ELA, A MAGRELA, A SEMPRE LEMBRADA SÁ ANA GARDINA!
Texto: Marcelo Lagoa
Acabou-se a família da Sá Ana que morava na esquina! Lembro que, aos 7 anos de idade, passava em frente a casinha deles ali na antiga Rua Boa Esperança (Acho que hoje tem outro nome). Algumas vezes fui à escola conduzido pelas mãos de meu Avô, que visitando nossa casa (meu Avô morava em São Paulo) tentava me convencer a ir para a Escola, enquanto eu choramingava dizendo que não, que gostaria de ficar em casa, desfrutando de sua companhia... Aquela rua era o meu caminho, desde casa, na Rua Três de Fevereiro até o Grupo Escolar, e fazia-o todos os dias da semana, de segunda a sexta-feira. Eu tinha um certo medo da Sá Ana e por vezes assisti ela conversando com Nininha no quintal. Sá Ana e Nininha tinham um jeito severo de conversar, que botava medo na gente. Sem acabar a conversa dentro do quintal, a Nininha saía para a rua, ainda falando sozinha; enquanto Sá Ana permanecia no quintal, mãos na cintura ou no cabo de vassoura, discutindo agora para ninguém. Eu, é claro, quando via a cena "cortava volta", passando imediatamente para a outra banda da rua, com medo de levar algum piparote sem motivo nenhum. Mas o tempo se passava e eu fiz amizade com o João, que sempre me dava notícias de futebol e também dizia que tinha estudado no Colégio com meus primos mais velhos: Jonas, Nenê e Janete. João gostava de me provocar: Quando eu passava por ali, ele imitava minha vozinha fina de criança, choramingando para meu Avô dizendo: "Deixa eu ficar em casa, vozinho!" e depois engrossando a voz, imitava meu avô: "Não, meu filho! Precisa estudar pra você virar Doutor!"
João vivia de cócoras, sentado do lado de fora de um pequeno casebre separado da casa (mas que ficava no mesmo quintal), com o radinho colado no ouvido. E foi assim que passava os dias. Com uma mão segurava o rádio, com a outra cutucava o chão com uma pequena varinha. Seus dedos viviam sujos de terra... E eu nunca vi o João andando pelo quintal da casa! João morreu devagarzinho, encolhido em seu colchão de espuma, no casebre. Dizem que andou gemendo de uma dor "no pé da barriga" por uns dias. Ficou amuado, entrou pra dentro da casinha e não saiu mais. E assim se foi...
Também conheci o José Antônio, um rapaz pouco mais velho que eu, sempre caladinho e trabalhador. Triste, hoje... Muito triste! Hoje recebo essa triste notícia: José Antônio também se foi. Assim, encerra-se a história daquela família lá na Rua Boa Esperança, habitantes de uma pequena casinha na esquina ... Pois com a passagem do José Antônio para o outro lado, não sobrou ninguém na cidade para contar histórias... Foi uma família sofrida, pobre, com diversos problemas de saúde. Mas era uma família digna, que trabalhou enquanto teve condições físicas e psicológicas para isso. Uma família de cidadãos simples de Guapé, e que faz parte agora do nosso folclore. Deus te receba no Céu, José Antônio. Ajude aí o Joãozinho regular a Estação do Rádio. E diz pra ele que dessa vez não teve pra mais ninguém: E o Flamengo levou dois campeonatos de uma só vez.
............... ............... ............... ............... ............... ''BÃO DE PROSA'';
Marcelo,é um prazer postar suas lembranças e acrescento...
Tinha a Terezinha também filha da Sá Ana, morava em Belo Horizonte com a família do Dr.José Sebastião,bateu asas e não faz muito tempo.
A Sá Ana era magrinha, magrinha, totalmente magrinha e corcunda, cabelo liso e sempre amarrava uma embira na cintura, mas que sempre ficava abaixo da costura, era bem corcunda,amava café.Gostava de rezar também no Cruzeiro pedindo chuva, as pessoas lembram muito, o Cruzeiro ficava numa terra batida, perto onde hoje é a rodoviária e a Escola Sonho Meu.
Temos também na lembrança a figura da Nininha carregando o Zé Antônio na cintura até bem grandinho, não sei se era manha ou se demorou a andar.Nininha foi funcionária da Iolanda.
PEDACINHO DE UM TEXTO DA GICEUDA:
Moravam lá uma figuras lendárias, Sá Ana Gardina, bem corcunda, com sua canequinha e nas costas o seu cobertor pedindo café. O João, seu filho, saía ano entrava ano, era corintiano e sempre com seu radinho no ouvido. A Nininha carregava esgarranchado na cintura, o seu filho Zé Antônio e ficava pocessa quando era chamada de Gata da Boléia.
BENVINDAS TODAS AS LEMBRANÇAS!







