7 de janeiro de 2024

NA JANELA DO TEMPO

O tempo que revira tudo e faz um vira só de memórias, essas coisas que viram história e olhar esse retrato, faz brotar vontade de escrever ‘’Cidade Velha’’. Ela, tão jovenzinha, tão bela, está olhand

NA JANELA DO TEMPO

O tempo que revira tudo e faz um vira só de memórias, essas coisas que viram história e olhar esse retrato, faz brotar vontade de escrever ‘’Cidade Velha’’. Ela, tão jovenzinha, tão bela, está olhando o que é dela, a sua rua. A paisagem que não existe mais, mas sobrevive na lembrança dos mais velhos que viram e andaram por ela. A rua com vida não existe mais, apenas dorme seus escombros no fundo do lago. Dorme o quintal, dorme o traçado da casa, a base onde morava uma família feliz, o pai São, a mãe Nenen, os filhos Waltinho, Carlinho, Lamartine, Márcia, Webinho, e a que olha da janela, a Wanda.

De sua janela Wanda via crianças brincando em terra batida, menos a Márcia sua irmã que virou anjo bem jovem, via Maria Rolinha catando gravetinhos, via homens de paletó passando com a família para a igreja, via as moças arrumadas indo para a Pracinha, via os moços de topete passando para o mesmo destino das moças, todos engomadinhos para flertar, para namorar, para noivar.

De sua janela em dia de baile no Clube dos 70, via rapazes de terno de linho subindo para rodar no salão, sentia até o cheiro deles que ficava no ar, perfume Lancaster ou Madeira do Oriente, era um pingo atrás de cada orelha. Via as moças nos trinques, muito formosas e perfumosas subindo de sapatinhos de salto alto e sonhando com seus amores, morrendo de medo de tomarem chá de cadeira, queriam dançar.

De sua janela ela via mais, via as lavadeiras descendo para o Ribeirão da Água Limpa com trouxas de roupas na cabeça, via um carro passando muito de vez em quando, via um ou outro caminhão dos Martins roncando o motor, via Carro de Boi cantando, via cavaleiros levando compras na garupa, via muitos cavalos puxando charretes, via mulheres com feixes de lenha na cabeça,era comum para o fogão .

De sua janela via passar D dia, e todo dia, e com hora marcada, a Jardineira com os passageiros que iam para Formiga, passava pela Ponte Melo Viana, por Araúna,até chegar na rodovia. Como as crianças sonhavam viajar de Jardineira! Certamente a Wanda da janela também sonhava e nem imaginava que mudaria de paisagem.Foram para Varginha,empurrados pelas águas, se não tivessem sido empurrados a história de todos eles teria sido outra. Depois da partida a família aumentou com a chegada de Marília e Marina.

Da janela da casa da Cidade Velha restou esse bonito retrato clicado por Walquires Tibúrcio, e tão bonito é que me deu vontade de escrever sobre o que via ela, a bela, a Wanda da Nenen do São e aproveitar para fazer a chamada, como na escola.Mas, que pena! Sete deles ‘’Ausentes’’. ‘’Presentes’’ pode responder só a Marina lá no Mato Grosso, o Lamartini em Três Pontas e a Wanda da janela em Belo Horizonte, os que ainda podem contar a história da família na Cidade Velha e bem mais tarde,a volta para a Cidade Nova com caminhos já diferentes para cada um.

E de janela pra janela, nossa família conviveu por décadas com D.Nenem e família, uma casa do ladinho da outra aqui na Cidade Nova, na Rua Leopoldina Maia, e que convivência respeitosa, amorosa! Quanto riso nas duas casas! E da janela que hoje mora minha mana Gaya, a gente vê a casa fechada e no silêncio o barulho de lembranças.

Wanda, através dessa foto meu carinho pra vocês,enfim, todos da família da Nenen do São.

PessoasMariaTibúrcioRosaWalquires TibúrcioRosa
LugaresCidade VelhaCidade NovaClube dos 70LagoVarginhaBelo HorizonteFormiga
TemasFamília e CasamentoBailes e FestasCrianças e Escola
— Soninha
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