Verbos e gerúndios pela ponta dos dedos
O mestre Zeferino Moscoso recordando, na porta da Colombo, seus heroicos tempos de professor de gramática em Crubixais do Alto: - Aquilo é que era educação! A gente largava a palmatória na meninada de sair verbos e gerúndios pela ponta dos dedos. Os mestres tinham o apoio dos pais. Chiquinho Cravo, que depois foi deputado e senador, aprendeu gramática com meia dúzia de palmatória. Antônio Barbirato, filho do desembargador Barbirato das Neves, na primeira cacetada que levou na raiz do ouvido desmaiou. E quando voltou do desmaio estava falando francês. Aquilo é que era ensino! Hoje, com essa mania de modernismo, o negócio virou da cabeça para os pés. O mestre agora apanha dos alunos. Um colega meu do Educandário Afonso Pena levou uma cabeçada tão ferina que ficou três dias sem fala. Quando recobrou a voz foi para gritar pela progenitora e pedir aposentadoria. Não falando do caso do doutor Penedo Riscado. Pegou tanto bofetão nas bochechas que botou pela boca Os lusíadas de Camões, fora outras obras de pequeno porte. Por essas e outras é que deixei o ensino. A gente amassa um aluno e vai preso. Só porque retirei do seu devido lugar um par de orelhas, levei processo, fui destratado pelos jornais e comi o pão que o diabo faz em sua padaria de desgraças. Ensino, nunca mais!
Porque Lulu Bergantim não atravessou o Rubicon José Cândido de Carvalho Editora Rocco - Rio de Janeiro 2003
Esta crônica foi escrita da década de sessenta. Os problemas, no ensino, não mudam muito.
(Gostei,Renato.)



