De Daniel J. Zimerman:
O AMOR PLATÔNICO
Há situações na vida de muitas pessoas em que se quer muito alguém - dizer que se ama é algo de múltiplos significados, cada um com os vários seus - e não há reciprocidade. É uma merda. Quando isso me acontece - o que é raro, felizmente - fico oscilando entre duas possibilidades principais: devo deixar fluir o amor não correspondido ou romper com ele, assassiná-lo? Há infinitas alternativas entre uma e outra, mas essas são as duas mais importantes. Escolho sempre deixar fluir o amor não correspondido. É delicioso querer alguém, mesmo sem reciprocidade. Porque perder a oportunidade de sentir o coração bater mais forte e lá no fundo pensar na improvável correspondência, se agarrando a um fiapo de esperança que sempre existe e nos mantém vivos? Eu jamais mato um amor. Nem o deixo morrer de inanição. Vou cultivando-o até que ele morra sozinho. Não sou um assassino de amores.

