NOSSA!O TREM FOI FEIO.ASSALTO AO COFRE DO CORREIO DO GUAPÉ
O Agnaldo falou: _Eu conto direitinho,mas sem foto,se colocar a foto o Guapé inteiro vai saber quem é que tá relatando o ocorrido.Fechado? _Fechado,Agnaldo. _Eu conto,então.Eu fui fechar a porta, um pediu para entrar. Deixei.Aí entrou mais dois.Quando vê, falaram que era um assalto.Dois foram para o cofre com o Lívio e um catou o Cirinho mais eu, ameaçou, mandou deitar e falou,''nem um pio''.O Cirinho pegou e falou,"pio''.Aí piorou.Amarrou nóis num canto.Culpa do Cirinho. _Mas e o Vitor? _O Vítor saiu mais cedo, a Weida, a muié dele falou pra ele ir mais cedo para treinar a reza para O TERÇO DOS HOMENS. _E aí?Muito medo? _ Aí eu pensei que nunca mais eu ia subir o morrinho,chegar na minha casa e ver o zoinho verde da Maria.Fiquei caladinho só esperando o estampido. _Que mais você pensou? _Pensei,vai ter defunto fresquinho agora mesmo.Já pensei na Cornélia com as coroas de flores. _E o Cirinho? _Num calava de jeito nenhum.PAVORÔ. _Ele falava o quê? _Pelamor de Deus! Dexêu sair, eu sofro de afrição. _E aí? _Deitou NÓIS no chão na maior braveza, mas o Cirinho continuou rateando. _E aí? _Aí como NÓIS tava des costa,ele pisou,mas culpa do Cirinho. _O Cirinho falava o quê? _Leva tudo,mas meu brinquinho,não! Agora que a minha orelha tá acostumando.Agora que desinframou. _E aí? _Aí nóis quaisfoi pro beleléu.Era dia das mamografias,tinha uma tenda em frente, o caminhão equipado e uma muiezada esperando,aí o Cirinho abusou e falou: _Se aquela muiezada desconfiá vai ser um berreiro em redó do caminhão...Larga NÒIS. O rapaz falou: _Que caminhão? _O caminhão das maminhas. _E aí? _Aí ele levou uma pisada com força,mesmo.Aí danou-se. _O quê? _Pregou um tampão na nossa boca,aí que o trem ficou feio, o Cirinho é hipocondríaco,pessoa cismada com doença,toda hora fala que tá doente,faz uma base,ele com a boca tampada,deu nele uma faRta de ar,mas uma faRta de ar...Aí o rapaz deixou um pedacinho da boca dele livre pra respirar,mas só um buraquinho. _Aí ele calou? _Ainda falou meio trapaiado,só dum lado da boca,falou assim, ''A Giceuda minha muié,é professora, é contadora de estória,ela vai por a boca no trombone''.Eu só pensei,não é trombone que ela toca,é outro trem que sopra. _E aí? _Aí nóis bambeou quando escutou,''cêis vai virar presunto''. _E o Cirinho? _Ele pegou e falou que preferia salame,aí foi outra pisada pra amassar,mas culpa do Cirinho. _E a cor do Cirinho? _O Cirinho ficou da cor do Luciano do Abrão,branquinho, da cor dum lençol.O Vítor se não tivesse ido tinha ficado branco. Eu não sei a cor que eu fiquei,nem se eu tinha cor.Eu só rezava,mas misturava Ave Maria com Santa Maria e Crendeuspai ,nem saiu reza direito. Quando pegaram o dinheiro,fugiram,a gente nem tinha perna,foi ruim demais. _E aí? _Aí o Cirinho virou um risco e falou: _Ainda bem que meu brinco ficou,vou embora depressa,o café lá em casa é a cinco e meia,tô atrasado.Fuuuuuiiiiii...... _Foi, mas agora diz ele que tá com síndrome de pânico.Vai custar a miorá. _Agnaldo,é ruim demais,né? _Põe ruindade nisso.Essa paz no Guapé é tão boa e acontece isso. _Depois de tudo o que vai dizer? _Noooossa!É muito custoso ser assaltado junto com o Cirinho,ele zanga tudo,é um perigo,tem nem graça.








