VIVA SÃO JOÃO! VIVA A SAUDADE!
(Hoje é Dia De São João e De ''Novo,Novamente, Repetindo'' Posto Pela Terceira Vez Porque Vivi a Cena e Porque é Lembrança e Porque Você Lê tanta Coisa No Face Que Esquece.) Pode Ler! ....... ....... ....... ....... .......
CASAMENTO DE RIR,EM 1900 E BOLINHAS
O NORVO CANORVA E FARRA E RISADA
ÊTA NÓIS na sétima série do ginásio! Festa Junina da escola, 1900 e antigamente e muita falta de juízo. A prova taí, o retrato, taí o cavalo, o condutor da charrete, e taí o condutor do cavalo que era o Paulinho do João Bejamim,juízo zero,parecia que nem batia bem dazidéia, tinha os pinos fora do prumo,era levado demais, aprontava todas e muito popular e divertido.
O NOIVO era o Zé Rogério do Zé Arão e a noiva, eu, Soninha do Itamar. Ê, lasquêra! Os padrinhos, soRtinhos atrás na charrete, sem nadinha pra firmar com as mãos, era o Dr.Tião do Juca Procópio,o de chapéu, a Regina Loira e a moreninha,Zezé do Toin Barba. Agora,o tal do padre, era uma piada, era o Bolão,vestido com uma capa preta, incentivando as doideiras do Dr.Paulinho Jorge. Ao lado, no chão, controlando o cortejo, indicando os locais de passagem, o Dr.Zé Luiz Laudares. Atrás, intermediando a palhaçada,Dr.Miguel,o Doni do Jafé ajudando na folia.
SÓ A PRAÇA tinha asfalto, nas ruas de terra, muitos buracos, cascalho, e o chofer Paulinho, não podia fazer diferente, era talentoso, em vez de desviar, fazia questão de passar em tooodos os buracos só pra gente gritar de medo. Não desviou de nenhum. Ê, moleque levado da breca! E foi assim que desceu rua abaixo, foi assim que rodeou a praça, bem em frente a casa paroquial, sabendo o tanto que era brabo o padre, gritou beeeem alto: _Viva o Padre Joãããão! E aí nóis: _Vivôôôô!!!!!
E SUBINDO, passando pela Rua Leopoldina Maia, bem em frente a casa de D.Aparecida Amaral, a séria diretora do Grupo D.Agostinha Flor de Maria, a façanha do chofer se repetiu: _Viva a diretora D.Aparecida Amaraaaaal!!!!!! E aí nóis: _Vivôôôô!!!!
O CORTEJO continuou e logo em frente a delegacia, berrou: _Viva os soRdados do Guapéééé!!!! E aí nóis: _Vivôôôô!!!!
E ASSIM foi indo a comitiva de moleques adolescentes, cidade afora, gritando viva para todas as autoridades da cidade, e o Zé Rogério batendo um sino,ele pegou o da escola e fez muito barulho. Isso sem falar que o Bié,irmão do Fio, um mocinho que tinha um nó nazidéias, na hora do viva jogava um punhado de pedrinhas de brita nas casas conforme o chofer apontava na hora do viva. O Zé Luiz, Doni e nóis era pura risada e molecagem e incentivavam o Bié a catar as britas das beiradas do asfalto da praça pra jogar nos telhados.
RESULTADO, quando depois de passar a roda da charrete em todos os buracos e quase toda hora correr o risco dela virar, ele freou o cavalo no portão da escola onde a platéia esperava, e lá,também esperava o real pai da noiva, o Sô Itamar, BraBo demaaaaais, braBo fora do jeito com a molecagem onde a filha dele estava,ficou brabo cunôRvo,brabo cupadre,brabo cuspadrinhos, enfim, quem acompanhava o cortejo, e com o Pau-li-nhoooo,então, meu Deus! Ele apontava até o dedo e gritava:
_Tá doooido,Paulinho? Essa charrete disparada podia ter viraaaado.Coinfeito, Sônia, fez essa palhaçada sem me falar, achei que era brincadeira com professores dentro da escoooola.Coinfeito cocê! Não sabia que cê era boba assim não.Mata a gente de vergonha.Um bando de moleque de charrete gritando, correndo,foi um risco.Amanhã vou conversar cuspai docêis,viu?
COMO estava marcado,aconteceu, entramos rápido já que o casório era o mais importante da festa, mas, o Bolão,muito levado e muito engraçado e que era o padre,a peça chave dos diálogos decorados, levou debaixo da capa preta uma garrafa de bebida forte, beberam, ficaram impossíveis e ele ficou tooon-ti-nho, tontinho, e o que virou o casamento? Virou em nada, ele nada fazia mais do que rir muito, imaginem, perguntas e respostas decoradas,hora lá no altar, como ele só ria, não conseguia dizer nada, sendo assim, ninguém tinha como responder o decorado, claro, se não tinha pergunta, não tinha resposta.O texto? Zero.Gargalhadas? Mil.Só dos artistas porque ninguém entendeu.
O SÔ MÁRIO Tibúrcio que era o convidado de honra da escola, o que passou o texto, viu que nossa apresentação foi um grande fiasco,ele,que saiu de casa no frio e lá estava prestigiando, ficou decepcionado porque tanto ria o padre, como riam os noivos e os padrinhos.Foi ele embora decepcionado.Vexame total.
O CASAMENTO acabou ali, nas risadas,só risadas, o sogro real, meu pai,foi catando a noiva numa brabeza danada e levando-a pro castigo. Agora, do resto da noite não sei contar, mas, sei que por muito tempo houve comentários e risos em sala de aula e encontros relembrando a palhaçada.
E PERGUNTO, onde será que estavam os professores e direção da escola que deixaram a gente sair assim pela cidade, sem ter um responsável?
NÃO SEI. Mas, sei que tenho esse retrato que é um belo registro de nossa adolescência e esse causo para contar aqui, um prazer,escrevendo lembranças alegres e marcantes.
E VIVA SÃO JOÃO!
(Mais tarde os moleques viraram pessoas de responsabilidade. Bolão e Regina viraram funcionários do estado. Miguel, o Doni, Zé Luiz, Paulinho, Tião, Zé Rogério, viraram engenheiros e Zé Rogério prefeito de Guapé por duas vezes.Zezé professora primária, eu, professora de Comunicação e Expressão e contadeira de causos aqui no ''Bão De Prosa. O alegre colega Bolão virou anjo.)
É Nóis aí, geeeeente...




