10 de novembro de 2021

(Postagem Repetida Para Os Novos Leitores De 2021)

O MENINO DO RIO! A PESCA EM GUAPÉ TEM NOME... TONINHO CAVALHADA! HÁ TEMPOS quero registrar a principal personagem da Pesca em nossa terra desde a Cidade Velha, agora ouvi o Rei da Pescaria. Muitos pes

(Postagem Repetida Para Os Novos Leitores De 2021)

O MENINO DO RIO!

A PESCA EM GUAPÉ TEM NOME...

TONINHO CAVALHADA!

HÁ TEMPOS quero registrar a principal personagem da Pesca em nossa terra desde a Cidade Velha, agora ouvi o Rei da Pescaria. Muitos pescaram, mas ele foi e é o mais famoso e que atravessou dois tempos, antes e depois da inundação.Pescou enquanto teve saúde.Guarda saudades de 80 anos.

TONINHO é filho de D.Laura, irmã do Toin Sulica e de Pedro Cavalhada, irmão de Zilma, Delcídia, Wagner e Etevaldo.A História registra que o Sô Pedro quando alguém morria afogado, era ele o mergulhador que procurava.

TUDO começou com seu avô Antônio Rodrigues Oliveira, o PaiTonho que tinha outras atividades e gostava de pescar com o filho Pedro Cavalhada e que começou a levar o filhote ainda criança para as barrancas dos rios ou em canoa. Iam para o rancho que tinham perto do Salto do Rio Sapucaí, lá onde moravam os maiores peixes, logo ali perto dos Penas. Era peixe fora do jeito.

O ‘’SALTO do Sapucaí’’ pelos milhares e milhares de peixes, é registrado em nossa história guapeense e região, como motivo da maior batalha indígena da América Latina tamanha era a quantidade de peixes. É o que li. Lutaram cem mil índios. Por aqui viviam a nação Cataguá, os mais bravos.

UM POUCO DA PROSA COM O REI DA PESCA...

_Conta pra mim sobre seu tempo de pescador, Toninho. _Acompanhava meu pai que acompanhou meu avô. Aprendi tudo. _Conheceu tudo do Rio Grande e Rio Sapucaí? _ E da represa também.

_Toninho, só pescavam de anzol? _Não, além dos dois tamanhos de anzol, as redes eram armadas. _Traziam tudo pra Guapé? _Não, lá parava gente demais para comprar, saía até caminhão de peixe .

_Os anzóis diferentes usavam quando? _O anzol grandão era para pescar Jaú, o menor para Dourado. _Os peixes trazidos pra Guapé vinham picados? _Não, eram picados aqui. A gente não vencia trazer, vendia tudo. _Só pescavam no Salto do Rio Sapucaí? _Nas épocas certas era lá, mas a gente pescava também aqui no Rio Grande.

TONINHO PASSOU a acompanhar o pai nas pescadas com 12 anos de idade e por essas e outras virou mestre na arte, sabia das manhas no rio e represa, entendia os segredos das águas, profundo conhecedor do assunto e será sempre o grande pescador na História de Guapé. É referência.

ELE ERA proibido pelo pai Pedro Cavalhada a tentar pescar peixe grande pelo perigo, mas...

_Toninho, você obedecia? _Eu obedecia, até que um dia, pela primeira vez chutei o pau da barraca, tentei escondidinho minha pesca de anzol grande porque morria de vontade e foi um sucesso e foi muito barulho.

_Por que barulho? _Uai, eu com 12 anos peguei a sonda, o anzolão, fui tentar e quem foi fisgado? Um Jaú, mas um jauzão e veio um de 70 quilos, 70, sem mentira, minha estréia foi pra valer. Tô assustado até hoje. _Você deu conta? _Que nada! Cadê as forças? Eu só tinha força pra berrar. _Berrou por causa do peixe grande? _Tamém, era muito grande, passei muito aperto porque a linha, um fio de nylon 0100, quando enrolei ela na mão e o peixe veio, Deus do céu!

_O que aconteceu? _Garrei a gritar, gritar, meu pai veio correndo, quem tava lá também acudiu, meu pai custou a tirar a linha enrolada em minha mão, sangue corria, o corte foi profundo, olha aqui a cicatriz que carrego. Por nada perco um dedo e por nada o Jaú me leva pro fundo.

_Então foi uma confusão? Berrou demais por causa do Jaú? _Mais ainda, berrei de susto, berrei de dor com o nylon cortando meu dedo e berrei dobrado por causa da tunda que eu levei. Aí que berrei direito, apanhei demais.

O TONINHO me contou os causos com muita satisfação, a Piedade sua esposa, e companheira também de muitas pescas, confirmava tudo e também contava o que viveu. Levei a Leila Maia de motorista,ela testemunhou a prosa que foi muito agradável.

São muitos causos. Dá até para imaginar, um rancho bem na beira do rio, sempre pessoas diferentes nas prosas, almoços, jantas, cafés, a alegria das fisgadas. Até a dupla Cascatinha e Inhana estiveram no rancho e foi lá que Zilma e Horácio,pai de Laurinha e Dr.Pedro, se conheceram.

FIQUEI BASTANTE CURIOSA, COMO FAZIAM COM TANTO PEIXE JÁ QUE VENDIAM ERA DE MONTE

_Toninho, mas não perdia, não passava da hora de comer? _Não, vou te explicar, a gente tinha poço para guardar. _Ah! Tá explicado. Como era esse poço? _Meu avô, meu pai é que fizeram e foi custoso demais. O poço ficou cercado por pedras das grandonas mesmo.

_Ele fez como? _ Meu pai dizia que foi usada uma ferramenta de nome ‘’Picola’’ e conseguiu aos poucos cavucar as pedronas até conseguir um veiozinho para desviar água do rio e assim construíram um tanque que conheci desde menino e onde os peixes pescados era jogados esperando compradores.

_Vários tipos de peixe? _Sim, mas a maioria Jaú e Dourado. Cada peixão que dava gosto. (PICOLA é um instrumento de ferro, em forma de cunha, com cabo, que os canteiros usavam para alisar a pedra, assim diz o dicionário. Canteiro é o que lavra a pedra esculpindo-a.)

PROFISSÃO PESCADOR

TONINHO passou ter a pesca como profissão e assim foi sobrevivendo. Era em noites claras de lua e estrelas, noites chuvosas, noites de tempestades, noites frias, remando contra a maré, nas correntezas da vida, e ele, no trabalho difícil para sustentar sua família, porém, trabalho prazeroso, é o que sabia e gostava de fazer.

Saía por um dia e uma noite ou por semanas inteiras ou até mais, mas a pescaria era constante. Constante era também a presença de seu violão que muito bem tocava.Era o seresteiro da pesca.

DIA QUE SALVOU DUAS VIDAS

_Toninho, algum fato que te marcou? _Sim, quando salvei a vida de dois rapazes da Pimenta, um desses dias que a gente é guiado por Deus.Decidi que não ia pescar na represa naquele dia,tava gripado,mas tive que ir fazer um favor para um amigo e de canoa,então,já de tardezinha,vi de longe figuras que não sabia o que era,ouvi um grito,quando cheguei, dois rapazes,já sem força nenhuma e com cãimbra,fazia horas que estavam agarrados esperando por um milagre.Fui guiado para salvar a vida deles e isso me fez muito feliz.Dormiram aqui em casa. Ficamos amigos.

O MERGULHO QUE FEZ FELIZ UM AMIGO

_Algum mergulho especial? _Especial demais, na Ponte Melo Viana o Jorge Zacarias todo pancoso deixou cair seu raibã,foi pro fundo, óculos muito chique e desesperou.Mergulhei, cheguei no fundo,dois zóios me olhando.Peguei e ele ficou muito feliz e agradecido.Saiu dali todo bonitão de óculos escuros.

A MUIÉ FICOU SEM SAIA, MAS LEVOU OS PEIXES

ERA a Dade, o amor do Toninho que pescou com seu loiro também muitas vezes de canoa nessas águas, diz ele que teve um dia que pegaram tanto peixe, mas tanto, que apavoraram para juntar, daí a Dade arrancou a anágua, aquela saia branca que as mulheres usavam sob a saia principal, fez isso para ajudar no carregamento. Ia enchendo a anágua e levando.

ALGUMA PESCA FORA DA REGIÃO, TONINHO?

ELE disse que uma ficou na saudade, um passeio belo, divertido e bem longe, na Ilha de Bananal, foi ele, o Carlinho do São, o Walquires Tibúrcio e Frank Tibúrcio, um passeio dos melhores e ele foi como responsável pela cozinha. O pescado era de Pirarucus. A foto registra o passeio. ----------------------------

TONINHO E SEU AMIGO DO CORAÇÃO

SEU AMIGO DO PEITO foi o Dr. Marcelo José Gontijo Borém, o nosso médico por tantos anos. Era na casa do Toninho que ele se sentia feliz e era lá que estava sempre. Os olhos do Toninho enchem d’água só de falar do amigo que foi pro céu. A cidade sabia do carinho e respeito que havia entre eles. Toninho disse que a casa boa que tem hoje, no início teve ajuda do amigo que lhe emprestou um pouco para pagar se pudesse e quando quisesse.

POEMA DO PADRE RONALDO PARA ILUSTRAR

Quando secar o rio de minha infância Quando as imagens se apagarem de minha memória Quando não restar sequer a esperança Que perspectiva terei de minha história? Quando secarem as lembranças do passado Experiências de amor, carinho e paixão Quando sentir a ausência do ente amado Quando falhar a linguagem do coração Então galoparei nas asas do vento E na ânsia de encontrar pleno sentido Procurarei resgatar todo pensamento Me darei conta de que valeu a pena ter vivido.

ENTÃO, guapeenses, TONINHO é sempre o nome que surge quando o assunto é PESCA. Hoje além dos que pescam por divertimento temos um que fez da pesca profissão no Lago de Furnas, o Fábio do Pé De Pato, sai cedo e volta de tardezinha.

TERMINANDO, o Toninho conta que viveu lá no Salto do Rio Sapucaí muitas noites de violas e cantoria em noites calmas, tendo teto de lua e estrelas, além de muita inspiração. Hoje tem 80 anos de causos, é aposentado, fica só em casa quieto porque tem problemas de saúde, mas diz que carrega muita saudade e manda abraço para quem vai ler.

Nossos aplausos ao grande pescador! Nosso abraço ao Toninho Cavalhada! Um salve para D.Laura sua mãezinha que estava sempre a esperá-lo!

Viva ele e viva tu e viva o rabo do tatu!

COMO A POSTAGEM É REPETIDA, COPIEI ALGUNS COMENTÁRIOS

Wenceslau Avila: Historia linda e rica como muitas outras dessa nossa Guapé - Que historia / adorei e curti muito e devo confessar que até hoje a imagem daqueles peixes pulando pra subir o rio no tal Salto quando meu pai me levou, ora, conhecer nunca saíram da minha mente! Era um verdadeiro milagre bíblico! Marcelo Lagoa de Almeida: Essas beiras de represa tem histórias pra contar (e muito pano de rede enroscado também). Havia o Nego d'agua, a disputa com a lontra pra ver quem chegava primeiro na rede, de manhãzinha... havia barco furado, barco roubado, pano rasgado, peixe estragado, pescador quase afogado... também havia bons e fiéis compradores de peixe, clientes que nunca deixavam de comprar o peixe que era pesado na hora, ali mesmo no passeio, em frente a casa do comprador... Meu pai (Abel), meu tio (João), Nego Rock e muitos outros também foram companheiros de profissão do Toin Cavalhada. A Represa foi generosa com todos, apesar de percebermos que aos poucos ela perdeu seu dom natural de produzir (mesmo com a proteção da desova, sempre respeitada pelos pescadores). Talvez por falta de barrancas naturais, tão importante aos peixes... Parabéns ao Jornal por resgatar a memória de atividade tão tradicional em Guapé!

Jayro L Oliveira: Parece que Toninho esqueceu de contar sobre a pescaria frustada que fizemos em Manga (Norte de Minas divisa com Bahia - barra do rio Verde com o Rio São Francisco). Nada de peixe... Participaram eu (Jayro), Dr. Marcelo (médico nosso amigo), Gastão (meu sogro), Reisinho da farmácia (meu cunhado), José Vieira (daquela cidade.

Roselane Laudares-silva: Obrigada Soninha, por nos fazer reviver histórias do Guapé antigo e do novo. O Toninho Cavalhada é um verdadeiro ícone de Guapé. Muita saúde e vida longa para ele.

Maria Jose Souza: Me lembro muito dele saudades pescava tocava violão ❤️ Malvina Naia: Esse Toninho Cavalhada é o sobrinho do Mario Rocha, Soninha? Se for, será que ele lembra do macarrão que comia? Lá na casa da Aparecida do Mario Rocha que fui vizinha. Dava gosto vê- lo comer macarrão.a lembrança!

PICOLA,intrumento de cavar pedras q usaram para fazer o poço para peixes.

Pesca na ''Ilha De Bananal''.Walquires Tibúrcio,Carlinho,Frank Tibúrcio. Frank e Carlinho do São-1978.

Luiz Antonio Passos: pesquei muito com ele... saudades.

Dracyelle Santos: Bela História. Por sinal .Como é bom ouvir histórias dos meus antepassados. Já fui na casa Toninho.ele é sua família são muito agradáveis e receptivos.primo querido do meu pai.

Laura Simoes: E ainda era um exímio violonista!!!

Pedro Luis Simoes: Só chorei.

Andreia Do Gera: Toninho é o grandes pescador de Guapé e não é mentiroso ..coisa rara de pescador...

Angela Aguiar: Me maravilha voltar ao passado com a história deste homem maravilhoso e guerreiro. Tive o prazer de ser vizinha dele, meu pai pescava com ele é muitas vezes ganhavamos peixes dele, a minha felicidade era ouvir suas histórias e o ouvir tocar violão. Parabéns Ronilda Abreu Caporali: Que saudades!Lembro-me bem dele em minha casa, com meu querido pai e minha irmã Márcia,e mais uma turma, que formavam um conjunto musical maravilhoso.Obrigada Toninho, pela alegria que você nos deu.… Que saudades! Parabéns pelo grande artista que sempre foi. Nosso abraço pra toda família.

Nelson Alves: Toninho toda vida foi esta figura Lendária , autêntico pescador ,protagonista de Belas histórias, dizen Piraí mentira de pescador, mas este fala menos do acontecido ,meu avô o Antônio Rodrigues O cavalhadinha , era tambem pescador nato , fez de sua infância palco de Pescaria, tio Pedro, era o dodói de Minha , Mãe,,Quantas saudades.

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REGISTRAR a História do Toninho me deixa feliz porque ele ajudou a escrever a História de Guapé e merece aplausos.

PessoasMariaSoninhaTibúrcioMarcelo LagoaRosaLaurinhaLeilaWalquires TibúrcioRosaJoãoToin
LugaresGuapéCidade VelhaSão FranciscoRio GrandeFurnasLagoPassosAparecidaPimenta
TemasFamília e CasamentoReligião e ProcissõesCidade Velha (saudade)Comércio e TrabalhoCrianças e EscolaNatureza e LagoCausos e Histórias
— Soninha
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