12 de junho de 2017

O VELHINHO DA AVENIDA

Texto:Marcelo Lagoa HOJE me deparei com uma cena curiosa: Ao dirigir-me ao serviço pela manhã, em plena avenida já cheia de pessoas, vejo um senhor de idade, já nos seus 65 ou 70 anos, roupinha surrad

O VELHINHO DA AVENIDA

O VELHINHO DA AVENIDA

Texto:Marcelo Lagoa

HOJE me deparei com uma cena curiosa: Ao dirigir-me ao serviço pela manhã, em plena avenida já cheia de pessoas, vejo um senhor de idade, já nos seus 65 ou 70 anos, roupinha surrada, chinelo havaianas, a barba por fazer, circulando todo sorridente pela avenida, e........ puxando um brinquedo de plástico (um caminhãozinho) amarrado a um barbante!!

MAS porque me espantei? Afinal, o velhinho só estava no seu mundo introspecto e particular, talvez resultado da idade avançada somada aos efeitos colaterais da senilidade, que comumente afeta-nos com o passar dos anos... Mas a cena era, no mínimo, inusitada.

PORQUE o homem, não se importando com o aglomerado das pessoas que o rodeavam e nem com o espetáculo que proporcionava aos transeuntes (que espantados e despreparados para a situação, boquiabertos olhavam a cena), continuava feliz da vida, prosseguindo a sua viagem no mundo paralelo da fantasia, dirigindo seu veículo: O presente ganhado de algum vendedor que por ali perto tinha sua loja de brinquedos.

TODO faceiro, todo garboso, prosseguia o velhinho, orgulhoso do seu caminhãozinho e a puxá-lo pelo barbante, tomando o devido cuidado de transitar pela via direita da avenida, não ultrapassando em faixa contínua e respeitando a mão de quem cruzava a avenida; sua fisionomia estampava a mais pura, a mais cândida e inocente alegria de um menino, que voltou a ser. Acontecia ali, bem às nossas vistas, uma fantástica viagem ao passado (quem disse que viagem no tempo é impossível?), trazendo ao nosso presente - E DE PRESENTE - um menino que existiu há muitas décadas já passadas, encarnado agora no corpinho raquítico, porém pleno de alegria, de um velhinho senil.

AS pessoas também sorriam, esquecendo-se momentâneamente de seus problemas, embevecidas de ver o sorriso já sem dentes, estampado na face do respeitável senhor. Parei por um segundo, contemplando a cena. Em seguida, prossegui minha jornada em direção ao serviço, pensando cá comigo: “O que é a felicidade? Onde se oculta? Será o dinheiro? Será a saúde? Será a juventude? A beleza? O respeito ou atenção que recebemos das pessoas?”

“NÃO! A felicidade não está nos fatores externos. É verdade que fatores externos podem desencadear uma situação boa ou má, mas definitivamente, participam como coadjuvantes, não são jamais os protagonistas dessa história de felicidade!”

REALMENTE, nada das coisas que tomamos por padrão ou referência como causadoras de felicidade a uma pessoa, nada disso se refletia naquela cena do velhinho... Exceto o sentimento que saía de dentro de si, a inocência infantil que voltou a morar naquela alma. E dentre tanta gente na avenida, certamente o seu rosto era o mais iluminado de Felicidade, naquela manhã!...

PessoasMarcelo Lagoa
LugaresLago
TemasComércio e TrabalhoNatureza e Lago
— Soninha
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