REVIVER É FUNDAMENTAL Elisa Teixeira Carvalho Guimarães Até hoje, por todos os lugares em que caminho tenho uma preferência singular: observar os costumes das pessoas e, a partir de então, encontrar nelas semelhanças com aquelas que tenho afeição. Vejo rosto de um em outro, tonalidades de voz, trejeitos, manias que me remetem sempre à turma de escola. Algumas lembranças me surgem agora: qualquer referência ao Super Homem ou fantasia dele vai me lembrar sempre o André do Reizinho - oh, meu amigo, quanto tempo a gente não se fala – e especificamente o dia em que ele se vestiu de super heroi e pulou do prédio do Edgar... Chitãozinho e Xororó, seus cabelos, roupas e músicas tem uma forte ligação com o Wellington e William da Cleusa, em toda festa da cidade eles imitavam os cantores e se vestiam como tal. Faziam um sucesso louco em meio a nós, meninas. A Lidiani era a menina da Joselma e do Padre Ditinho e estava em todas as apresentações da Igreja- coroava como ninguém, coisa que eu nunca consegui fazer, era um desastre! E a Rosanona, então? Parecia as meninas do Vôlei, tinha um tamanho invejável, impunha respeito por onde passava era ótimo ser sua amiga, estávamos sempre protegidas, mas era doce e só ria... Na sua casa aconteciam sempre as melhores festas, foi lá que conhecemos o gosto do beijo – quando tirávamos 2 ou 1 para ver qual casal começava a beijar e também, o gosto da cachaça, o Vicente bebia conosco ás escondidas. Juliana... cadê você? Está no mundo artístico? Hoje preciso revelar o nosso segredo que só nós e o Padre Ditinho sabemos. Seu Mário Tibúrcio, nos perdoe, onde quer que esteja... Como roubamos picolé de groselha do senhor! O acaso colaborava conosco: a Geralda deixava o freezer aberto, o muro da casa da Lara, de divisa com a casa do senhor, era baixo demais e fácil de pular... eu não conseguia fugir desta tentação... mas já confessei antes da Primeira Comunhão, não se preocupe, preciso apenas do perdão do senhor, que eu sei que não é difícil... afinal, era um homem das Artes e entenderia esta nossa arte... Juliana, agora já foi... conte você a sua versão: os picolés de groselha eram ou não bons demais? E o Leandro da Marilene do Hélcio? Era meu inimigo mortal no recreio da Escola Dona Agostinha, queria me namorar e eu ainda não tinha amadurecido para isso, queria mesmo era jogar Bete, Queimada e estas coisas de menina-macho que eu era... morava na rua de casa, se juntava ao Diogo do Ézio para matar, às tijoladas, os gatos da rua. E depois o Leandro ensinou a Marian e Mariane, seu irmãs, a pintar de esmalte vermelho, as unhas das galinhas de sua casa. Lembro que depois elas eram soltas na rua, seu Ari que recolhia ou avisava a Marilene. O caos instalado: como a Marilene gritava! E aos outros tantos: Fabinho Chita, Daniela, Letícia, Lassiana, Vanessa, Leives, Aline, Thayla, Danilo, Renata, Maísa, ficam aí lembranças de um período fantástico em que fomos crianças guapeenses cheias de criatividade para inventar um dia-a-dia diferente, encantador e que me enche de saudades... Vamos relembrando, pessoal! Abrindo as nossas gavetas de guardados, mostrando o que estava esquecido, sacudindo a poeira, matando as traças e fazendo reviver...
20 de setembro de 2013
REVIVER É FUNDAMENTAL
Elisa Teixeira Carvalho Guimarães Até hoje, por todos os lugares em que caminho tenho uma preferência singular: observar os costumes das pessoas e, a partir de então, encontrar nelas semelhanças com a

— Soninha



