Diz aí, Toquinho sobre o...
''CADERNO''
''Serei de você confidente fiel Se seu pranto molhar meu papel
Sou eu que vou ser seu amigo Vou lhe dar abrigo, se você quiser Quando surgirem seus primeiros raios de mulher A vida se abrirá num feroz carrossel E você vai rasgar meu papel O que está escrito em mim Comigo ficará guardado, se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente, o que se há de fazer? Só peço a você um favor, se puder ''Não me esqueça num canto qualquer''
AH! MEUS CADERNOS!
É isso, lindo poeta. Serviu pra mim. Sempre tive cadernos confidentes. Na verdade todos, pois, como péssima aluna que fui, estava sempre envolvida com eles. Não me arrependo. Um para fingir que copiava as matérias, e sempre outro escrevendo letras de músicas, trovinhas, poesias, piadas e desenhando repetidamente um tipo de castelo japonês com lanternas, uma mania que durou muito tempo.
Eu até me ligava em algum assunto, sim, eu escutava os amados mestres, como diria Rolando Lero, mas bom mesmo era ficar antenada nas prosas dos colegas.
Até tinha vontade de ser certinha, dentro dos conformes, ser uma aluna normal, mas, para mim era tão custoso me encaixar, era 90% impossível. Hoje tô neeeeem aí, eu tô é lá, porque até hoje rio de tudo que vivi na escola sendo fora do eixo. A vontade de ser boa aluna vinha, mas era só um segundinho, passava rapidinho.
Não me arrependo porque teria era perdido tempo de alegria. Meus mestres eu respeitava sempre e tanto que tentava, tentava, mas, nóis, a turma, ria deles também, deles e de nós mesmos, as características eram observadas, tudo virava piada, muito divertido. Segurar gargalhadas numa sala cheia ou não aguentar silenciá-las era gostoso demais.
Beijos e saudades, colegas do Ginásio São Francisco de Guapé, as colegas do Colégio Júlia Kubitschek de Passos, muita risada, muito carinho. e meus caderninhos marginais... ''não ficaram abandonados em um canto qualquer'', foram guardados com carinho por anos, décadas, sem nada de matéria. Fiquei sem meu baú há poucos anos numa mudança.
AOS AMADOS MESTRES DE MATEMÁTICA kkk...
Obrigadas pelas viagens, mil vezes, obrigada. Não me lembro de nada que ensinaram, só fiquei com a bagagem do primário, tabuada decorada e entendida, algarismos romanos, as quatro operações, mas, devo-lhes muito, graças aos seus muitos complicados números e positivo virando negativo, xis igual a y, ou sei lá o quê, regra de três, cálculos, não sei que mais, não sei que mais, nada me acordou, maaaaas, para mim, hora da aula de ma - te - má - ti - caaaaaaaa... Ah! Que delícia que era! Eu viajava taaaaaaanto! Conheci taaantos poetas! Copiei taaaantas poesias! Cantei baixinho tantas músicas! Aprendi a fazer tanta rima! Escrevi tanta croniquinha dos colegas! Escrevi tantos e tantos bilhetinhos nas aulas quietas!
Tenho nítido na memória a capa, o título, as páginas de meu ''Caderno De Recordação'', inclusive muitas dedicatórias, as poesias, letras de músicas escritas por cada colega. Lá no alto esquerdo de cada página, pequenininho, vinha escrito o primeiro nome de cada um a deixar uma recordação. O caderninho ficava dias rodando na sala e em outras. Marcante.
E o ''Caderno De Perguntas''? Quanta curiosidade saber das perguntas e que emoção gostosa era responder. Respondi tantos! Nome de artista predileto, cantor, filme, música, letras iniciais da paixãozinha, muuuuuuitas perguntas...
Ê, Toquinho, seus versos me trouxe tanta saudade!
NÓIS NAS LEMBRANÇAS, soninhabeijinho, fiu, fiu...







