MENÇAJI NO ZAPI
_Ooooi! Tabôa? Bamo conversar? _Oiê! Queim emcomoda-mi? _Uai, iêu. O Paulo Antoin. Uai! Quem tá nalinha? _Se ocê zapô nêçe númeru du Guapé, queim vus menssagêia é Sônia Maria. Qualé Paulo,memo? Não tem retrato...Não vejo sua feissão. _Soninhaaaaaaaa! Tem passença. É iêu! _Quem á a pessoa conequitada aí com eu? _Seu amigo de mutas prima veras. _Prima vera de prima parente ou de flores novas, viçosas? _Isso, isso, isso, aqui é o Pirulito. Pi-ru-li-to, entendeu? _Ah! Não! Num querdito. É o Pirulito? Jura? _Juradinho, é o Pi-ru-li-to. Ocê pura causo tem tempo pra o nóis tê um dedinho de prosa? _Se fô prosa amorosa, tenho todos os dedos. Prazer imênssio. Diz aí, Paulinho Capetinha! _Cê me respeita, Soninha. _Não respeito, não, ocê já me passou muita raRva, encapetado. _Mas nóis era tão feliz! Eu era farrista, mas ocê bem que acompanhava-mi. _Pió qui é memo, Zé Rogério mais iêu vistimo de noivus caipira, mais o padre e os padrinho e tivemo a farta de juízo de dexá ocê comandá o cavalo qui puxava a charrete. _Eu toquei direitinho o cavalo. _É, tocou nos buraco tudo das rua sem asfarto. _Eu era bão no trem, fizêle até rifugá. _Papai fartô me batê hora ca carroça parô na festa lá do ginázo. Eu axo ca sua mãe, grávida, bateu ca barriga numa quina e acertou sua moleira. _Porcaus de que cê fala iço? _Porque ocê era da pá virada e revirada. Aprontava dimaize. Ria dimaize. _Ah! E ocê num ria, não, né? Nóis ria até a barriga duê. _Tinha de rir, fazer o quê? Aprontô todas. Ocê tinha fogo no rabo. Mas era bão tamém. Pena que dispois çumiu de nóis. _Sumi, mas lembru-mi di tudu. _Paulinho, querdita cô garrei e guardei os biêtinhos tudo cocê paçava em çala de aula pra eu, guardei até dez anos atrás, só qui perderão-si na mudanssa. Era muntu emgrassados, eram pa eu passá pra Rosângela do Odélio. _Iço memo, minha namorada de dolesçênssa. _Pirulito, ocê com 16 anus, sócio do Zé Irene no Cine Eldorado! Tem base? _Então, que suceço eram os filmes do Mazaroppi! Lotava. _Então, Xofer De Praça, Vendedô De Linguissa, O Curintiano... Viche! Nunca mi esqueci da Pelanca, a muié do Mazzaropi. Agora eu poço sê chamada de Pelanca. Ai, qui sofrênssa! _E os filme sobre Sissi, com Romy Shyneider? E os da Sarita Montiel? Alain Delon... _Nuuu! Nóis achava que tava nas Hollywood.Tempinho bão, cinema no Guapé era o trem mais chique do muuuundo. _O Zé Irene vortô po Guapé,né? _Vortô dispois que enviuvô, garrou a reformá a casa grande, tá aqui todo forgado. Ocê é que sumiu de vez. _Ocê sabe, indêus que apachonei ca minha morena Aparecida, garrei a estudá, formei enjenhêro, e armei barraca quéla, dispois chegou meu fio. Ela num querdita cô fui levado das breca. _Que morena bonita cocê arrumô! Fico feliz condo tenho nutíça docêis, só vem nutiça boa. _Asvêis eu garro a recordá do Guapé, garro a lembrá da minha enfânssa, garro a lembrá demais, dispois minha adolesçênssa, só quêu si alembro do Crube dos 70...Prassa Paçus Maia... _Então, Paulinho Capetinha, Pirulito, caçulinha do João Bejamim e D.Iaiá, não tenho uma lembrança docê sério.Isso é muito bom. _Eu era a cara da felissidade. _Então, amigo querido, sempre gostei muito de sua pessoa, figura feLomenal. _Cumé que tá o Guapé? _Icha, miorô demaissssss, agora nóis tem um tanto de bairro, e nas águas, então, é chalana, é lancha pa riba e pra baixo, aqui cresceu fora do jeito, tem X Tudo, maionese, pítiça, Serve Serve, adréga de bebida, pensão na bêrada da reprêza e um tanto, piciza de vê a miorança, tem pontus turístecus, tem um tanto di táquice. _Miorô munto, então, uai... _A Ana Maria Jorge sua irmam anda de táquice pa tudo quié cidade vizinha. _Qui progrécio! _Tem velóriu, sérvi quitanda cum café, vêndi coroa de flor escrito mençaji... _Quarqué hora nóis topa. _Demora munto não qui nóis já é idozo, dispois nóis num vai tê nem açunto, vai tê esquecido tudo. Abrasso aí na sua morena e no seu fio. _Vô dá. _ Gostei de falá agora cocê tamém. Tô boba de vê noça mióra na escrita, tô pasma de vê o tanto cocê desenvorveu no portuguêis. Nada cumo estudo, né memo? _Ô tenho munta leitura. Queim lê munto arrasa na escrita. _Paulinho, discocê viaja e que foi pa Portugal e quefoi o país cocê gostô mais. _Nóis foi memo, cheguemo, aluguemo uma cundussão e rodemo o país, nóis rodemo 800 que lômetro, bão demais, nóis fumo até no túmbalo do Pedro Áuvariz Cabrau. Tá lá mortinho, de certo esfarelô até uzóço. _Ô, Paulinho, num falo cu seu coração é bão? Lembrou até do descubridô do Brasil... _Vô pará de iscrevê,Soninha, foi bão converçá, vô pará, tenho de bebê meus remédio e sair pa medí minha pressão. Tiau. __Pirulito, só reforçano, ocê é uma lembrância querida e úrtimo dia cô te vi, axei ocê bem sacudido, não enfeiô, nem pelancô. _Brigadú! _O prazer foi todo seu, Paulinho. Ba aaaaai! Ba aaaaai! . BRINCANDO DE MENSAGEM SÓ PARA HOMENAGEAR
Paulo Antônio Jorge, Paulinho do João Bejamim! Sempre lembrado, presença alegre, amigo de muitos, admirado sempre, uma grande figura, um colega de escola muuuito divertido, por essas e outras ele está tela. Paulinho do João Bejamim, um querido.









