14 de janeiro de 2019

ESCRITORES CAMPEÕES LÁ NA ''BELLA MINAS

ESCRITORES CAMPEÕES LÁ NA ''BELLA MINAS'' Resultado do concurso de Redação do ''Bão De Prosa'' que tinha o título, A Rua Da Minha Casa. Só ontem a noite os três se juntaram para um jantar oferecido p

ESCRITORES CAMPEÕES LÁ NA ''BELLA MINAS''

Resultado do concurso de Redação do ''Bão De Prosa'' que tinha o título, A Rua Da Minha Casa. Só ontem a noite os três se juntaram para um jantar oferecido pelo Lenilton Soares e Regina Soares, na lindíssima ''Pousada Bella Minas''.

As meninas professoras, Giceuda Fidélis Goulart e Leila Oliveira Maia estavam esperando a vinda do Padre Vânis Vieira da Cunha para festejarem a classificação, ele mora em outra cidade e precisou de tempo na agenda.

Deu certo.Foram muito bem recebidos e ficaram encantados com o espaço.A prosa, me contaram, foi das boas. Queriam aproveitar o padre para uma confissão, mas pra não pesar o ambiente,largaram mão dos pecados e danaram a contar causos.

Parece que na mesa esqueceram de falar das viagens em jardineira, em leiteiro, carroça,cavalo, carro de boi, e danaram a contar prosa de avião, turbulência, aeroporto, atlântico, coisa e tal.Nada mal.Tá tudo dimudado.

O Vânis virou mesmo escritor, presenteou os amigos com seu livro, ''O retrato que rabisquei um dia'', acabou de sair do forno.Agradeço ao padre o exemplar que me enviou.Sucesso!

Aproveito a oportunidade e mostro para quem mora longe, um pouco do que é a ''Pousada Bella Minas'' que tem encantado visitantes do Brasil e outros países.

Ah! Quanto ao chapéu do Lenilton, usou só mesmo pra dizer aos vencedores do concurso, ''Pra vocês eu tiro meu chapéu''.

Salve os campeões! Parabéns, Giceuda, Vânis e Leila! Obrigada,Lenilton e Regina. E viva o Guapé e viva nóis e viva tudo e viva o Chico Barrigudo!

AS REDAÇÕES VENCEDORAS

De:Leila Maia- terceiro lugar

A RUA DA MINHA CASA

Nasci na Rua 3 de Fevereiro, em casa, e essa casa continua lá, na esquina do Casarão. Falar que a gente era feliz e não sabia, não cola, porque a gente sabia ‘’SIM’’. Só tive irmãs, mas portávamos como os meninos da vizinhança. Nosso brinquedo preferido era esconder dentro dos ‘’paióis’’, quietinhos, sem piscar, tendo a nossa frente enormes ratos que iam lá saborear as espigas de milho. Não tínhamos medo.

Quase todos da rua eram artistas; com isso, sempre brincamos de teatro. O ingresso era um pauzinho de fósforo e em cena se fazia de tudo: Mágica, subida nas portas, dança, canto e poesia.

Quando meu pai comprou duas bicicletas para nós, a molecada toda andava, cada hora era um que pedalava.Com dez anos, eu era um sucesso, tirava os pés do pedal e colocava em cima do cano. Os meninos da rua debaixo ficavam só olhando. Com isso o Toin Loreta fez uma bicicleta de pau e que rodava com muita peleja.

Fizemos também procissõezinhas carregando no mês da maio pelas ruas uma santa que era de minha mãe. Eram tão organizadas que o povo pedia para irmos em suas casas. Tinha fila, cantoria, coroações. Até café com biscoitos davam pra gente. Juntamos um bom dinheiro e conseguimos uma imagem de Nossa Senhora com olhos de vidro da Aparecida do Norte. Quando ela chegou foi uma alegria só, mas que durou pouco, porque nossa amiga Dalva do João Coelho que era uma das dirigentes mudou para Betim levando nossa Santa. Pronto! Ficamos sem nossa amiga e sem nossa santinha de olhos de vidro. Lá se foram nossas procissõezinhas...

Em Guapé havia pessoas que eram chamadas de ‘’doidas’’, mas não tínhamos medo porque era de nossa convivência. Nosso medo era da Mula Sem Cabeça que aparecia no tempo da Quaresma. Não via um menino na rua. Sumia tudo.

Já naquela época tínhamos nossas paixões escondidas. Eu gostava do Zé do Tote, minha irmã do Zé Barbosa e as outras também, entre suspiros, engoliam suas paixões. A gente ‘’namorava’’ com eles, mas eles mesmos não sabiam.

A rua da minha casa, era para mim, a melhor da cidade. Como fomos felizes! Quantas lembranças boas guardamos! Quantas amizades sobreviveram! Anos Dourados que se foram... MINHA RUA. MINHA VIDA. ........................................

De: Vânis Vieira Cunha- Segundo lugar

A RUA DA MINHA CASA

Rabisquei o envelope da carta porque as mãos tremiam. Após deixar Guapé, notei coragem para escrever aos meus familiares. O endereço, com caligrafia emocionada, tangia o nome Rua Padre Domiciano. A primeira de muitas cartas que escreveria aos familiares nos anos de estudo no seminário. Hoje, não escrevo cartas e confesso que sinto saudades do tempo em que as cartas eram recheadas de emoções.

A Rua Padre Domiciano começa lá nas margens da represa azul que dividiu a cidade em Guapé velho e cidade nova. Naquele tempo, quem descia por ela vislumbrava a praça e a Igreja Matriz. Há quem diga que são nas águas que a vida começa...

Morar nesta rua foi o começo de uma nova etapa. Mudei aos 10 anos de idade, da roça para a cidade, para estudar, fixando morada na casa de minhas tias, no numero 309. Ali as crianças brincavam com liberdade de invejar e, vez em quando, corriam assustadas com medo da “Nega da Joaninha” que morava numa casinha de tijolos à vista. A rotina dos moradores era bem cronometrada, todos se cumprimentavam e sabiam, no bom sentido da vida, uns dos outros.

As vizinhas ficavam em longas prosas sem as perturbações atuais do individualismo e violência. Ninguém sofria ou se alegrava sozinho, compartilhava-se tudo da vida sem a intenção de fofocas. Além destas nuances panorâmicas da rotineira vida dos moradores, ficou gravado a Elis Regina Florêncio subindo, empurrando uma bicicletinha, indo lecionar nos primeiros anos de magistério.

Quando volto a Guapé, sempre incluo no roteiro a Rua Padre Domiciano que não mudou muito. Ficaria feliz se não houvessem os muros e grades e sim canteiros de margaridas, cercadas de grama bem verdinha na frente das casas. As calçadas bem feitas e com boa iluminação. Nesta utopia, seria a mais linda de nossa cidade.

No dia que me despedi de Guapé, ao subir a rua com pesada mala, chegando à pracinha voltei meu olhar e contemplei-a até na curva que ela faz bem na casa da Joana e não vi o lago. Mas, meus olhos lacrimejaram... Águas que foram ao encontro das águas ao fundo. As lágrimas são águas e elas são sempre o começo de uma vida. ................................................ De: Giceuda Fidélis- Primeiro lugar

A RUA DA MINHA CASA

Aquela rua não é mais a mesma rua e aquelas casas não são mais as mesmas casas. Quando eu passo por lá sinto vontade de chorar. Se essa rua fosse minha, não mandava ladrilhar, deixaria como era, chão batido, barro, poeira pelo ar. Construiria um muro bem alto, um arranha-céu para ninguém de sair de lá. Quantas pessoas queridas foram embora dessa vida! Quantas por esse mundo afora! E até a rua mudou-se de endereço.

Quantas travessuras ali vividas... Brincadeiras...Balança Caixeta...Maria Sai Da Lata...Cantigas de roda, parlendas, quadrinhas, só para ganhar um beijo,um abraço do menino mais bonito e da menina mais querida. Lá na minha rua eu era a dona do Circo, a chamada era assim, ‘’Circo Americano, quem não tem dinheiro passa por baixo do pano.’’

Lá na minha rua, depois da festa do congo da cidade tinha a nossa festa, a molecada batia lata, bacia, panela velha, cantava. Era o nosso congo que enlouquecia os vizinhos. Era o Pio e o Oswaldo dando broncas e a gente escalando a montanha, só que era de sacaria e do alto a gente virava piruetas e mergulhava no monte de palha de arroz.

Moravam lá uma figuras lendárias, Sá Ana Gardina, bem corcunda, com sua canequinha e nas costas o seu cobertor pedindo café. O João, seu filho, saía ano entrava ano, era corintiano e sempre com seu radinho no ouvido. A Nininha carregava esgarranchado na cintura, o seu filho Zé Antônio e ficava pocessa quando era chamada de Gata da Boléia. No casarão da esquina D.Carmem, a turca, era dona do quarteirão e se irritava quando a molecada pulava a cerca de bambu e roubava suas frutas, a gente gargalhava quando ela esbrevejava, ‘’eu sabia que tu era putis, mas non sabia que tu era putis sem bergonha.’’

Acordar nas manhãs quentinhas, ouvindo o Zé Béttio, as músicas, a sonoplastia, misturado com o barulho da máquina limpando arroz e café, mais o martelinho do Zé Cavalhada fazendo tachinhos, o barulho cadenciado das patas do cavalo garboso do Mário Matuço dos dentes de ouro, esses sons eram exclusivos da minha rua.

Éramos seis irmãos,Antônio, meu pai lavrador, Gláucia,minha mãe lavadeira.Sinto o gostinho do mingau, do angu doce, do tareco, do fubá afogado.Quando arrumava um dinheiro, pegava pão quentinho na charrete do Luiz Padeiro. Nessa minha rua hilária,dizia meu avô Zé Chico que na calada da noite um carro de boi cantava e ninguém via.Na esquina do Cidinho tinha a Loba da Quaresma. E tenho na memória, causos e bizarras histórias.

É, minha rua,hoje não mais te reconheço,mas tenho por você grande apreço.Ficará para sempre em minha lembrança, minha Rua Boa Esperança. Numero 400.

PessoasMariaReginaRosaLeilaLenilton SoaresRosaChicoJoãoToin
LugaresGuapéCidade NovaIgreja MatrizMatrizRua 3 de FevereiroLagoBoa EsperançaAparecida
TemasFamília e CasamentoReligião e ProcissõesCidade Velha (saudade)Comércio e TrabalhoCrianças e EscolaNatureza e LagoCausos e HistóriasComida e Receitas
— Soninha
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