QUE ELEGÂNCIA DE RETRATO!
Por acaso encontrei essa figurinha em um de meus arquivos.O homenzinho de terno, gravatinha borboleta, sapato social, todo elegante é o ''Pagode'', José Campos Anchieta Teixeira, mais um da outra banda do Rio Grande.Mais um do Araúna.
Morava no Largo da Igreja bem ao lado de nossa casa, vizinho.Afilhado de meus pais,o filho do Cumpade Varisto Teixeira.As casas eram muito próximas e vivíamos sempre brincando.A Maria Rita vó dele era custosa demais.Lembro da figura dela andando pra lá, pra cá, praquí pralí, de saia meio rodada,blusa de manga, coquinho.
A gente lá na roça via o pessoal adulto falando que ia trabalhar, tirar tarefa, saindo com enxada, merenda, cabaça d'água e daí a gente quis também.Mamãe então,fez uma marcação na horta,três quadrados, um pra o vizinho afilhado,o tal de Zezinho, um para o Cacá meu irmão e outro pra mim.
Saiu cada um com uma enxadinda pequenininha, merenda,água.Começamos a capina.Eu era a mais nova,o Zezinho aí,esse do retrato, era muito custoso,começou a capinar no meu quadrado,na minha tarefa.Gritei,ele não parou, parece que fiquei brava, eu só sei que foi a maior confusão que enfrentei.
Deu B.O. porque taquei minha enxadinha na cabeça dele, o sangue escorreu.Foi um berreiro só.A muiezada veio correndo,mamãe,Vovó Giomar,Maria Barbina,Rosinha, chorava eu e chorava ele e chorava o Carlinho, berrava o Zezinho.Era lágrima e sangue correndo.Uma baruiêra danada.Como esquecer?Tanto dedo apontando pra mim,tanta gente gritando comigo...
A vó dele,a Maria Rita falou que quase ofendeu a moleira,fomos pra casa e no Zezinho fizeram um curativinho, e ele demorou uns dois dias pra fechar a bocona.Era só me ver, reganhava de novo.Belém,belém,pra nunca mais ficar de bem.Parecia que ia ser assim,mas, que nada! No outro dia a gente já estava brincando. Eu tinha 5 aninhos, mas nunca esqueci,a cena foi forte.
O retrato do Beú é tão bonitinho,não é? Dá pra perceber que tinha redemoinhos no cabelo lá no alta da testa, a gente falava ridimunho.O cabelinho arrepiava.Ele tinha dois ridimunho que não abaixava nem a porrete.Sempre existiu muito carinho entre nós,entre as famílias.
Esse molequinho também um dia atravessou o rio,mudou pra cidade, cresceu,virou moço,virou véio e continuou com o apelido de Pagode,é que gosta muito de rir.Ele é uma figura.Uma figuraça.Seu pai o Evaristo Teixeira casou três vezes.Casou com Malvina,foi pai de Valda,Ivo e Vilmar.Casou com Rosalmira,foi pai de Zezinho.Casou com Terezinha,foi pai de Geraldo.
Hoje o Pagode mora em Boa Esperança, tem quatro filhos,dois netos,uma muié boa, muita neve no cabelo,mas continua um pagode.
Zezinho,Beú,Pagode,um abraço,saiba,em minha ficha policial só consta essa enxadadinha, de certo eu não entendia de moleira e como ocê era muito teimoso,eu achava cocê era cabeça dura.Rááá ráá rá! Levou.E aprendeu, cada um no seu quadrado.kkkk
Abraço,Pagode do Araúna!




