GUAPÉ
É COM alegria e orgulho que posto o texto da linda e jovem professorinha Cristiane Costa, filha da Enezione e Paulo Costa, casada com Renato do Zé Lara. Ela foi minha aluna e brilhante, hoje brilha como professora, é grande incentivadora da escrita dos jovens, muito respeitada, taí seu texto para os leitores do ''Bão De Prosa'' e junto vai meu abraço, meu carinho. Beijo também, Cristiane. .
GUAPÉ QUE EU QUERO
Guapé completa cem anos. Cem anos de muitas histórias, águas, choros, alegrias, pessoas que vão e vêm, muitas que se foram e outras tantas que vêm e não querem mais ir embora. Sempre pensamos que podemos transformar o mundo e o fazemos encarregando outros de modificarem suas ações, emoções e, dessa forma, o ambiente em nosso entorno. Se pudéssemos “magicamente” mudar nossa cidade, muitos diriam que precisamos de lazer, Shopping Center, bons restaurantes, um maravilhoso clube aquático. Outros, que precisamos de cultura, cinema, teatro, serestas. Alguns, de um hospital mais bem equipado, melhores escolas, talvez uma universidade. Enfim, uma mudança físico-político-social. Mas, eu, se pudesse, queria supervalorizar as qualidades de muitos que aqui vivem e, dessa forma, contagiar a todos com bons pensamentos e altruísmo. Fazer que enxerguemos o outro com seus defeitos, mas, apesar disso, sabermos que suas qualidades também o fazem humano. Começaria em nossas escolas, pois, é lá, onde “plantamos sementes” de que há sempre algo para fazer e podemos fazê-lo. Não pretendo uma reforma no Português e super adequação à norma culta dos gramáticos, mas quero a utopia dos poetas. Sonho uma nação amada e respeitada como Camões; a idealização de heróis nacionais como Alencar; sem o ceticismo de Machado; a crença no progresso, sem destruição da natureza, de Drummond; a valorização do homem do campo, de Graciliano; sem o conflito da guerra, como Euclides da Cunha; em que haja livros para todos, como Lobato; e um pouco da epifania de Clarice, pois é nos momentos de lucidez que as grandes ideias afloram. Quero a crítica de Gregório de Matos, mas também sua religiosidade; o amor eterno da Doroteia, de Tomás Antônio Gonzaga; sem preconceitos, como em Jorge Amado; os paradoxos e metáforas de Guimarães Rosa, pois todos temos um sertão a ser descoberto dentro de nós, mas que pode ser lapidado e melhorado como Olavo Bilac o faz. Enfim, há muito para fazermos, podemos sonhar, ou trabalhar, cada um, a nossa maneira para que esta cidade seja sempre a nossa cidade. Um lugar em que queiramos estar e dele cuidar, com nossa gente e nosso potencial de tentar a cada dia sermos melhores. E você, como é a cidade que pretende construir??? Professora Cristiane Costa






