A ESCOLA DE ANTIGAMENTE, AQUI DA OUTRA BANDA DO RIO
PROFESSOR NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX
QUEM ERA ALVIM? Alvim Antero Soares era o professor, era de Piumhi, lá fez o primário e ainda jovem veio pra cá, Araúna.
QUE MAIS? Era nosso vô,escrivão em Araúna, era albino,tinha os irmãos,Inésia,Joaquim e Lilia, essa nem no sol podia sair, totalmente albina também.
ALVIM CASOU COM MOÇA DAQUI? NÃO,casou com uma moça de Capitólio, na época, Arraial das Sete Cabeças,casou com vovó Guiomar e foram pais de Odete,Maria das Mercês-a Lica e nosso pai Itamar. Vovó Guiomar também lecionou lá.
E O JEITO DE SER DE ALVIM? Muitíssimo exigente,muito enérgico,tanto que nunca chamou meu pai sem o pronome de tratamento ''senhor'', desde que nasceu era Sr.Itamar. Ah! e já levantava de terno e gravata,nunca foi visto vestido diferente, e por essas e outras muito respeitado.
GOSTAVA DE POLÍTICA? Demais.Era envolvido com Passos Maia e os políticos da sua época e gostava muito de um discurso,tem até um registrado no livro ''Guapé Para Sempre''.O Alvim vinha todo alvo sobre seu cavalo e muito elegante com seu terno e gravata participar das reuniões e eventos políticos.
FOI UM HOMEM ESPECIAL E SABE POR QUÊ? Porque usou sua inteligência e sensibilidade para o bem.O que fez dele especial foi sua vontade e capacidade de alfabetizar e para isso criou um método de ensino escrito a mão, letra cursiva bem desenhada,mas o tempo além de amarelar desmanchou em pedaços as folhas que sobreviveram décadas.Estaria aqui se tivesse pelo menos todas as folhas guardadas em caixa especial.
QUEM ERAM SEUS ALUNOS? A maioria que morava aqui dôtra banda,inclusive minha mãe e meu pai que contava muitas histórias.Existem livros de atas em exames finais,ia inspetor para avaliar os alunos,um era o Zé Prado,pai do Dr.Nilton Prado.Era uma data muito importante para a comunidade e todos os envolvidos. A alfabetização era de valor extremo.
E AÍ? QUE MAIS? E aí que muitos anos depois minha mãe que foi pra ele uma aluna muito querida, casou-se com seu filho Itamar e foram morar juntos na casa do Largo e ele com apenas 55 anos ficou doente e ela foi lecionar no lugar da vovó Guiomar,como disse,professora também,afastou para cuidar dele que morreu aos 56 anos.E nós,os netos nem tivemos o prazer de conhecê-lo já que foi embora antes de nosso nascimento.
ESSE FOI O PRIMEIRO TEMPO,ATÉ 1950.E DEPOIS? Depois? O segundo ficou por conta de Sabina Goulart e Germana Goulart.Os alunos foram aumentando e elas se instalavam nas fazendas.A Germana aqui na Salinas e mamãe na Biboca na casa do Chico Teixeira e assim iam rodando e é inacreditável o que ganhavam.Muito pouco,quase nada.
NUNCA TIVERAM UMA CASA DE ESCOLA? Sim,mais tarde,aí foi criada uma escola no povoado,ficava no Largo da Matriz de Araúna e Germana morava bem ao lado do prédio da escola e Sabina do outro lado da igreja.Mais tarde Terezinha Teixeira foi professora no Mandembo,um doce de pessoa.
E AGORA? Agora são outras e outras professoras,mas não citarei nomes,mesmo porque tudo está registrado.Os tempos são outros e a história está aí,só a antiga que não.
CURIOSIDADE ESQUISITA Ah!!! A Escola Alvim Antero Soares depois de mais de 50 anos mudou de nome, passou a se chamar ''Padre Anchieta'',nada a ver com alfabetização em Araúna em cinco décadas do início do século passado,de certo porque Anchieta catequizou os índios,chegou em São paulo em 1.534.Cada coisa! A única lembrança que podia fazer reviver a História da Alfabetização em Araúna seria através do nome da escola, uma pena a troca porque o nome dele realmente merecia estar lá para sempre. -------------------------------------------------------------------- AS FOTOS A foto que tenho do professor Alvim é de péssima qualidade,tenho essa da vovó Guiomar, a da mamãe de permanente no cabelo quando começou na escola e umas das últimas dela e consegui essa da Germana,através de seu filho Dédi em Campinas.
Ouvimos tantas histórias desses tempos e essas duas foram muito valorizadas,todos queriam suas visitas,todos queriam hospedá-las como professoras.Os tempos mudaram,ninguém valoriza mais professor,nem nas roças.Hoje ainda tem comida na escola e carros para voltarem pra casa,mas teve tempo aí,não muito longe que passavam fome esperando carona.
Um abraço para todas as professoras que escreveram a história de Guapé em todas essas roças e no caso aqui,principalmente Araúna.







