20 de janeiro de 2015

ESSE É UM TEXTO QUE VOCÊ DEVE LER

JE SUIS CHARLIE SIM! kennedyavilaperes.blogspot.com.br François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire (1694-1778), foi o maior dos filósofos iluministas franceses. Defensor das liberdades civis e

ESSE É UM TEXTO QUE VOCÊ DEVE LER.

JE SUIS CHARLIE SIM!

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François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire (1694-1778), foi o maior dos filósofos iluministas franceses. Defensor das liberdades civis e religiosas, opôs-se à intolerância religiosa e de expressão, ao absolutismo, aos privilégios do clero e da nobreza, aos métodos judiciais baseados na tortura. Era, além disso, um grande escritor, perspicaz e extremamente espirituoso. Por dizer o que pensava, foi preso duas vezes e precisou se refugiar na Inglaterra. Uma de suas máximas mais famosas é a retratada no quadrinho acima: "Posso não concordar com nenhuma palavra do que você disse, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo". Concordo de corpo e alma com Voltaire, por isso Je Suis Charlie Sim! Tenho visto diversos artigos criticando a onda Je Suis Charlie em razão de dois motivos principais: 1) a sociedade só se indigna quando as vítimas são brancos ocidentais moradores do primeiro mundo; e 2) a Charlie Hebdo exagerou nas suas críticas, desrespeitando os muçulmanos e suas crenças preconceituosamente. Não deixa de ser uma verdade a primeira crítica. Nos comovemos muito mais com a morte de 12 jornalistas franceses e 4 cidadãos judeus em Paris do que com o massacre de dois mil nigerianos na África. Afinal os franceses tem nome e sua história é conhecida e divulgada, enquanto os nigerianos são apenas números. Stalin dizia que a morte de uma pessoa é uma tragédia, a de alguns milhões, estatística. E o Ocidente sempre tratou a África como uma estatística. Mas isso não é razão para nãos sermos Charlie e nos solidarizarmos com a revista. Ser Charlie não exclui ser Ahmed, ser os pobres nigerianos massacrados pelo Boko Haran, ser tantas outras vítimas da iniquidade humana. A segunda crítica é descabida. Se você não gosta de sertanejo universitário, não ouça, mas não queira proibi-lo. Ser Charlie é não concordar com nenhuma censura ou intolerância religiosa, racial, cultural ou política. A própria Charlie Hebdo foi acusada, por sua vez, de intolerância e preconceito para com os muçulmanos. Frei Leonardo Boff divulgou em seu blog o texto abaixo: “Ninguém em sã consciência apoia os atentados. Os três atiradores representam o que há de pior na humanidade: gente incapaz de dialogar. Mas é fato que o atentado poderia ter sido evitado. Bastava que a justiça francesa tivesse punido a Charlie Hebdo no primeiro excesso. Traçasse uma linha dizendo: ‘Desse ponto vocês não devem passar’. ‘Mas isso é censura’, alguém argumentará. E eu direi, sim, é censura. Um dos significados da palavra ‘Censura’ é repreender. A censura já existe. Quando se decide que você não pode sair simplesmente inventando histórias caluniosas sobre outra pessoa, isso é censura. Quando se diz que determinados discursos fomentam o ódio e por isso devem ser evitados – como o racismo ou a homofobia – isso é censura. Ou mesmo situações mais banais: quando dizem que você não pode usar determinado personagem porque ele é propriedade de outra pessoa, isso também é censura. Nem toda censura é ruim.” Discordo. Toda censura é ruim. Baseada em qual autoridade alguém pode se julgar no direito de cercear a liberdade de expressão? Quem está acima dos demais para assumir este papel? E, mais grave, qual o limite para a censura? Quem começa a censurar, quando vai parar? Da mesma forma me preocupa a tão propalada regulação da mídia. O que o Estado quer verdadeiramente regular? A mídia que apoia os que estão no poder é tão parcial quanto à que não apoia. A censura deve vir de cada um: não gosto, não leio, mas não me venham dizer como, ou o que, devo ler. Ser Charlie não é concordar com o que a Charlie Hebdo publica, mas sim defender o direito dela publicar e se indignar com o uso de armas contra canetas. Por me indignar com qualquer intolerância, mas principalmente com a intolerância religiosa, que vitima tanto jornalistas em Paris quanto aldeões na África ou pastores no Oriente Médio, Je Suis Charlie Sim! Janeiro de 2015

— Soninha
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