RELÍQUIA - A SANFONA DO CHICO CEGO
CHICO - PERSONAGEM DE NOSSA HISTÓRIA
Acho o máximo quando consigo fazer brotar através de retratros e causos, personagens marcantes de nosso passado e resgatar um tiquinho de biografias para deixar como registro de épocas vividas, é meio mágico para quem não viveu, é meio mágico e nostálgico para quem pode conviver com essas personas ou curioso para quem simplesmente guarda a figura na memória.
Francisco Baldoíno dos Santos, era um homem alegre, sensível, popular.A família me disse que ele ficou cego quando caiu numa cerca de arame e furou os olhos.Muito triste o acontecido, mas, mesmo assim viveu feliz em Guapé, morava com sua Dulcinéia de Jesus, numa casa de adobe perto do campo.
Teve quatro filhos, Maria Divina que já está no céu, o Natanael, o Luiz que tem apelido de Gorila e a Azureia,irmã deles por parte de mãe, Chico quando casou com sua Dulce ela já tinha essa filha.Zuréia foi namorada por muitos anos do Clélio do Gastão.Mora em Pains.
Quando Chico não era levado pelas ruas pelos braços de sua doce Dulce, andava com sua bengala e reconhecia cada pedrinha do caminho.Sabia das pessoas,das casas, ia passando, falando o nome e cumprimentando, reconhecia todas as vozes.Davam-lhe notas e pratas para reconhecer o valor e ele dizia.
Era músico, sanfoneiro e flautista.Tocava em pagodes nas roças, ia montado em uma égua.Sua sanfona é essa que ainda existe com os filhos.Lembro de meu pai dizer que quando meu vô Alvim foi pro céu, a flauta que tocava ele deu de presente pro Chico que já era tocador.
Chico era brincalhão, contador de causos e estava sempre em uma Venda onde topava muita prosa boa.Não dispensava um prato de leite com farinha e também gostava de carne crua bem moída e temperada,mandava moer nos açougues.Soube que tocava muito com o Mário Rocha,enfim,onde encontrava músicos exibia seu talento.
Como era brincalhão,alegre, para as crianças cantava, ''Oh! Minha gatinha Parda,que em janeiro me fugiu,quem roubou minha gatinha, você sabe, você sabe, você viu...''
Elas quando passavam por ele, diziam: _Mia, gata! E ele... _Miau, minha gata. Por essa brincadeira tinha o costume de chamar crianças de ''Minha gatinha'' e também chamava ''Pacu.''
Como a fé faz parte de nossa gente,Chico foi levado em Tambaú, lá ia milhares de pessoas atrás dos milagres de Padre Donizeth,e existe uma conversa que lá ele enxergou,mas quando chegou aqui ficou cego de novo,mas isso foi uma conversa que ouvi.
Chico Cego, no fim da vida foi para a Vila Vicentina e de lá foi tocar flauta no céu.Sua casa já velha foi derrubada para nova construção e até hoje pertence a sua família.Chico tem lindas netas e uma bela família.
Eu estou aqui acabando de escrever meu texto e posso dizer com sinceridade que está sendo um prazer registrar um pouquinho dessa figura que foi tão querida por adultos e crianças e ainda posso ter orgulho em postar o retrato de sua sanfona que alegrou a vida de muita gente e muito mais ainda,a dele, além do retrato que acredito seja único e que foi tirado por Walquires Tibúrcio em um momento sensível,iluminado.
E Viva os filhos e netos do Chico! E viva nossas doces lembranças! E UM SALVE PARA O CHICO NO CÉU! Deve estar entre anjos cantando ''Oh!Minha gatinha Parda'' A Gatinha parda fugiu em janeiro, todos sabem, todos viram, e aqui, eu, sem saber em que mês e ano Chico fugiu...Você sabe?Você viu? Quem souber...Mia,gato! Escreva no comentário.
(Minha sugestão é que a família doe a sanfona para o Casarão da Cultura, assim fizemos com a sanfona de meu pai Itamar.)









