se mudaram para o Guapé. Era por medo de viajar!

Tempos depois, quando toda parentela veio em nossa casa nos visitar em 1975, não havia lugar para todo mundo. Fazia apenas uma semana que estávamos morando na Rua Três de Fevereiro, numa casa em frente a casa do Geraldo Vilela (me parece que a casa era do João Nico). Espalhamos colchão pela casa toda; mulheres e crianças foram dormir para um lado da casa. Os homens para o outro lado. E apagaram-se as luzes. Tio Zé que morou em Jaú quando era mocinho, lembrou-se da roça, dos currais, do leite de vaca in natura, fresquinho das tetas da vaca… Esqueceu-se que seu organismo se adaptou ao leite sem graça paulistano, que passa por um rigoroso processo de esterilização, tirando-lhe o sabor, deixando apenas a cor… Em Guapé, certamente Tio Zé bebeu canecadas de leite in natura, e a barriga reclamou disso, na madrugada… Então na sala de casa, espalhados entre os colchões, com a luz apagada: __Abel, ô Abel! __Fala Zé. Fala baixo que tá todo mundo dormindo. __Abel, eu não acho a porta do banheiro! (era alta madrugada, todo mundo já dormindo, inclusive meu pai). __Está ali, uai! __Ali onde, Abel? __Ali... Ou ali... Xiiii… Eu também não sei! __Abel, onde acende a luz? __Também não sei, Zé! Faz só uma semana que moramos nessa casa! Anda por aí, quando um troço bater na sua cabeça, é a “pêra”. Aí você acende a luz! Cuidado pra não pisar em ninguém! (A pêra é um interruptor de luz antigo, que ficava pendurada pelo fio, às vezes no canto da parede, outras vezes no meio da casa). Resumindo, não conseguiram acender a luz de jeito nenhum. Resumindo mais ainda, não sei se Tio Zé conseguiu fazer uso do banheiro também…

Tio Zé tinha pouca experiência com estradas. Em seu eterno Fuscão (desde que o conheci, sempre teve aquele fuscão) andava por Guarulhos, Gopoúva e arredores da Grande São Paulo. Mas na estrada, se aventurou poucas vezes. Disso resultou um acidente singular na volta pra casa, após a visita em Guapé: Um trator seguia seu caminho e já era noite; O tratorista mantinha as luzes acesas, inclusive aquele farol que há na traseira do trator… Tio Zé aprendeu em São Paulo que de frente os carros têm luz branca. Mas na traseira, eles têm lanternas vermelhas! Então quando viu à sua frente aquele farol forte na traseira do trator, logo imaginou que fosse um carro (e ainda com o segundo farol queimado) vindo em sua direção! O carro do Tio Zé se aproximava do trator, pois ele andava mais rápido que o trator. E quanto mais se aproximava, mais Tio Zé se apavorava. __Ele tá vindo! Tá vindo! Filha-da-mãe, tá vindo na minha mão! Tia Malvina tentava acalmá-lo, dessa vez já com o nariz devidamente colado no lugar, após o acidente do ônibus: __Calma Zé, ainda tá longe. Logo ele te vê e vai pra mão certa. Não apavora! __Tá chegando perto! Tá chegando perto! Com aquele farolão, será que ainda não tá me vendo? __Calma, Zé! Calma! Tá mais perto, é verdade, mas ainda dá tempo… Zé tá muito perto! Vira Zé, foge, sai da estrada agora! (Mas o trator continuou sua viagem, ele não vinha na direção do Tio Zé, ele apenas estava indo pelo mesmo caminho, só que mais devagar). Então Tio Zé virou pro acostamento, tentando fugir do trator… O problema é que não havia acostamento nenhum! E o carro do Tio Zé foi bater o focinho lá na Lagoa… O trator continuou imperturbável sua viagem... Também com aquele barulhão do motor possante e do escapamento soltando a fumaça pra cima, o tratorista não ia mesmo perceber o que acabava de acontecer. Mas tudo correu bem com Tio Zé e sua família. Vale ressaltar que nesta viagem o Tio Joel estava com eles no carro... E apesar do susto, entre mortos e feridos salvaram-se todos! E Tio Zé conseguiu chegar até São Paulo são-e-salvo com a famíla. E com seu Fuscão, é claro! Mas depois disso, voltou poucas vezes em Guapé!

PessoasMarcelo LagoaJoão
LugaresGuapéLagoBoa EsperançaVarginha
TemasFamília e CasamentoNatureza e Lago
— Soninha
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MUIÉ NO VOLANTE, ALEGRIA CONSTANTE

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