31 de maio de 2024

HÁ 70 ANOS, APENAS

Foi no ano de 1950, aqui dôta banda, bem pertinho da cidade, era só atravessar o Rio Grande, de riba da Ponte Melo Viana, e assim, em 15 minutos chegava no Araúna onde os noivos foram criados. Meus pa

HÁ 70 ANOS, APENAS...

Foi no ano de 1950, aqui dôta banda, bem pertinho da cidade, era só atravessar o Rio Grande, de riba da Ponte Melo Viana, e assim, em 15 minutos chegava no Araúna onde os noivos foram criados.

Meus pais, Itamar e Sabina, lindo casal, e carregando as alianças, a professora Ana Maria Jorge. O noivo como era namorador não teve coragem de enfrentar Salvador, o irmão mais velho, e minha vó Mariana, a mãe, futura sogra, medo de ganhar um não, então, quem fez o serviço foi a mãe dele, minha vó Guiomar, o que mamãe contava era que ela sacudia de tanto rir e disse,''Vim fazer um serviço que nunca fiz, vim pedir a mão da Sabina pro meu filho Itamar'', daí o pedido em desvio foi muito aceito e marcaram a data.

A pobreza da noiva era tanta que a grinalda e o buquê ela mesma fez em flores de papel. Era muito talentosa. Soube de uma passagem do dia do casório através de um convidado, o Sr. João Marciano, guapeense que foi morar em Pratápolis depois das Águas de Furnas e foi um dos retirantes que recebeu lá o apelido de Pardal Da Bunda Moiada.

João Marciano me disse:

_Ê, ocê não sabe cô fui no casamento de seu pai? _Ah! Então me conta. _Sabe que aconteceu na ida do Guapé pro arraial na turma que foi de jardineira assistir o casório? Foi com um dos passageiros que tava indo pro Araúna. _Que passageiro? _Eu. Meu estamo deu de embruiá com o cheiro da gasolina. _E daí? _Daí que tive de chamar o Juca na jinelinha. _Que Juca? _Modo de falar quando o estamo embruia e tem de por pra fora. _Normal. _Normal? Cê que pensa, minhas duas dentadura foi junto. _Nuuuu! E aí? _Uai! Arrumei um berreiro, o chofer deu uma freada, desci num carreirão ca boca muchinha, procurei, procurei... _Achou? _Querdita que achei elas rindo no meio da poeira, no chão? _Ainda bem. _Foi um achado dos mió, elas ria de lá e eu de cá,foi só risada, o risco cô corri de perder 32 dentes perfeitinho era grande. Só dois careados. Dentadura era artigo de luxo naquele tempo. _E aí? _Hora que desembarquemo lavei elas, ajeitei elas na boca e fui para a igreja, elas continuaram rindo a festa inteirinha. Foi só alegria. ... ... ... ... ... ...

Viche! Faz já tanto tempo que eu ouvi esse causo, João Marciano enviuvou, voltou a ser mocinho e teve uma época que frequentou muito Guapé,e apesar de bem mais velho foi acolhido pela juventude, muito educado, simpático, alegre, fazia a turma feliz.

Salve os noivos e convidados do dia 24 de junho de 1950, todos no céu. Salve papai e mamãe!

NOIVO CANTANDO...

Olha pro céu, meu amor Vê como ele está lindo Olha pra aquele balão multicor Como no céu vai sumindo Foi numa noite igual a esta Que tu me deste o coração O céu estava assim em festa Porque era noite de São João Havia balões no ar Xote, baião no salão E no terreiro o teu olhar Que incendiou meu coração

PessoasMariaItamarJoão
LugaresGuapéRio GrandeFurnas
TemasFamília e CasamentoReligião e ProcissõesBailes e FestasCausos e Histórias
— Soninha
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