12 de janeiro de 2018

(Eu tinha de contar do Toinzinho)

CARTA PARA O CÉU Guapé,janeiro,2018 Ê, Toinzinho! Eu tô triste, tristinha, cê fez as malas e foi embora sem avisar. Quando ouvi a notícia no som da igreja, juro, Toinzinho, fiquei quieta, fechei os ol

(Eu tinha de contar do Toinzinho)

CARTA PARA O CÉU Guapé,janeiro,2018

Ê, Toinzinho!

Eu tô triste, tristinha, cê fez as malas e foi embora sem avisar. Quando ouvi a notícia no som da igreja, juro, Toinzinho, fiquei quieta, fechei os olhos para ver seus olhos que já não viam mais. Fechei meus olhos para ver seu sorriso que não sorria mais.

Então, você morou tantos anos lá Vila Vicentina, era tão amado, o morador mais antigo, pode ser que nem se lembrasse dos anos todos que morou ali. Eu soube agora que você veio lá de Bambuí,né, Toinzinho? Sei que sua família era quem morava na Vila e que seus amigos os que encontravam pela rua e as pessoas bondosas que estavam sempre aí em visita.

Ê, Toinzinho! Cê foi embora sem avisar e porque foi embora nunca mais verei seu sorriso feliz quando me viu há um tempo atrás. Acha que vou esquecer? Vou não.

Tatuei seu sorriso, tatuei seu olhar, gravei sua voz em minha lembrança porque nunca vi ninguém sorrir tão feliz me vendo. Nunca. Comentei de sua emoção e a da minha várias vezes.

Eu tô triste, tristinha, não só pelo seu olhar e sorriso que perdi, tô triste comigo, porque mesmo sabendo da emoção que brotou no seu olhar, que brotou na sua voz não arrumei tempo para uma visita, mesmo tendo todo o tempo do mundo.

Eu tô tristinha porque eu poderia ter sido motivo de mais um sorriso seu. Tô tristinha porque não retribuí numa visita a doçura daquele seu olhar que me viu.

Todos os dias, há tempos, cê passava pela rua de minha mãe carregando o caldeirãozinho de leite doado para os moradores da Vila, o Lar São José, enquanto teve forças nas pernas.

Fiquei tempo demais sem vê-lo e nem sabia que tinha envelhecido. Nem sabia que seu cabelo tinha ficado branco. Nos retratos da turma da Vila, eu o via, mas ria, porque era sempre mostrado um momento festivo.

Sempre soube guardar minhas lembranças, sempre tive muito zelo com minhas saudades e foi assim em todas as minhas idades, mas a lembrança daquele seu olhar e daquele seu sorriso, Toinzinho, o som e o tom que falou três vezes o meu nome, eu não tenho como esquecer, não é só o prazer de guardar, não é só a beleza de lembrar, é uma emoção que me faz ter vontade de chorar.

Eu tô com vergonha de mim, Toinzinho, tô me sentindo pequena demais, diante da enorme emoção que sentiu me vendo, mas, juro, Toinzinho, lembrarei de você enquanto eu viver e meu carinho será minha oração, mesmo sabendo que anjo não precisa de reza.

Agradeço a Deus nosso encontro casual. Foi lindo, Toinzinho, foi lindo. Depois cê entrou no carro da Vila que te esperava na consulta, fui para seu lado, peguei sua mão,prometi visita, fechei a porta e o carro te levou embora e foi a última vez,e só foi a última vez pq não cumpri o prometido.

Perdão, Toinzinho, por eu não ter ouvido as horas do relógio, não ter perguntado sua idade, não ter perguntado de sua saúde. A gente não tem noção do tempo desperdiçado e lá se vão os minutos, as horas, os dias, os meses, os anos, os amores, e hoje triste também digo, o amigo.

Toinzinhôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôô...Tá escutando? Abraço.Agora um tanto de gente vai saber de você.Diz q a internet manda pra nuvem,tá pertinho do céu.

Para: Anjo Toinzinho A/C de São Pedro Rua da Saudade- Ala Santa- Bairro Recanto dos Anjos Remetente: Soninha

(

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LugaresGuapé
TemasFamília e CasamentoReligião e Procissões
— Soninha
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