23 de julho de 2019

É sobre uma Estrela de primeira grandeza

____________________________________________________ “HÁ QUEM DIGA QUE O TEMPO CURA TODAS AS COISAS. É UMA GRANDE MENTIRA.” De férias forçadas aqui, terminei de ler. Me deixou em estado de Acemira, po

É sobre uma Estrela de primeira grandeza... ____________________________________________________

“HÁ QUEM DIGA QUE O TEMPO CURA TODAS AS COISAS. É UMA GRANDE MENTIRA.” De férias forçadas aqui, terminei de ler. Me deixou em estado de Acemira, por entre os cactus a duvidar que existam os finais felizes. Muitos detalhes apresentados por sua imaginação, Marcelo Lagoa de Almeida. Aguardando desde já, uma próxima obra sua. (Publicação de Gilséa Oliveira – 14 de Julho de 2017) ____________________________________________________

Gilséa Oliveira foi uma das minhas leitoras, uma pessoa que apreciava os textos que eu escrevia, que me acompanhou desde o lançamento do meu primeiro Livro Manuara, de onde em 14/07/2017 ela tirou esta primeira frase, com a qual começo esse texto (a frase que escrevi logo acima entre aspas), brincando depois com as palavras, para nos mostrar seu coração partido com o final da história, no Livro…

Porém, Gilséa não foi apenas leitora, mas também foi uma amiga. Eu não tive oportunidade de conhecê-la pessoalmente, mas às vezes trocávamos ideias sobre os meus livros, falávamos sobre as minhas pesquisas – principalmente meu segundo Livro: Fazenda Sant’Anna, onde conversamos sobre os escravos, sobre os Navios Negreiros, sobre as Casas Grandes e Senzalas que ainda existem por aí, disfarçadas de inocentes Fazendas a ocultar um passado triste… Falamos sobre os instrumentos musicais africanos... Me falava também de suas pesquisas, sobre a história de povos antigos que habitaram as terras de Guapé… Ela era muito ligada à cidade!

E por falar em instrumentos musicais, certa vez Gilséa me contou que estudava Violino. Queixou-se comigo, dizendo que o som extraído não estava a seu gosto… Fiz a sugestão: __“Observe se a Alma do violino não caiu! Pode ser esta, a causa.”

Gilséa demonstrou espanto. Nunca tinha ouvido dizer que Violino tivesse alma! Então expliquei a ela que sim, violinos têm alma… É um pequeno palito que fica em pé dentro do violino, logo abaixo do “pulmão” do instrumento (Sim! Novo espanto: O violino também tem pulmão, que é sua madeira arcada, entre as duas aberturas em forma de F no Tampo). E essa alma serve para manter afastados o Tampo e o Fundo do violino. E as cordas transmitem sua vibração para o interior do instrumento e chega até o Fundo através dessa “alma” que serve como ponte entre as duas metades… Gilséa ficou particularmente interessada na Mbira, um instrumento africano que descrevi em ricos detalhes no meu segundo Livro. E no Livro, gostou muito daquela passagem no Epitáfio de Tavinho: “A minha infelicidade, é que no espelho não havia outra face.”

Sempre com observações muito inteligentes, seu vivo interesse pelas histórias que eu escrevia me serviu de incentivo e alento. E me fez acreditar, de verdade, que aqueles textos comuns que eu escrevia valiam a pena serem escritos…

Muitos de vocês que estão lendo isto agora, conheceram Gilséa melhor do que eu. Mas eu sei que Gilséa foi uma mulher dedicada, responsável e amava seu trabalho, na área da Educação. Foi uma pessoa muito inteligente, que amava a História de Guapé. E foi amada por todos.

Mas hoje, porém, escrevo sobre ela no pretérito… Porque nossa querida amiga, nesta segunda-feira, 22 de Julho de 2019, abriu suas asas e voou… Voou como voaram minhas aves em Manuara, sempre quando alguém muito querido partia… Mas diferente da alma de um violino, a alma de Gilséa foi transparente! E agora, ela reflete a luz das estrelas, com toda a admiração que cultivou entre nós, os mortais, a quem conquistou com sua amizade e simpatia.

Dizem que ao sairmos deste plano em direção ao próximo plano, estamos fechando um ciclo de nossa existência, e que mudamos de fase… Acabamos um Capítulo e viramos a página… Mas eu entendo um pouquinho de livros; e digo-lhes: Não é bem assim, não. Quando alguém querido se vai, não há páginas viradas! Mas há uma história com extensão. Assim como há filmes estendidos, assim se torna cada história de um amigo que partiu! E de agora em diante, passará a existir em nossas lembranças, continuando na espiritualidade a trajetória tão subitamente interrompida nesta vida material! Mas quando alguém que cultivou tua amizade se vai… Ainda que se virem as páginas da Vida, ficará para sempre gravada na capa e na contra-capa de nossas memórias!

Gilséa, sua presença já está fazendo falta, para muitos de nós… E se no espelho de Tavinho a infelicidade era não haver outra face... A nossa, de agora em diante é um perfil estático no Face, sem as atualizações da querida amiga, em sua própria linha do Tempo…

E como você disse um dia, querida amiga e leitora Gilséa: “Me deixou em estado de Acemira, por entre os cactus a duvidar que existam os finais felizes.”

Mas vai em paz, cara amiga. Que Deus te acolha em Seus braços. E tua lembrança ficará para sempre aos que tiveram a honra de conhecer-te.

Meus sentimentos à família, aos amigos e aos seus colegas de trabalho.

Meus sentimentos a Guapé, que perde mais um de seus ilustres cidadãos. 😥

Texto: Marcelo Lagoa

PessoasMarcelo Lagoa
LugaresGuapéLagoFazenda
TemasReligião e ProcissõesNatureza e Lago
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