6 de fevereiro de 2023

REGISTROS DO PAI RECUPERADOS PELO FILHO WENCESLAU

. ESCRITOS DO ZÉ LAU . Desde que me entendo por gente sempre ouvi meu pai contar as histórias da família e do guapé. Ele tinha um orgulho enorme de ser um AVILA. Em 2000, o ultimo ano da vida dele, fo

REGISTROS DO PAI RECUPERADOS PELO FILHO WENCESLAU . ESCRITOS DO ZÉ LAU . Desde que me entendo por gente sempre ouvi meu pai contar as histórias da família e do guapé. Ele tinha um orgulho enorme de ser um AVILA. Em 2000, o ultimo ano da vida dele, foi o ano que eu mais fui a guapé. Lá pra agosto, quando fizemos um churrasco no paredão com toda a família, eu resolvi conseguir alguém pra escrever a história dele. Contatei uma professora da Unicamp que se dispôs a passar uma semana em guape, pra gravar o que meu pai tivesse pra falar e ia cobrar 3mil reais para entregar o livro pronto. NÃO DEU TEMPO – meu pai morreu dia 6 de dezembro de 2000. . ALGUM TEMPO depois (pouco tempo) juntando as coisas no barracão onde ele vendia adubo, na gaveta do escritório encontramos uma agenda com 80 paginas manuscritas com as histórias. Ele nunca falou que iria ou que tinha escrito. Esta agenda está com a Lila. Com dificuldade, letra pequena, eu consegui transcrever e depois mandei imprimir 10 exemplares, dei uma para cada irmão. Meu pai nunca frequentou escola formal, tudo que aprendeu foi com um preceptor que meu avô contratou para ensinar a ele e seus irmãos ...como se vê aprendeu quase tudo, inclusive as 4 operaçóes.... .

EM 2024 GUAPÉ COMPLETA UM SÉCULO! Mas como era antes de se tornar uma cidade? Veja como meu pai descreveu a cidade naquela época - a cidade acabava na RUA ARAÚNA.... A Casa da minha avó. Eu conheci o Guapé quando ainda era vila. Minha avó morava na rua principal, bem abaixo da praça, perto do ribeirão. Uma rua bonita, que pegava no ribeirão e subia em linha reta até o outro lado do arraial. A casa dela tinha a frente na rua e um terreno grande. O fundo ia até o ribeirão. Meu avô (materno?) plantava de tudo na horta. Tinha milho, mandioca, bananeira. Fazia polvilho pra tratar de doente(?). O tio Avelino(irmão d aminha avó) vendeu duas posses e ainda ficou grande e não deu nada pra minha mãe. Na frente da casa tinha um calçamento de pedra para cercar a enxurrada. Quando subia carro de boi fazia muito barulho. Eu e o João Lau,meu irmão, corríamos pra ver. A enxurrada corria esparramada na rua, não tinha sarjeta, nem meio fio. Não tinha luz e as casas eram iluminadas com luz de querosene e aqueles mais ricos tinham lampião. Tinha duas igrejas (uma era a igreja do Rosário) que eram iluminadas com lanterna de azeite de mamona, feito em casa. Não tinha água encanada. Eles serviam (sic) com água de cisterna. Aqueles que não tinham cisterna serviam com água do vizinho. Os buracos das ruas eram consertados com picareta. Cada um cuidava da sua frente porque não tinha prefeitura. Não tinha privada, eles faziam um buraco, colocavam um caixote de madeira pra pessoa sentar. O arraial era só da Rua Araúna para baixo. Acima era tudo mato e no meio do mato tinha umas casinhas e tinha alguns trilhos, onde o pessoal pousava. Não tinha açougue, eles falavam em corte de vaca e era junto com a venda. O esteio de amarrar era na rua. O pessoal vinha ver matar as vacas. Tirava o couro, espichava com varas de bambu e os cachorros juntavam para lamber o sangue. Eles picavam a vaca e vendiam um pouco. Punha em um tabuleiro e saiam vendendo, o que sobrava punha no sal e secavam, porque não tinha geladeira. Minha mãe levava nós sempre nas festas do Congo e do Moçambique e na Semana Santa. Meu pae tinha três camaradas, que moravam conosco, um chamava Bernardo, o outro Ernestino e o outro Sebastião Mariano. Todos os três solteiros. Quando a gente ia nas festas, eles iam também, ficavam na casa da minha avó. Nós meninos, andávamos com os camaradas. Os meninos do arraial batiam nos meninos da roça. Tirado do livro do Zé Lau – páginas 39 e 40.

(A foto da primeira folha escrita)

PessoasMariaTiãoJoão
LugaresGuapéRua Araúna
TemasFamília e CasamentoComércio e TrabalhoCrianças e EscolaNatureza e Lago
— Soninha
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WENCESLAU ÁVILA, meu amigo Lau, apesar de todas as paisagens que já co

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