20 de agosto de 2014

EM AGOSTO

Hoje eu acordei com inspiração pra sair pelas ruas buscando pássaros nos fios, em formações que mais parecem partituras musicais, pensei até em provocar arco-iris fazendo o sol refletir na água lançad

EM AGOSTO

EM AGOSTO

Hoje eu acordei com inspiração pra sair pelas ruas buscando pássaros nos fios, em formações que mais parecem partituras musicais, pensei até em provocar arco-iris fazendo o sol refletir na água lançada nas plantas do jardim. Nunca estamos no lugar que gostaríamos de estar, mas desta vez minha sensação é de plenitude por, justamente, não querer estar em nenhum outro lugar que não seja onde estou – aqui é o meu lugar! São meus os aromas, me pertencem os sons e me comovem as cores que insistem em compor formações que distraem os meus olhos, mesmo quando eles preferem estar fechados, uma vez que o que vejo não carece de estar sendo visto. Percebo que vejo apenas com os olhos da imaginação, nem sempre o que vejo é o que realmente encontra-se ao alcance dos meus olhos. Minha visão vai muito além da minha capacidade de enxergar. Hoje eu acordei com uma sensibilidade que beira a insanidade: chuva são lágrimas que escorrem pelo meu rosto, sol é calor que aquece meu corpo, brisas são carícias que percorrem minha pele. De repente eu gostaria de gravar este instante para sempre. Não quero nem antes, nem depois, só quero o agora – não me interessa o que virá e nem o que já aconteceu – eu sou apenas o instante!

Wenceslau Ávila

— Soninha
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