Texto de: Wenceslau Ávila
O PRIMEIRO CARRO A GENTE NUNCA ESQUECE!
O primeiro emprego, o primeiro salário, até que chega o primeiro carro! Não, a gente nunca vai esquecer. Nunca tive um Fusca – contrariamente à maioria, como meu colega Prof. Carlos, de Matemática do Polivalente de Passos, que me dava carona com frequência até Formiga para ir passar o final de semana com minha namorada. Isto, até o dia que o fusquinha pifou exatamente na ultima curva antes do posto de Córrego Fundo! Felizmente os motoristas ainda são generosos, o “auto stop” ou “hitchhiking” *ainda funcionava naquela época.
Então, meu primeiro carro foi um Karman ghia. Sempre gostei do Karma ghia, tanto que depois do primeiro comprei o segundo. Karman ghia lembra Porche e Porche lembra as 24 horas de “Le Mans” na França – nos anos 1960 Ford e Porche ganhavam todas por lá O Karman Ghia tinha um inconveniente – no banco de trás não cabe sogra! Quando muito poderia caber a irmã da namorada que na maioria das vezes costuma ser menor que a própria. Então tudo se ajeita! Um Karman Ghia, quase sensual com suas curvas arredondadas, super amigável, reluzente, brilhante. Um show de carro – comprado em 12 vezes, além do seguro (não previsto no orçamento) que a financiadora exigiu!
Naqueles tempos, carros não tinham som ou pelo menos não tocava fita cassete, só tinha radio, o famoso Motoradio que depois virou Bosch. Marca boa. Alguns, mais aficionados, usavam até colocar o gravador de fita cassete no carro – um trambolho que sempre dava problema (vibração, etc.). Eu me contentei com o auto rádio.
Não tinha carteira de motorista e por quatro longos meses fugia das barreiras policiais, principalmente na cancela da entrada de Furnas (na época não existia a ponte, então todos passavam sobre a barragem). Ali costumavam se postar guardas rodoviários – uma bela sombra, agua fresquinha e sobretudo um lugar agradável. Os danados ficavam ali e quando você parava esperando a cancela se levantar os “frangos”(os franceses os denominam assim “poulets”!) se aproximavam e: “a carteira de motorista por favor! Calma, isto nunca me aconteceu. Até que em meados de 1972 consegui tirar a minha habilitação – hoje já perdi, pra dizer a verdade. Todo este sufoco era compensado pelos 140km/h que “fazia dar” naquela “retona” de quase 10kms perto do trevo de Pimenta!
Então! Comprei meu primeiro carro – um Karman Ghia rutilante e queria mostrá-lo pra minha namorada – fiz talvez a mais agradável e charmosa viagem da minha vida: de Passos até Formiga. Era um dia quente, muito quente. Subi a ladeira do bairro do Polivalente, onde ela morava,lá em Formiga. Ao invés de, no final virar à esquerda e parar no 220 na frente da casa dela, preferi voltar e parar na mesma rua que subi. Não queria que ela saísse à rua e desse de cara com aquele carrão, ali na porta! Então cheguei a pé, bati à porta, como sempre fazia quando ia de ônibus. Tão logo cheguei, eu já queria sair, claro a ideia era mostrar a super maquina.
Até que consegui: “vamos dar uma volta no bairro?” – Aceitou, a irmã veio junto. Viramos a esquina, naquele sol escaldante de inicio de tarde. Andamos 20 metros, desci pra rua e como quem não quisesse nada, fui logo colocando a chave na porta (ou você acha que já existia a abertura de porta com o aperto de um botão?). As duas ficaram paradas – sem entender o que eu estava fazendo! Abri a porta, sentei no lugar do motorista e abri por dentro a porta do passageiro e convidei-as para entrar! Imaginem as caras! Nesta hora nem Porche, nem Papa móvel e nem o mais suntuoso dos cadilacs das estrelas de Hollywood poderiam se comparar ao meu Karman ghia reluzente, fabricado no emblemático ano de 1969l Fomos descendo a ladeira íngreme, com seus paralelepípedos irregulares que faziam tudo tremer, inclusive a minha confiança na maquina, mas deu certo, pois em poucos minutos estávamos chegando à praça do hotel central e aí foi só continuar, atravessar a ponte e cair na rua da faculdade onde antes eu já havia sido professor. Tinha conseguido! Agora era só fazer o caminho de volta e ouvir as impressões da 1ª. vez! Senti, entre outras coisas, que aquilo ainda iria me proporcionar muitas alegrias. Dito e feito. Um dia ainda conto mais. *pegar carona nas estradas – fiz muito! .......... .......... .......... .......... .......... .......... ..........




