4 de agosto de 2014

UMA FOLHA EM BRANCO

Uma folha em branco é uma das maiores tentações que povoam o meu cotidiano. Como eu gostaria de nunca me encontrar frente à frente com uma folha em branco! Mas ela está lá, palpitante, atraente, a ver

UMA FOLHA EM BRANCO

UMA FOLHA EM BRANCO

Uma folha em branco é uma das maiores tentações que povoam o meu cotidiano. Como eu gostaria de nunca me encontrar frente à frente com uma folha em branco! Mas ela está lá, palpitante, atraente, a verdadeira sereia da confissão, da entrega e da confiança naquilo que ocupa a mente. Trata-se do segredo, da intimidade, aquilo que ocupa a nossa mente, os nossos pensamentos. Como resistir a esse turbilhão de sensações, de possibilidades e sobretudo de incertezas? -Nunca sabemos onde pode levar às pessoas, o que dizemos a elas, sobretudo quando o fazemos é “virtualmente” e não no “tête à tête”, e neste caso podemos observar a reação, no instante, de imediato! Houve um tempo em que pensei como seria bom, criativo e gostoso, ter vivido nos tempos do romantismo no século XIX, ou ainda no século das luzes (tempos de Voltaire-século XVII): naquelas épocas tinha-se tempo para a arte, para a poesia, para a música. Vejam por exemplo Mozart, Kant, Victor Hugo, etc. Eles são os frutos daqueles tempos. No século XVII, pelo menos na França, vivia-se exclusivamente para o “divertissement” ou seja o lúdico, a arte. As classes inferiores cuidavam de produzir o que necessário fosse, para a sobrevivência. Saraus aconteciam à tarde, as festas tinham lugar à noite, qualquer que fosse o dia da semana e a corte fornecia as condições para que tudo acontecesse conforme previsto. A plebe pagava a conta! Pronto, falei! Pelo menos a folha deixou de continuar em branco! Ainda que uma folha virtual – a tela do notebook!

Wenceslau Ávila

— Soninha
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