15 de novembro de 2016

TEXTO DE WENCESLAU ÁVILA

Em noite de super lua vale a pena resgatar muitas das outras das minhas luas. Há uns 10 anos atrás, somente 10 anos descobri que a lua é universal! Como assim? Por longo tempo tendo transitado entre m

TEXTO DE WENCESLAU ÁVILA

TEXTO DE WENCESLAU ÁVILA

Em noite de super lua vale a pena resgatar muitas das outras das minhas luas. Há uns 10 anos atrás, somente 10 anos descobri que a lua é universal!

Como assim? Por longo tempo tendo transitado entre muitos trópicos fico sempre calculando para não me perder nos fusos ou ainda nas estações (do ano). De repente descubro que com a lua, deveria dizer as luas, pois existem várias, este problema não existe. Quando é minguante aqui é também em Hong Kong, em Havana e na Ilha de Páscoa. Naquele fim de tarde, a bordo do Bonavita a lua me alcançou em algum ponto da Anhanguera. Era lua cheia. Horas depois aquela mesma lua, que parecia imóvel me seguia, desta vez pela janela do Bristish Airways. Muitas horas depois, meio que entre dois sonhos, levanto a janela e do interior de sombras, meus olhos são cegados pela luminosidade refletida em uma vasta superfície que descobri ser, instantes depois, o oceano. A mesma lua cheia, fazia um rastro sobre o oceano, infinito enquanto meu olhar alcançava.

Pouso, escala, desembarque, embarque e de novo, aquele mesmo pão de queijo, sim uma lua cheia lembra um pão de queijo, onde as crateras são representadas pelas crostas de queijo, do bom queijo da Serra da Canastra. Assim, quase engolida pela costa da Bretanha, do outro lado do Canal da Mancha, naquele aviãozinho que pulava como deviam ter pulado os Douglas C-47 no desembarque aliado, não muito longe dali. Em uma noite de muitos fusos, de pelo menos 2 oceanos, dois continentes quase uma dúzia de países e, apenas uma lua. Uma única lua cheia! Tinha acabado de descobrir!

Por anos a fio, mês após mês, da mesma janela do décimo andar da minha sala de almoço, também uma mesma lua. Uma “luona” que nascia onde decidiram um dia, fincar aquela coisa horrível que é até hoje a igreja dos Mormons! Era só me virar, pegar o telefone, ali mesmo e ligar pra minha mãe e dizer que da janela da sua cozinha, do seu segundo andar ela, como eu, poderia ter a mesma visão, o mesmo cenário, pelos lados da Serra da Volta Grande.

Houve um tempo, na minha mais tenra infância, lá onde o céu só aparece quando é iluminado, ou pela lua ou pelas estrelas – nas roças! Mágico era quando apenas a lua, como uma rainha reinava soberana sobre toda aquela imensidão. Na minha pequenez, com certeza inferior a 10 anos, quase em êxtase, diante da enormidade que se me representava aquele vazio que ia do solo até a lua, no ponto mais alto do céu. Era quando brincava de fazer o olhar percorrer aquele raio de luz que brotava da vegetação rente ao solo e já com orvalho, se estendia e, cortando o céu ia se acabar naquela bola de um fogo, que parecia frio, masque mesmo assim quase ofuscava. Como me sentia pequeno diante de tudo aquilo!

Hoje, não sei mais onde poderia ver uma lua tão alta nos céus assim como também não dá pra lembrar minha mãe de que a lua cheia, pudesse vir, como antes, da Serra da Volta Grande, impedida que está de entender ou atender ao meu pedido! Talvez sobrasse a possibilidade de me fazer acompanhar da lua, daqui até meu destino, em algum lugar no oeste França.

Incontáveis já foram as minhas luas, de tal modo que, nem mesmo a Super Lua, possa conseguir despertar em mim qualquer curiosidade ou mesmo interesse. As lembranças, para continuarem boas, no tempo, precisam se fazer raras. Um pouco como as pedras preciosas.

Não deixe de contemplar a Super Lua pois a próxima somente daqui a 68 anos!

— Soninha
Compartilhe esta história: WhatsApp Facebook
← Anterior
O PEDREIRO DA FLORESTA!!! AH!!!O AMOR
Próximo →
SÓ UMA PASSADINHA LÁ NA VOLTA GRANDE