ESSA É A MORENAÇA DA RUA 3 DE FEVEREIRO
Marlene Oliveira Amaral, casadinha com Willian do Tião do Vico há anos.Tinha 16 aninhos quando o turco bateu o olho,apaixonou,grudou e deu no que deu.Ela achou a voz dele linda quando o viu declamando ''Eis a última palavra'' do poeta J.G.de Araújo Jorge e o ´"Ébrio" de Vicente CELESTINO.Apaixonou e... _Marlene,eu gosto da sua cor porque não desbota. _Gosta muncado bão? _Virge! Ocê parece ca Perla do Paraguai,tem cabelo comprido...Perna grossa...Num querôta,não,só querocê. _Eu gosto docê por causa cocê é turco e fala bonito.Ocê pa falá é muito mió que o Cid Moreira que começou no Jornal. _Ah! Só cu cabelo dele é muito mió que o meu. _Acho o dele muito lambido,o seu fica quetinho garrado na cabeça. _Marlene,bamo casá,ocê já é normalista,eu já tô trabaiano cu meu pai... _Uai!Eu topo.Eu cu meu emprego,ocê cu seu... _Eu acho chique eu sê marido de professora. _Larga mão de bobeira.Nóis casa e no fim do mês nóis junta os cobre. _O meu vai fazê fartura memo é na coiêta. _Bamo marcar a data do nosso enlace matrimonial,então,sô. _Marlene,canta GREENFIELDS pro seu turquinho aqui. _Canto,uai!
_"Lá tão distante Por trás do sol Lá bem distante Onde o por do sol Põe tons vermelhos Na noite como um véu Onde aos meus olhos A terra encontra o céu Vivia outrora o meu bem Em Greenfields Greenfields é o meu lar Meu mundo enfim Lá eu guardava Alguém só para mim lá me esperava A noite o meu bem Lá, onde o sonho Morava enfim também Vivia outrora o meu bem Em Greenfields Eu nao sabia Que um dia ao regressar Já não mais teria Alguém a me esperar E que o encanto A paz e o amor Se tornassem pranto Frio e amargor E hoje de volta Para meu lar Já não encontro Alguém a me esperar Tudo e tão triste Na fria a solidão Em tudo existe e envolve a mim também Como é tão triste O meu Greenfields Sem meu bem''
_.Nossa,Marlene!Meu zói encheu dágua. _Agora é ocê.Declama o Ébrio. _Decramo,uai!Eu decramava na escola,por que não vou decramá procê,né?Escuta:
_''Nasci artista. Um cantor. Ainda pequeno levaram-me para uma escola de canto. O meu nome, pouco a pouco, foi crescendo, crescendo, até chegar aos píncaros da glória. Durante a minha trajetória artística tive vários amores. Todas elas juravam-me amor eterno, mas acabavam fugindo com outros, deixando-me a saudade e a dor. Uma noite, quando eu cantava a Tosca, uma jovem da primeira fila atirou-me uma flor. Essa jovem veio a ser mais tarde a minha legítima esposa. Um dia, quando eu cantava A Força do Destino, ela fugiu com outro, deixando-me uma carta, e na carta um adeus. Não pude mais cantar. Mais tarde, lembrei-me que ela, contudo, me havia deixado um pedacinho de seu eu: a minha filha. Uma pequenina boneca de carne que eu tinha o dever de educar. Voltei novamente a cantar mas só por amor à minha filha. Eduquei-a, fez-se moça, bonita... E uma noite, quando eu cantava ainda mais uma vez A Força do Destino, Deus levou a minha filha para nunca mais voltar. Daí pra cá eu fui caindo, caindo, passando dos teatros de alta categoria para os de mais baixa. Até que acabei por levar uma vaia cantando em pleno picadeiro de um circo. Nunca mais fui nada. Nada, não! Hoje, porque bebo a fim de esquecer a minha desventura, chamam-me ébrio. Ébrio...''
_Willian,deixa eu secar meu zóio na manga da sua brusa. Bamo lá no Padre João,meu turco.Bamo marcá,quero ser sua legítima esposa. _Ê,lasquêra!Chora bananêra!
Ê Arface e Marlene! Verdade a música e a declamação.Meus colegas de escola por testemunhas. UM SALVE PARA A FAMÍLIA!









