O NORVO CA NORVA HÁ MUITOS E MUITOS ANOS
ÊTA NÓIS na sétima série do ginásio! Festa Junina da escola, 1900 e antigamente e muita falta de juízo. A prova taí, o condutor do cavalo era o Paulinho do João Bejamim que nem batia bem dazidéia, tinha os pinos fora do prumo, aprontava todas. O noivo era o Zé Rogério do Zé Arão e a noiva, eu, Soninha do Itamar. Ê, lasquêra! Os padrinhos soRtinhos atrás na charrete, sem nadinha pra firmar com as mãos, o Tião do Juca de chapéu, a Regina Loira, a Zezé do Toin Barba. O padre, o Bolão, com uma capa preta, ajudando,é claro, as doideiras do Paulinho. Ao lado, Zé Luiz Laudares e Doni do Jafé acompanhando e ajudando a folia.
AS RUAS nem eram asfaltadas, muitos buracos, cascalho, e o chofer Paulinho, não podia ser diferente, em vez de desviar, fazia questão de passar em todos os buracos só pra gente gritar. Não desviou de nenhum. Ê, moleque levado da breca! E foi assim que desceu rua abaixo, foi assim que rodeou a praça, bem em frente a casa paroquial gritou beeeem alto: _Viva o Padre Joãããão! E aí nóis: _Vivôôôô!!!!!
E SUBINDO, passando pela Rua Leopoldina Maia, bem em frente a casa de D.Aparecida Amaral, a séria diretora do Grupo D.Agostinha Flor de Maria, a façanha o chofer repetiu: _Viva a diretora D.Aparecida Amaraaaaal!!!!!! E aí nóis: _Vivôôôô!!!!
O CORTEJO continuou e logo em frente a delegacia, berrou: _Viva os soRdados do Guapéééé!!!! E aí nóis: _Vivôôôô!!!!
E ASSIM foi indo a comitiva de moleques adolescentes cidade afora, gritando viva para todas as autoridades da cidade e o Zé Rogério batendo um sino e com muito barulho. Isso sem falar que o Bié, um mocinho que tinha um nó nazidéias, na hora do viva jogava um punhado de pedrinhas de brita nas casas conforme o chofer apontava na hor do viva.. O Zé Luiz, Doni e nóis era pura risada e molecagem.
RESULTADO, quando depois de passar a roda da charrete em todos os buracos e quase toda hora correr o risco dela virar, ele freou o cavalo no portão da escola onde a platéia esperava, e também esperava o real pai da noiva, o Sô Itamar, BraBo demaaaaais, braBo fora do jeito com a molecagem da filha dele, a nôRva, ficou bRabo também com o nôRvo, o padre, os padrinhos, enfim, quem acompanhava o cortejo e com o Pau-li-nhoooo, meu Deus! Ele apontava o dedo e gritava: _Tá doooido? Essa charrete podia ter viraaaado...Coinfeito, Sônia, fez essa palhaçada sem me falar, achei que era brincadeira com professores dentro da escoooola...Coinfeito! Não sabia que cê era boba assim não.Mata a gente de vergonha.
ENTRAMOS logo já que o casório estava marcado, mas o Bolão muito levado e muito engraçado e que era o padre, levou debaixo da capa preta uma garrafa de bebida forte, beberam, ficaram impossíveis e ele ficou tooon-ti-nho, tontinho, e nada fazia mais do que rir muito, hora do teatro como ele só ria, não conseguia dizer nada, sendo assim, ninguém tinha como responder o decorado, claro, se não tinha pergunta não tinha resposta, e texto, zero.Gargalhadas mil.
NOSSA apresentação foi um grande fiasco, o Sô Mário Tibúrcio que era convidado de honra e havia passado o texto pra gente, saiu de casa e lá estava prestigiando, ficou decepcionado porque tanto ria o padre, como riam os noivos e os padrinhos.
O CASAMENTO acabou ali, nas risadas,só risadas, o sogro, meu pai, catando a noiva numa brabeza danada e levando-a pro castigo e do resto da noite não sei contar, mas, sei que por muito tempo houve comentários e risos em sala de aula e encontros relembrando a palhaçada.
E PERGUNTO, onde estavam os professores e direção da escola que deixaram a gente sair assim pela cidade, sem ter um responsável?
NÃO SEI, mas sei que tenho esse retrato que é um belo registro de nossa adolescência e esse causo para contar aqui escrevendo lembranças alegres.
E VIVA SÃO JOÃO!
(Mais tarde os moleques viraram pessoas de responsabilidade. Bolão e Regina viraram funcionários do estado. Doni, Zé Luiz, Paulinho, Tião, Zé Rogério, viraram engenheiros e Zé Rogério prefeito de Guapé por duas vezes.Zezé professora primária, eu, professora de Comunicação e Expressão e contadeira de causos aqui no ''Bão De Prosa. O alegre colega Bolão virou anjo.)
É Nóis aí, geeeeente...




