4 de março de 2016

HOUVE UMA VEZ UM VERÃO

E FOI em Guarapari.Lá chegaram para uma temporada as DUAS MARIAS, a do Sr. Mário Tibúrcio e a do Sr. Quin.A casa era de Zanir e família.Como eram amigas as Marias, a do Quin foi convidada para ser a c

HOUVE UMA VEZ UM VERÃO...

E FOI em Guarapari.Lá chegaram para uma temporada as DUAS MARIAS, a do Sr. Mário Tibúrcio e a do Sr. Quin.A casa era de Zanir e família.Como eram amigas as Marias, a do Quin foi convidada para ser a companheira de barraca, de sol, de mar, de lua e tudo mais.O Sô Mário estava também.A casa era da Zanir.

LEMBRO-ME dos comentários da época e faz já é tempo que a Maria do Quin aprontou por lá,fez amizade nas barracas e com meio mundo e andou pelo litoral,além de ter sido ótima companheira da outra Maria, essa doçura de óculos, essa sempre risonha, engraçada, a Maria do Mário.

DESSA VIAGEM,por muito tempo rolou causos e agora, proseando com a Maria do Quin, gostei do relato e vou registrar:

_A Jarlene minha, era secretária do Dr.FranklinTibúrcio, dentista,ela gostava demais dele,da Nilva,dos filhos,era o seu primeiro emprego e eu ia demais na casa do Sô Mário, fazia sabão, ajudava matar porco,eu era pau pra toda obra e ficamos amigos demais.É que nós três gostava de uma prosa e assunto não faltava.

Daí, a confiança era grande e a Zanir inventou uma viagem pra Guarapari onde ela tinha casa.A D.Maria falou pro Sô Mario:

_Só vou se a Maria do Quim arrumar as malas tamém.Ela vai ser uma comanheirona e passear comigo, entrar no mar....

A PERGUNTA:

_Maria,a mamãe quer viajar com você,aceita ir pra praia? É longe. _Na hora.Bão que eu descanso do Quin. Tenho de arrumar um maiô.Quero preto,é chique.Quero um chapéu tamém.

PRA MARIA DO QUIN:

_Como foi ver a praia pela primeira vez? _Conheci o mar. Bonito demais,água que não acabava mais,muito mais que a represa do Guapé bem cheia.Nó! Mil vezes mais.Eu levava a D.Maria pra passear.Tá pensando?A gente entrava no mar de mãos dadas,só no raso, mas um dia passei aperto demais. _Por que,Maria? _Foi de tardezinha,o sol mais fraco e a D.Maria cismou de nadar mais no fundo.Pavorei.Ela me gritava... _Vem comigo, medrosa...A onda é fraquinha...

QUE OCÊ FEZ,MARIA?

_Comecei a gritar,D.Maria,pelo amor de Deus,voRta! Vem pra areia, a senhora tá na minha responsabilidade,é perigoso.Eu nem posso ir aí,nem posso beber dessa água,tem sal e sobe minha pressão. _Não vou.Não vou.Quero ver cê me tirar daqui.Morre de medo do mar!!! _D.Maria,tem dó de mim,pelamor de Deus, vem, senão eu vou dar um treco,vamos só andar na areia e moiá os pé,se a senhora afogar eu vou ter de suicidar nesse mar,sua famia vai me matar.Vem, teimosa! Ô,D.Maria!Vem,tem dó dêu.Veeeeeem... _Larga desse berreiro,estropício.Eu vou,mas volto,vou só beber uma água de côco e não vai enredá nada pro Mário,não,viu,Maria medrosa? Moleza.

E O RESTO?

_Foi Deus, tinha uns mocinhos com umas cordas,amarrava na cintura de um que ia nadar e outro ficava na areia segurando a corda.Botei reparo, pedi uma corda emprestada e sabe ela? Queria,não,mas,fiz na marra. _Amarrou a D.Maria? _Marrei. Dei duas volta em redó da cintura,dei um nó bem apertado.E ela ria que ria e falei,agora vai,vou soltar a corda aos poucos.E ela foi,mas eu segurei firme e prestava atenção,mas com ela foi uns 4 metros de corda.Hora de ir embora,nunca queria sair do mar, mas comecei a puxar a corda e ela obedeceu.

A PROSA:

_Que berreiro,hein,Maria?Tava só nadando.Se ocê enredá pro Mário que eu pulei a onda eu conto que cê me amarrou a corda apertada e tá doendo. Precisava puxar com força?Cê vai enredá,Maria? _Vou.Vou contar,vou contar que amarrei a corda pro Sô Mário.E vou falar que amanhã a gente só vem se alguém comprar uma de 5 metro. Aí peguei, entreguei a corda pro moço, agradeci e nós proseando foi embora. _Sabe que cê é,Maria do Quin? Linguaruda. _Maria, entende, mar é perigoso. _Ara! Eu era acostumada nadar no córgo na nossa roça.

NUNCA MAIS TEVE PRAIA?

Com a família do Sô Mário foi só essa vez,tirei foto de chapéu,eu tinha 47 anos,tinha muita saúde,gostava de andar naquelas beiradas de represa. Depois fui mais 6 vezes de excursão,tirei retrato e fui lá ver a casa,o lugar da minha primeira ida. Nossa! Não tinha mais a casa,nem parecia o lugar de tanta construção. Deu uma saudade da família do Sô Mário...Foi tão engraçado amarrar a D.Maria na cintura...Nunca esqueci.Nem ela.Quantas vezes a gente riu dessa corda.Essa vida é boa,né?Faz tanto tempo,tenho 83 anos já.

E salve as Marias! Contei um pedaço,mas foi causo demais.O comentário na época lastrou, lembro-me da Zanir contar que a Maria, a do Quim,arrumou amizade nas barracas,descia e subia aquelas beiradas de mar, fez proezas de maiô preto e chapéu.

É UM PRAZER FALAR DESSAS DUAS QUERIDAS.

PessoasMariaTibúrcioRosaRosa
LugaresGuapé
TemasFamília e CasamentoCidade Velha (saudade)Natureza e LagoCausos e Histórias
— Soninha
Compartilhe esta história: WhatsApp Facebook
← Anterior
APENAS UM RETRATO NA PAREDE
Próximo →
HOUVE UMA VEZ UM VERÃO

Causos relacionados

MAIS TREM DE RÁDIO NO GUAPÉ

27 de setembro de 2020

E ASSIM,D. MARIA VAI FELIZ PELA VIDA COM SEU RADINHO

5 de agosto de 2021

NÓIS DE NAMORADEIRAS DO ''BÃO DE PROSA

2 de agosto de 2021