Texto: Wenceslau Ávila
A MORTE PELA INTERNET
A Sra. Jane McDowell com seus 74 anos, encontrava-se, como sempre faz toda manhã em sua recém-criada pagina no Face. De repente ela vê subir, no canto inferior direito de sua tela, a entrada de alguém, afirmando: “Estou em segurança em Londres”! Como um raio que percorre a nuvem de chuva, à sua mente chegou a informação de que sua filha Hellen, devia se encontrar em Londres pois foi lá que ela escolheu para comemorar suas bodas de prata com o Sam. No contato via Skype da véspera Hellen disse que iriam conhecer Westminster Abbey e o Parlamento. A Sra. McDowell não acreditou quando, na sequencia sintonizou a CNN e as imagens mostravam exatamente a ponte Westminster, ao lado do Parlamento, onde uma grande movimentação podia ser observada. Parecia um acidente de carro no meio da ponte, já com várias ambulâncias e viaturas dos bombeiros. Não, não era um simples acidente de transito. Um repórter da CNN, já no local mostrava o restante dos acontecimentos: um homem deixou o carro “acidentado” no meio da ponte e saíra em disparada em direção à entrada do Parlamento e a primeira pessoa que se opôs à sua passagem, um policial, recebeu um golpe de faca no abdômen e estava caído. Poucos metros diante o assassino jazia em uma poça de sangue. O colega do policial morto havia sacado a arma e abatido o homem em questão. A Sra. McDowell deixou de vez o seu Face e, curiosa com todos aqueles acontecimentos, grudou os olhos na televisão. A câmera já havia voltado para o meio da ponte Westminster, agora totalmente tomada por veículos de socorro e pessoas observando por traz de um cordão de isolamento. Foi neste momento que a Sra. McDowell observou que sobre a calçada lateral da ponte, o pessoal do resgate tentava reanimar uma mulher deitada de costas no asfalto. “Mas aquele cachecol é da Hellen!” Do lado da cabeça da mulher que estava sendo atendida ela pôde ver com clareza um cachecol de lã, com as mesmas listras, do cachecol da sua filha. Sozinha em sua casa, a 8mil quilômetros ou mais de Londres, exatamente no interior do estado de Utah, no oeste dos Estados Unidos a Sra. McDowell levou a mão ao peito, forçando-o para que algo não escapasse dali de dentro. Com os olhos colados na tela, em um relance, ao lado do joelho do paramédico, apoiado no asfalto ela pôde ver o rosto da mulher alongada no solo e aí não teve mais dúvidas: era com certeza o rosto da sua Hellen: a boca, o nariz, até o queixo! Era ela. E o Sam onde ele foi? Mas ele está ao lado dela meu Deus, com seu sobretudo camurçado e o eterno gorro cinza igual a sua barba e o bigode! O olhar parou, na boca aquele gosto de anestesia e o corpo enrijeceu, a mente, só a mente, encontrava-se alerta buscando explicação para o que estava acontecendo, quase em tempo real. Foi quando a Sra. McDowell deixou de estar presente. Ela acordou mais de 24 horas depois, em uma cama de hospital em Salt Lake City – capital do estado de Utah; esta foi, pelo menos, a explicação que estava recebendo da enfermeira, de pé ao lado do seu leito.

