25 de setembro de 2020

(Postagem de 2016, vai hoje como homenagem.)

UM DOCE DE EFIGÊNIA COR DE ROSA! ELA merece aplausos e tapete vermelho, é sobre esse docinho que vou escrever, uma das filhas do músico Sr.João Novato e D.Mariinha.A bondosa irmã de Nélida,Neuza,Cecíl

(Postagem de 2016, vai hoje como homenagem.)

UM DOCE DE EFIGÊNIA COR DE ROSA!

ELA merece aplausos e tapete vermelho, é sobre esse docinho que vou escrever, uma das filhas do músico Sr.João Novato e D.Mariinha.A bondosa irmã de Nélida,Neuza,Cecília,Amélia,Mariinha,Dico e Mário.Uma gracinha de pessoa,muito emotiva e amorosa e tem a pele cor de rosa.Conversando com ela na casa do Ivo, fiquei encantada.

OUVI dela um pouquinho das lembranças que viveu, percebi a emoção guardada, falou de sua mamãe que dava pensão e que ela e a irmã Neuza trabalhavam muito:

_Nossa casa era grande e nem rodo a gente tinha, aí eu mais a Neuza esfregava o chão era de joelho.

_Como faziam para secar?

_A gente ia empurrando a água com um pano na maior peleja,até secar tudo.

EFIGÊNIA contou que entre os hóspedes,muitos eram desonestos e saíam escondidos sem pagar e ficou me contando como tudo era muuuuuuito difícil antigamente.

Na prosa nossa:

_Dinheiro era tão custoso! Tão diferente de hoje! Nossa! No serviço de casa não tinha os trem moderno, hoje é facinho.

_Então, Figênia, muito serviço e tinha de dar conta,né?

_Tinha de dar conta.Ferro de passar roupa era de ferro e a gente tinha de encher de brasa e ficar soprando na bundinha deles papodê esquentá e voava faisquinha, era um perigo fazer furadinho nas roupa.

_E as roupas dos homens?

_As calças tinham de ter quina, as de passear era de linho, os ternos tamém.

FOI CONTANDO,CONTANDO,ME ENCANTANDO com as prosas de sua vida:

_Lá em casa era tão movimentado! A família muito grande, era uma labuta danada, mas eu queria era aquele tempo lá na Rua 3 de Fevereiro, a gente conversava, ria,era umas panelada de comida, recebia muita visita.Ai!Que sodade!

_Aí tinha de servir café,né, Efigênia?

_Toda visita bebia café, lavava o coador um tanto de vez no dia.

DAÍ ela disse que o tempo foi passando, a família esparramando, uns casando,depois o pai bateu asas, depois a mãe bateu asas e que a casa mais vazia foi ficando triste. Contou que lá na casona sobrou ela, sobrou a Neuza e mais um tanto de lembrança e mais um tanto de saudade em cada canto, mas que mesmo assim valia a pena porque eram muito companheiras.

_Então combinavam muito?

_Demais da conta, a gente proseava, andava de braço dado,ia na igreja, fazia visitas, dava muita volta, debruçava na janela, proseava com vizinhos.

DAÍ disse dos irmãos que mais tarde também bateram asas, mas que elas levavam a vida com amor na casa que foi barulhenta, até que um dia a tristeza bateu com vontade, a Neuza também bateu asas, assim ela perdeu a companheirinha de décadas e o zoinho dela encheu d'água.

IVO E NÉLIDA, sempre amorosos, cataram ela e todas as suas coisas e a levaram para a casa deles onde vive cercada de carinhos e mimos, abraçada e beijada pelos sobrinhos. Amor não lhe falta, nem saudade, nem as doces lembranças de tudo que viveu.

ACHEI bonitinho o jeitinho nostálgico quando fala que dormindo, muitas vezes sonha com a rua onde viveu toda uma vida, da janela onde via a rua, da casa por dentro,aí seus olhinhos enchem d'água de novo e quase escorre.

_Efigênia,seu pai era bravo?

_Eu falo dele com muito amor, era bão demais.

ACHEI graça foi do causo que ela me contou de quando era criança, da vontade doida que tinha de ter uma boneca de louça,aquelas bem bonitas.

Ela falou:

_Papai, compra uma boneca de louça bem bonita pra mim.

_Figeninha,mas o papai já deu o boneco de papelão,um para cada uma.

_Ah! Papai! Desmancha tudo! É só a gente dar banho com sabão preto e deixar na água um pouquinho que começa a desmanchar,a gente nem dá banho direito...

_Mas não poooode dar banho assim, é só de faz de conta, nem esfregar com sabão de coada...

_Papai, a Nélida deixou os pezinhos do boneco dela de molho e esfregou o calcanhar, aí o pé desmanchou tudo.

_Tem que fazer só de conta que tá dando banho,Figeninha,ensina elas.

_Papai,compra uma boneca pra mim,tem dó! Que vontaaaade que eu tenho!

_Figeninha,eu só posso dar esses bonecos de papelão,vocês são seis, como eu vou comprar uma boneca de louça pra cada uma se tenho ainda que dar caminhãozinho pro Diquinho e Marinho.

_É,papai,eu sei, não tem é dinheiro. Eu vou ficar feliz com meu boneco de papelão e fazer também bonequinha de pano.

_Isso, Figeninha, fica feliz com seu boneco,mas não põe na água.

_ Papai, tamém no tempo das pamonha eu brinco com um tanto de bonequinha de milho verde, tá? Pode fazer rabinho, trancinha, embrulhar no pano...

_Agora vai brincar, bonitinha da pele cor de rosa, Figeninha do papai.

ENGRAÇADO A PAIXÃO DE SUA IRMÃ POR BONECAS

Foi o que ela me contou da irmã Mariinha, mesmo casada, com filhos, netos, nunca deixou a paixão por bonecas, vivia comprando bonequinhas, só que seu sonho era ter uma DORMINHOCA, aí, depois já de bem idade seu filho Silvão realizou seu sonho.Comprou-lhe de presente uma dorminhoca.A Nélida também disse que a Mariinha até fazia carinho na boneca como se fosse nenen.

MEU RECADINHO:

Efigênia, amei conversar com você e Nélida e estou aproveitando um pouco dos seus causos para uma postagem em forma de homenagem a você e sua família que viveu nessa casa da Rua 3 de Fevereiro,lá onde a casa e a rua foram seu palco e é lá nesse palco hoje que andam suas saudades e as melhores lembranças.Valeu!

ESSAS montagens de você criancinha também faz parte da homenagem. Ah! E tenho de registrar seu afeto pelo Ivo, citado sempre carinhosamente durante nossa prosa e disse que até hoje o Ivo é muito bonitinho.

Você é um docinho de padaria,Efigênia, e a Nélida um pudinzinho.

E VIVA os bonecos de plástico,os bonecos de papelão,as bonecas de pano,as bonecas de milho verde e as bonecas caras, de louça, que fizeram as crianças felizes!

E viva a Efigênia do rostinho cor de rosa! E viva a família do João Novato! E viva a família do Ivo Teixeira!

(Montagem:Guilherme Goulart e Sônia Maria)

PessoasMariaRosaIvo TeixeiraRosaJoão
LugaresRua 3 de Fevereiro
TemasFamília e CasamentoReligião e ProcissõesCidade Velha (saudade)Comércio e TrabalhoCausos e HistóriasComida e Receitas
— Soninha
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