FOI EMBORA O ÚLTIMO DONO DAS HISTÓRIAS DO TRANSPORTE
Realmente, não foram registradas as memórias do Lazinho Martins. Uma pena! Será que levou? Se levou, pra onde? Guapé ficou sem elas, como ficou sem as do Tietié. Tentei, há três anos, marquei o encontro dos irmãos na casa do Tietié, fui com a Leila, lá também estavam a fiota Sayonara que ajeitou tudo e a bela Rosana. Eu queria um início, para futuros e preciosos registros, só que, ‘’nãooo sei pq’’ virou só prosa misturada e risada, de um caso passava pra outro, um atravessava na hora errada, e, imaginem, seis rindo e puxando prosa, não dei conta de pôórdi, e daí veio a pandemia, e... o registro agora é de FIM das histórias. Do dia da visita, peguei um pedacinho da prosa que até já postei na época. É o texto abaixo, leia...
DOIS dos IRMÃOS MARTINS!
MEU DEUS DO CÉU! O Lazinho Martins tem uma mente carregada de causos, dificilmente em Guapé alguém viveu tantas histórias como ele e o irmão Tietié. É um proseando e o outro confirmando ou emendando os causos com mais detalhes.
TAMBÉM não podia ser diferente, afinal são pioneiros no transporte em Guapé. O que viajaram nesse Brasil, o que carregaram de mudanças, principalmente na chegada das águas, o que guardam das cenas que viram e ouviram de pessoas em momentos tristes, nem dá pra imaginar, e o que viram de cenas alegres, interessantes durante viagens é uma riqueza. Atravessaram oito décadas de histórias transitando em caminhões, ônibus.
OS DOIS irmãos estavam lá na casa do Tietié rindo do que viveram em criança, indo e vindo do Varjão, aqui pras bandas do Barreirinho, Jacutinga. O Lazinho disse terem sido muito pobres, a mãe muito católica e que, claro, queria fazer bonito com os ''Fiotes'' nos eventos religiosos e tentar encaminhá-los na fé.
NOSSA SENHORA! Que vergonha eles passavam! Choravam, apanhavam, birra não adiantava, vestiam como a mãe queria,mas eram obrigados a vestirem camisolinhas, colocarem asas e seguirem as procissões ou missas solenes, enfim, se havia um evento religioso, lá estavam os irmãozinhos, dois anjinhos de olhos verdes, com cabelo grande e cacheado.
PEDACINHO da prosa do Lazinho e Tietié, exatamente como ouvi: _Eu mais o Zé só vinha na cidade pra passar vergonha. Tem base, nóis dois de camisolinha comprida, branca, e carregando asa? _Pra mim e o Lazo não tinha coisa pió do que escutar falar em igreja. Nossa vontade era nunca sair da roça. _A molecada apontava, ria, era muita humilhação pra mim mais o Zé. Minha mãe ia puxando nós dois pongó pela rua afora. Eu não podia nem ver as tal de camisolinha guardada. _Na hora de sair para as festas de igreja, era um fragelo. Vinha minha mãe com a tal de camisolinha branca, nossa vontade era enfiá num buraco. _Minha mãe ainda enrolava meus cachinhos com o dedo. Meu cabelo batia pra baixo do ombro. Pensa bem, eu, o Lazinho Martins de cachinho...Pode um trem desse? _E descaRço. Pió ainda, né, Lazo? _Pois é, nem sapato nóis tinha, era camisola e pé no chão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . OUVIR Lazinho com seu jeitão contando e rindo é muito divertido. Os dois irmãos são muito companheiros e como o Tietié não pode sair, quem vai é ele. Eu e a Leila fomos tomar um café com eles, a Rosana e Sayonara.Valeu!
AH! O LAZINHO contou também das surras que levava e de uma passagem que nunca esqueceu. O pai, Chico Martins, uma noite estava muito brabão brigando com a mãe dele, o Lazo disse que chegou na hora H: _Meu pai tava brabo demais e coitada da minha mãe, eu escutando aquilo... _E aí, Lazinho? _Num tinha outro jeito, cheguei pra separar, mas trupiquei na cadeira que tava a lamparina e escureceu tudo. _Daí acabou a briga? _Cabô nada, no escuro meu pai me levantou pelos cabelos em cacho pensando ser minha mãe. Pelo menos pra isso meu cabelo em cacho serviu. _Conta o resto... _Arrumei um berreiro, ele largou, ficou calado, nóis acendeu a lamparina. _E seu pai? _Carmô, ficô amuado, ficô muito arrependido, pediu perdão pra mim e pa minha mãe. _E os cachos do cabelo, Lazo? _Continuou um tempão pa passar vergonha nos dois bocó. As visita falava que nóis era muito bonitinho de cacho e de olho verde, que nóis parecia anjo. _E aí, Lazinho Martins? _Aí é o que eu já contei, nóis tinha de aguentar as asas e as risadas da molecada da cidade.
ATÉ CASO TRISTE NA BOCA DO LAZINHO VIRA COMÉDIA. Os irmãos do transporte são mesmo engraçados, grandes figuras. -------------------------- E O REGISTRO parou por aqui,no projeto até recente, combinei com Lenilton, a Angela Gaya ia montar um canto na casa dela,um carro buscaria o LazinhoMartins, ele sentado seria filmado pelo Gilberto, só que ficou doente. A Gaya foi com Gilberto na casa dele, mas estava dormindo.Como sempre dependia de alguma coisa não saíram os relatos que dariam um livro.Que pena!





